Roberto Castello Branco, presidente da Petrobras, declarou que medidas não foram eficazes nos últimos anos e não contribuem para a busca da eficiência
Ao participar de um evento, nesta terça-feira (20/08), no Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, declarou que é a favor do fim do regime de partilha que atualmente é obrigatório para a exploração e produção de petróleo nos campos do pré-sal, bem como do fim do conteúdo local que obriga as petroleiras a cumprir percentuais de contratação de materiais e equipamentos no Brasil. Em busca de redução de custos Petrobras vai fechar sua base no Edinc em Macaé.
Segundo ele as medidas não estimulam a a busca da eficiência e nem colaboram para melhoria da competitividade das indústrias nacionais.
«Deveria se eliminar o chamado polígono do pré-sal (área definida pelo governo que engloba os campos no pré-sal entre as bacias de Santos e Campos), e deixar o governo decidir em que áreas aplicar o regime de concessão ou de partilha. O regime de partilha, assim como o conteúdo local, retira o estímulo para eficiência, quem decide o que é melhor para a empresa não é a sua administração e, sim, as normas estabelecidas por burocratas. o regime de partilha não leva à eficiência, declarou o presidente da Petrobras.
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Segundo Castello Branco a ANP melhorou as regras, mas o conteúdo local ainda influencia as petroleiras e que na sua opinião se a indústria nacional é competitiva, não necessita de proteção e completou: «Se a indústria local é boa, não precisa de nada, não precisa que se obrigue as empresas petroleiras a demandarem seus produtos. Se ela não é eficiente depois de 22 anos da Lei do Petróleo, é hora de acabar com isso, porque não adiantou nada. Se 22 anos não foi suficiente para as empresas aprenderem alguma coisa, a serem competitivas, quem não se preparou, paciência. Não pode a indústria do petróleo pagar por isso».
Redução de custos
Com dívidas na casa dos US$ 101 bilhões, a Petrobras continua seu programa de redução de custos. Alguns escritórios estão sendo fechados e os imóveis (alugados) sendo entregues.
Assim como aconteceu no Edinc (em Macaé) que está em processo de desmobilização e no Edisp (em São Paulo), que já foi fechado, desta vez, uma visita do presidente Castello Branco ao prédio da Petrobras em Vitória, no Espírito Santo, na última segunda-feira, fez com que o presidente pensasse em mais corte de custos.
«É um prédio bonito, moderno, fiquei surpreso. Temos pessoal de primeira trabalhando lá, mas nos custa R$ 176 milhões por ano. O prédio está na região mais valorizada de Vitória, melhor tecnologia, vidros importados da Bélgica, tem vidro à vontade, e persianas que se fecham automaticamente. Mas isso pesa muito no custo da companhia. Nossa busca contínua é a redução de custos», declarou ele.
O presidente da Petrobras ainda lembrou que esta política austera se deve aos anos de assaltos de uma «organização criminosa» pelo qual passou a companhia, claramente se referindo aos casos de corrupção revelados pela operação lava-jato.
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