A fábrica de SAF foi batizada de “Laboratório de Hidrogênio e Combustíveis Avançados” (H2CA) e pretende avançar na criação de outros produtos
Em um passo significativo em direção à sustentabilidade no setor da aviação, o Brasil acaba de abrir sua primeira fábrica piloto de SAF (Combustível Sustentável de Aviação, na sigla em inglês), uma inovação tão aguardada pelas companhias aéreas. O SAF é essencial para a redução das emissões de carbono na aviação, mas sua produção ainda é incipiente em nível global, de acordo com o site Exame.
Batizado de Laboratório de Hidrogênio e Combustíveis Avançados (H2CA), esse espaço pioneiro de combustível está localizado em Natal e abrigará uma unidade de produção de SAF. Esta unidade tem a ambição de avançar na produção experimental e elevar o desenvolvimento de SAF para uma escala piloto industrial, permitindo testes e criação de novos produtos em condições reais de operação industrial.
Fabiola Correia, coordenadora do projeto, afirma que até outubro ou novembro deste ano, o laboratório espera produzir uma amostra de combustível SAF que será submetida à certificação pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Uma vez certificado, o combustível poderá ser comercializado pelas empresas. Inicialmente, o laboratório busca aumentar a produção de SAF de 200 ml para até 5 litros por dia. O combustível será produzido a partir da glicerina, um subproduto da produção de biodiesel, atualmente disponível a baixo custo. Esse processo também resulta na produção de hidrogênio, outra alternativa de combustível para o setor de transporte.
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Demanda crescente por SAF e necessidade de produção em escala
As companhias aéreas têm um grande interesse em adquirir SAF, no entanto, a oferta no mercado é ainda muito limitada, representando apenas 0,1% do total utilizado na aviação comercial em 2022. Espera-se que esse novo combustível alcance 2% do mercado até 2025, o que exigiria uma produção anual de 8 bilhões de litros.
Embora várias empresas tenham estabelecido metas ambiciosas para aumentar o uso de SAF nesta década, elas enfrentam desafios de oferta. Devido à sua escassez, o SAF pode custar até cinco vezes mais do que o querosene, que é a opção predominante na aviação civil, mas gera altas emissões de poluentes.
O setor de aviação tem metas de descarbonização até 2050 e precisa reduzir significativamente o uso de querosene para alcançá-las. Estimativas da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) indicam que seria necessário um suprimento anual de mais de 400 bilhões de litros até meados do século.
América Latina e Brasil na vanguarda da produção de SAF
Com cerca de cem projetos de fabricação de SAF em andamento em 30 países, a América Latina e o Brasil se destacam devido à disponibilidade de biomassa, que é utilizada para produzir SAF. Essa nova onda de produção sustentável de combustível de aviação tem o potencial de revolucionar o setor, contribuindo significativamente para a redução das emissões de carbono e a promoção da sustentabilidade na aviação. O Brasil, em particular, tem a oportunidade de se tornar um líder regional na produção e adoção de SAF.
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