Nas montanhas Velebit, na Croácia, veados-vermelhos voltam a ganhar espaço após reintroduções em quatro áreas de caça, com suspensão temporária de abates, acordos de cooperação e monitoramento por armadilhas fotográficas e coleiras GPS para recuperar diversidade genética, biodiversidade e cadeias alimentares locais sustentáveis.
Nas montanhas Velebit, na Croácia, a volta dos veados-vermelhos está sendo acelerada por um esforço coordenado que envolve concessões de caça, guardas florestais e o projeto Rewilding Velebit. Desde novembro, 30 veados-vermelhos foram soltos em quatro áreas de caça, com acordos assinados para garantir padrões de manejo e prevenir caça ilegal enquanto a população tenta se reerguer.
O movimento acontece em um contexto de pressão humana histórica que derrubou a espécie para níveis muito abaixo do natural. Em 2025, uma pesquisa divulgada mostrou que a maioria dos caçadores de Velebit compartilha objetivos semelhantes aos do projeto de restauração, ajudando a sustentar a mudança mais simbólica do plano: suspender a caça ao veado-vermelho nas áreas reintroduzidas até que a recuperação se consolide.
Onde aconteceu: Velebit, na Croácia, e a virada de um território marcado pela caça

A reviravolta dos veados-vermelhos está concentrada nas montanhas Velebit, na Croácia, uma paisagem conhecida por grandes áreas de natureza e por uma cultura de caça profundamente enraizada.
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Justamente por isso, o retorno da espécie ganhou um peso especial: a recuperação não depende apenas de soltar animais, mas de mudar práticas e mentalidades que moldaram o uso do território por décadas.
Nesse cenário, a restauração se apoia em cooperação direta com associações locais de caça e concessões vizinhas.
O objetivo declarado é restaurar populações saudáveis e capazes de se manter no longo prazo, sem depender continuamente de novas solturas.
Por que os veados-vermelhos quase desapareceram e o que isso causou no ecossistema

A população atual de veados-vermelhos em Velebit permanece bem abaixo do nível natural, e a explicação central é direta: caça excessiva ao longo da história.
A pressão humana reduziu o número de indivíduos a um patamar em que a espécie deixou de cumprir plenamente seu papel ecológico em algumas partes da região.
A ausência do veado-vermelho tem consequências que vão além da espécie em si.
O retorno é tratado como uma peça-chave para aumentar a biodiversidade, preservar diversidade genética e restaurar o equilíbrio ecológico, além de revitalizar cadeias alimentares que sustentam predadores e necrófagos.
As solturas coordenadas: 30 veados-vermelhos, quatro áreas e um plano de recuperação
A reintrodução recente envolveu a soltura de 30 veados-vermelhos em quatro áreas de caça desde novembro.
Esse número, embora pareça pequeno à primeira vista, carrega um propósito técnico: aumentar a abundância, fortalecer a diversidade genética e dar início a um ciclo de recuperação que possa se expandir com o tempo.
As reintroduções citadas incluem áreas como Marković Rudine, Vrebac, Vrh Jelovi e também uma concessão no centro de Velebit, onde 10 veados foram soltos.
Outras solturas ainda estão planejadas, indicando que o esforço não é pontual, mas sequencial.
Acordos assinados e suspensão de caça: a regra muda até a população se recuperar
Uma peça decisiva do plano foi formal: acordos foram assinados com todas as concessões onde os veados-vermelhos foram reintroduzidos.
Esses compromissos estabelecem padrões compartilhados e melhores práticas, com atenção especial à prevenção da caça ilegal e ao manejo no longo prazo.
O ponto central desses acordos é claro: a caça ao veado-vermelho será suspensa em todas as áreas onde houve soltura, pelo menos até que as populações tenham oportunidade real de se recuperar.
Na prática, isso significa criar uma janela de tempo para que os animais se estabeleçam, se reproduzam e comecem a ampliar sua presença sem a pressão imediata do abate.
De armas a câmeras: o que muda quando a observação substitui a caça
A proposta em Velebit vai além de repovoar. Ela busca substituir a caça por observação de vida selvagem, criando uma gestão baseada em presença, monitoramento e experiências ligadas à natureza.
Esse reposicionamento também aparece como estratégia econômica, ao impulsionar uma economia local baseada em experiências turísticas e observação da fauna.
Nesse contexto, a mudança simbólica é forte: caçadores que historicamente enxergavam a caça como eixo do território passam a operar como aliados do retorno da vida selvagem, com ferramentas de monitoramento e participação em padrões de conservação.
Monitoramento com coleiras GPS e armadilhas fotográficas para guiar o manejo
Parte dos veados-vermelhos libertados recebeu coleiras com GPS, um recurso projetado para acompanhar migração sazonal e uso de habitat.
Esse monitoramento fornece informações práticas para ajustar decisões de manejo e ampliar a eficiência da recuperação.
Além do GPS, o trabalho de campo também usa armadilhas fotográficas para observar movimento e abundância de animais selvagens.
Na prática, isso cria um retrato contínuo da vida na paisagem, ajudando a identificar padrões e antecipar problemas antes que se tornem irreversíveis.
Manejo com intervenção mínima e metas populacionais ainda distantes
Mesmo com um plano de gestão que permite abate seletivo, a orientação atual é de intervenções mínimas, porque as metas populacionais desejadas ainda não foram alcançadas.
Esse detalhe é crucial: em vez de retomar rapidamente o uso tradicional da espécie como alvo de caça, o foco é permitir que a recuperação ganhe corpo primeiro.
Administradores de concessões em Velebit destacam que o cenário já começou a mudar, com sinais de aumento da população e percepção de que, antes, os veados-vermelhos eram raros em áreas onde agora voltam a aparecer com mais frequência.
O papel da confiança entre projeto e concessões para evitar retrocessos
Em regiões onde a caça faz parte da cultura, a restauração depende de algo pouco tangível, mas vital: confiança.
Os acordos assinados e a colaboração constante têm a função de manter um padrão comum de atuação, reduzir conflitos e criar uma visão compartilhada para a paisagem.
O fortalecimento de parcerias também abre caminho para ampliar o impacto do repovoamento e sustentar decisões difíceis, como a suspensão de caça, sem que a estratégia se fragmente por pressões locais.
Uma base para o futuro: mais solturas, ecossistemas mais saudáveis e nova relação com a natureza
O retorno dos veados-vermelhos nas montanhas Velebit, na Croácia, é tratado como uma base para uma recuperação mais ampla, com possibilidade de restaurar espécies em maior escala e fortalecer ecossistemas inteiros.
A ideia de longo prazo é consolidar uma paisagem mais selvagem, com populações saudáveis e cadeias alimentares revitalizadas.
Em vez de um episódio isolado, a iniciativa funciona como uma tentativa de reescrever a relação entre pessoas e natureza em um território icônico, usando gestão, monitoramento e cooperação para transformar um colapso histórico em uma recuperação possível.
Na sua opinião, a suspensão da caça e o uso de câmeras e GPS são suficientes para garantir que os veados-vermelhos se tornem realmente abundantes de novo nas montanhas Velebit, na Croácia?
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