A queda das criptomoedas se intensifica com o bitcoin abaixo de US$ 64 mil, após perder quase metade do valor desde o pico de outubro de 2024, enquanto investidores reduzem exposição a ativos de risco, ampliam perdas em ETFs e redirecionam recursos para ouro, títulos públicos e mercados tradicionais
A queda das criptomoedas se intensificou na quinta-feira, com o bitcoin recuando mais de 12% para menos de US$ 64.000, ampliando perdas desde outubro de 2024, quando superou US$ 125.000, e evidenciando a fuga de investidores de ativos de risco.
Queda das criptomoedas e reversão após máximas históricas
A queda das criptomoedas ganhou força após a maior moeda digital do mundo cair para níveis não vistos desde outubro de 2024. O movimento marcou uma reversão acentuada frente ao fim do ano passado, quando o bitcoin alcançou recordes acima de US$ 125.000 por unidade.
Nos quatro meses seguintes ao pico, o bitcoin perdeu quase metade de seu valor. Desde 6 de outubro, a perda acumulada supera US$ 1,2 trilhão em valor de mercado, segundo dados do CoinMarketCap.
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Divergência entre bitcoin e ouro amplia pressão
A venda de criptomoedas ocorre em paralelo à migração para ativos considerados porto seguro. Desde o pico do bitcoin em outubro, a diferença de desempenho em relação ao ouro cresceu de forma significativa.
Na tarde de quinta-feira, o bitcoin acumulava queda de 35% desde fevereiro de 2025, enquanto o ouro registrava alta próxima de 70%. Apenas neste ano, o ouro avançou mais de 11%, ao passo que o bitcoin recuou mais de 26%.
Efeito cascata no ecossistema cripto
O recuo do bitcoin levanta preocupações adicionais para o restante do setor. A moeda é frequentemente descrita como “ouro digital”, por sua suposta capacidade de preservar valor em períodos de incerteza, analogia que vem sendo testada pela correção recente.
Os fluxos para ETFs de bitcoin diminuíram drasticamente com a queda dos preços. Esses fundos haviam impulsionado a valorização observada no ano passado.
O bitcoin caiu abaixo do preço médio de entrada de muitos investidores em ETFs à vista nos Estados Unidos, estimado em cerca de US$ 81.600. A correção, assim, afeta diretamente posições recentes do mercado.
Impacto sobre empresas expostas ao bitcoin
A retração também pressiona companhias que ampliaram exposição ao ativo durante a alta. As ações da Strategy recuaram mais de 17% na quinta-feira, acompanhando a queda do bitcoin.
A empresa detém mais de 713.000 moedas, adquiridas a um preço médio aproximado de US$ 76.000 por unidade, conforme seu último registro regulatório. Com o preço abaixo desse patamar, investidores demonstram apreensão quanto a novas perdas.
Essa pressão se estende a outras empresas ligadas à negociação de criptomoedas. As ações da Coinbase, da Circle e da Robinhood também caíram na quinta-feira.
Avaliações de risco e alertas de mercado
O movimento recente reacendeu alertas sobre cenários adversos. Michael Burry afirmou que “cenários assustadores agora estão ao nosso alcance”, em referência à intensidade da correção do bitcoin.
Em publicação no Substack, ele alertou que a queda do preço poderia evoluir para uma “espiral da morte”. A avaliação reflete o temor de vendas adicionais em cadeia no setor.
Vibrações de Washington e política monetária
Fatores políticos e monetários também influenciaram a reprecificação dos ativos. A indicação de Kevin Warsh por Donald Trump para a presidência do Federal Reserve contribuiu para uma redefinição nos mercados.
Apesar das declarações de Trump favoráveis a juros mais baixos, Warsh é visto como alguém com histórico mais rigoroso no combate à inflação. Os mercados avaliam que cortes de juros não ocorreriam com rapidez.
Taxas de juros mais altas e menor liquidez costumam dificultar a sustentação de apostas de alto risco, como as criptomoedas. Esse ambiente amplia a pressão sobre preços já enfraquecidos.
Dólar, tensões geopolíticas e busca por segurança
Com a saída de investidores do mercado cripto, ativos tradicionais ganharam espaço. Títulos do Tesouro americano, ações europeias e asiáticas, além de metais preciosos como prata e ouro, passaram a concentrar fluxos.
O dólar americano também enfrenta pressão, refletindo cautela dos investidores diante de ameaças comerciais e tarifárias da administração Trump, além de incertezas ligadas a tensões com aliados e eventos geopolíticos recentes.
Limites de apoio governamental às criptomoedas
Em Washington, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, declarou que o governo dos Estados Unidos não tem poder para intervir e sustentar criptomoedas em caso de colapso.
A afirmação reduziu expectativas de qualquer tipo de resgate, mesmo sob uma administração considerada amplamente favorável ao setor. A declaração reforçou a percepção de risco entre investidores.
Avanços e impasses regulatórios
Apesar de sinais positivos da Casa Branca, o setor enfrenta dificuldades para obter regras claras no Congresso. Analistas do Citi apontaram que o progresso legislativo tem sido lento e irregular.
Nos últimos meses, parlamentares avançaram em projetos para esclarecer a regulação de ativos digitais e a supervisão de stablecoins. Contudo, normas mais amplas sobre estrutura de mercado seguem paralisadas.
Essas regras são vistas como cruciais para aumentar a segurança do setor. A ausência de definições mantém parte dos investidores reticentes, mesmo diante da possibilidade de avanços futuros.
Persistência do pessimismo entre investidores
Alguns gestores mantêm uma visão cautelosa sobre o bitcoin. Louis Navellier avaliou que, mesmo com maior clareza regulatória, investidores podem hesitar diante da volatilidade da classe de ativos.
A combinação de correção acentuada, incertezas políticas, juros elevados e ausência de garantias institucionais sustenta o pessimisno observado no mercado. A queda das criptomoedas segue, assim, como um dos principais sinais de aversão ao risco no cenário atual.

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