O comportamento da queda no preço da cenoura ganha destaque em novembro, com impacto da oferta mineira e sinais captados pelo Boletim Prohort sobre o mercado hortigranjeiro
A queda no preço da cenoura registrada nos primeiros dias de novembro trouxe novo foco ao comportamento recente dos hortigranjeiros monitorados pela Conab, segundo uma matéria publicada.
O 11º Boletim Prohort 2025 mostrou que os envios de Minas Gerais, principal estado produtor, chegaram às Centrais de Abastecimento com força suficiente para modificar o cenário nacional.
Esse movimento ocorreu após um período de estabilidade observado em outubro, quando diferentes Ceasas apresentaram resultados divergentes: Curitiba registrou aumento de 39,02%, enquanto Rio de Janeiro e Rio Branco tiveram retrações de 17,01% e 16,56%, respectivamente.
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A nova fase de novembro confirma a influência direta do fluxo produtivo mineiro sobre as cotações da raiz.
Oferta agrícola de Minas Gerais
A ampliação da oferta agrícola de Minas Gerais é apontada pelos técnicos como o fator central para a mudança recente identificada no mercado.
O volume de cenoura direcionado às Ceasas, especialmente nas duas primeiras semanas de novembro, gerou pressão suficiente para modificar a curva de preços.
Esse efeito acompanha outros comportamentos observados no boletim, que também destacou recuos expressivos em culturas como alface, banana e mamão.
A alface, por exemplo, acumula queda consecutiva desde agosto: 8,77% naquele mês, 16,01% em setembro e 7,27% em outubro, influenciada pela oferta elevada e por uma demanda reduzida em praças como Curitiba, onde o clima mais frio diminuiu o consumo.
Já a banana prata teve queda média de 4,14% devido à maior disponibilidade vinda do norte mineiro, meio-oeste da Bahia, Vale do Ribeira e Ceará, enquanto o mamão recuou 5,05% após registrar alta no início do mês analisado.
Variação de preços nas Ceasas
A variação de preços nas Ceasas também mostrou avanços importantes em produtos como cebola, batata, tomate, laranja, maçã e melancia.
A cebola, após meses de recuo desde junho, voltou a subir 12,24% em outubro, mesmo com acréscimo de apenas 2% na oferta.
No caso da batata, a média ponderada apontou alta de 19,35%, com exceção de Santa Catarina, que apresentou queda de 4,63%.
Em outras praças, os índices oscilaram de 4,42% em Fortaleza a 41,66% em Curitiba.
O tomate teve aumento moderado de 3,97%, revertendo quedas anteriores, enquanto a melancia registrou mudança de polos fornecedores, com destaque para São Paulo e Bahia após o encerramento de colheitas em Tocantins e Goiás.
Tendências do mercado hortifruti
As tendências do mercado hortifruti também foram analisadas em paralelo aos dados do Boletim Prohort 2025, que apontaram movimento robusto nas exportações brasileiras.
De janeiro a outubro, as vendas internacionais atingiram 1,07 milhão de toneladas, crescimento de 31,5% em relação ao mesmo período de 2024.
A receita alcançou US$ 1,19 bilhão, aumento de 13,47%. O estudo destacou ainda a relevância logística das Ceasas e o monitoramento contínuo de produtos como maçã e laranja, que tiveram oscilações acompanhadas da redução de estoques e da mudança no ritmo de colheita.
Nesse contexto, o movimento mensal das hortaliças reforça como alterações de clima, demanda e volume impactam diretamente as cotações, assim como ocorreu com a queda no preço da cenoura registrada agora em novembro.
Todas as informações consolidadas estão disponíveis no 11º Boletim Hortigranjeiro 2025 no Portal da Conab.
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