1. Início
  2. / Notícias Corporativas
  3. / Raízen negocia Shell aporte bilionário para recapitalização e enfrenta dívida alta
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

Raízen negocia Shell aporte bilionário para recapitalização e enfrenta dívida alta

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 26/02/2026 às 09:35
Dívida alta pressiona a Raízen, que busca recapitalização com Shell aporte para escapar de recuperação judicial.
Foto: IA
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Dívida alta pressiona a Raízen, que busca recapitalização com Shell aporte para escapar de recuperação judicial.

A Raízen negocia um reforço financeiro emergencial com a Shell para evitar uma possível recuperação judicial.

A informação veio à tona em fevereiro de 2026, quando fontes próximas às tratativas revelaram que a petroleira está disposta a ampliar o capital na joint venture com a Cosan.

O objetivo é conter a dívida alta, recuperar o caixa e garantir a continuidade operacional da companhia, que atravessa sua pior crise recente. 

Raízen enfrenta prejuízo bilionário e alerta sobre continuidade 

O ponto de virada foi o resultado financeiro divulgado em meados de fevereiro.

Na ocasião, a Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/26. 

Além disso, a empresa reconheceu uma “incerteza relevante” sobre sua capacidade de seguir operando.

Esse tipo de aviso é comum quando há risco financeiro significativo, o que acendeu o alerta no mercado. 

Enquanto isso, a dívida líquida saltou para R$ 55,3 bilhões até 31 de dezembro.

A combinação de investimentos elevados, clima adverso e incêndios em canaviais reduziu a produtividade agrícola e os volumes de moagem, pressionando o caixa. 

Shell aporte pode chegar a R$ 3,5 bilhões 

Diante do cenário, o Shell aporte tornou-se peça central na estratégia de recapitalização.

Inicialmente estimado em R$ 2,5 bilhões, o valor poderia alcançar até R$ 3,5 bilhões, dependendo das condições negociadas. 

Uma das fontes indicou que o montante ainda pode mudar.

Isso porque o acordo final não foi fechado e a empresa listada em Londres estaria disposta a contribuir de forma desproporcional para evitar um colapso financeiro da joint venture. 

Atualmente, Shell e Cosan possuem 44% cada na Raízen, enquanto 12% das ações estão em circulação no mercado. 

Cosan e Rubens Ometto também avaliam aporte 

Por outro lado, a Cosan também estuda participar do pacote de recapitalização.

Mesmo passando por sua própria reestruturação financeira, o grupo poderia aportar cerca de R$ 1 bilhão. 

Além disso, o empresário Rubens Ometto, presidente do conselho da Raízen e acionista da Cosan, avalia investir mais R$ 1 bilhão.

No entanto, essa participação depende de um acordo de financiamento ainda em negociação. 

Apesar das tratativas, Shell, Cosan e Ometto não comentaram oficialmente o assunto. 

Necessidade total pode chegar a R$ 25 bilhões 

Segundo um credor ouvido pela Reuters, o volume necessário para estabilizar a empresa é muito maior.

A estimativa é de cerca de R$ 25 bilhões entre capital novo e venda de ativos. 

Nesse contexto, a venda da operação na Argentina pode gerar aproximadamente US$ 1 bilhão.

O recurso ajudaria a reduzir a dívida alta e reforçar o caixa no curto prazo. 

Consultorias e rebaixamento de rating pressionam cenário 

Para avaliar alternativas, a Raízen contratou os escritórios Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb, além da Rothschild & Co como assessora financeira. 

A movimentação, porém, foi seguida por rebaixamentos nas notas de crédito.

Agências como S&P Global, Fitch Ratings e Moody’s reduziram a classificação da companhia. 

No relatório, a Moody’s destacou a alavancagem elevada, fluxo de caixa negativo e custos financeiros altos.

Também pesaram os resultados abaixo do esperado no segmento de açúcar e etanol, principal fonte de receita. 

Recapitalização é vista como alternativa à recuperação judicial 

Diante do quadro, a recapitalização surge como a principal alternativa para evitar uma recuperação judicial.

Esse mecanismo jurídico é usado por empresas que não conseguem pagar suas dívidas e precisam renegociar com credores. 

No entanto, recorrer a esse processo poderia impactar a reputação da Raízen, além de encarecer o crédito e afetar fornecedores.

Por isso, os acionistas tentam uma solução privada com novos aportes. 

Mercado acompanha impacto no setor de energia e agro 

A crise da Raízen preocupa investidores porque a empresa é uma das maiores produtoras de açúcar do mundo e um dos principais nomes na distribuição de combustíveis no Brasil. 

Assim, um eventual colapso teria efeitos no agronegócio, no setor de energia e na cadeia de biocombustíveis.

Por outro lado, um acordo de capitalização bem-sucedido pode restaurar a confiança do mercado. 

Enquanto as negociações avançam, o Shell aporte é visto como o fator decisivo para definir o futuro da companhia.

O desfecho deve indicar se a Raízen conseguirá reduzir a dívida alta e evitar medidas mais drásticas. 

Veja mais em: Shell está pronta para maior apoio à Raízen, dizem fontes

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x