Dívida alta pressiona a Raízen, que busca recapitalização com Shell aporte para escapar de recuperação judicial.
A Raízen negocia um reforço financeiro emergencial com a Shell para evitar uma possível recuperação judicial.
A informação veio à tona em fevereiro de 2026, quando fontes próximas às tratativas revelaram que a petroleira está disposta a ampliar o capital na joint venture com a Cosan.
O objetivo é conter a dívida alta, recuperar o caixa e garantir a continuidade operacional da companhia, que atravessa sua pior crise recente.
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Raízen enfrenta prejuízo bilionário e alerta sobre continuidade
O ponto de virada foi o resultado financeiro divulgado em meados de fevereiro.
Na ocasião, a Raízen registrou prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/26.
Além disso, a empresa reconheceu uma “incerteza relevante” sobre sua capacidade de seguir operando.
Esse tipo de aviso é comum quando há risco financeiro significativo, o que acendeu o alerta no mercado.
Enquanto isso, a dívida líquida saltou para R$ 55,3 bilhões até 31 de dezembro.
A combinação de investimentos elevados, clima adverso e incêndios em canaviais reduziu a produtividade agrícola e os volumes de moagem, pressionando o caixa.
Shell aporte pode chegar a R$ 3,5 bilhões
Diante do cenário, o Shell aporte tornou-se peça central na estratégia de recapitalização.
Inicialmente estimado em R$ 2,5 bilhões, o valor poderia alcançar até R$ 3,5 bilhões, dependendo das condições negociadas.
Uma das fontes indicou que o montante ainda pode mudar.
Isso porque o acordo final não foi fechado e a empresa listada em Londres estaria disposta a contribuir de forma desproporcional para evitar um colapso financeiro da joint venture.
Atualmente, Shell e Cosan possuem 44% cada na Raízen, enquanto 12% das ações estão em circulação no mercado.
Cosan e Rubens Ometto também avaliam aporte
Por outro lado, a Cosan também estuda participar do pacote de recapitalização.
Mesmo passando por sua própria reestruturação financeira, o grupo poderia aportar cerca de R$ 1 bilhão.
Além disso, o empresário Rubens Ometto, presidente do conselho da Raízen e acionista da Cosan, avalia investir mais R$ 1 bilhão.
No entanto, essa participação depende de um acordo de financiamento ainda em negociação.
Apesar das tratativas, Shell, Cosan e Ometto não comentaram oficialmente o assunto.
Necessidade total pode chegar a R$ 25 bilhões
Segundo um credor ouvido pela Reuters, o volume necessário para estabilizar a empresa é muito maior.
A estimativa é de cerca de R$ 25 bilhões entre capital novo e venda de ativos.
Nesse contexto, a venda da operação na Argentina pode gerar aproximadamente US$ 1 bilhão.
O recurso ajudaria a reduzir a dívida alta e reforçar o caixa no curto prazo.
Consultorias e rebaixamento de rating pressionam cenário
Para avaliar alternativas, a Raízen contratou os escritórios Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb, além da Rothschild & Co como assessora financeira.
A movimentação, porém, foi seguida por rebaixamentos nas notas de crédito.
Agências como S&P Global, Fitch Ratings e Moody’s reduziram a classificação da companhia.
No relatório, a Moody’s destacou a alavancagem elevada, fluxo de caixa negativo e custos financeiros altos.
Também pesaram os resultados abaixo do esperado no segmento de açúcar e etanol, principal fonte de receita.
Recapitalização é vista como alternativa à recuperação judicial
Diante do quadro, a recapitalização surge como a principal alternativa para evitar uma recuperação judicial.
Esse mecanismo jurídico é usado por empresas que não conseguem pagar suas dívidas e precisam renegociar com credores.
No entanto, recorrer a esse processo poderia impactar a reputação da Raízen, além de encarecer o crédito e afetar fornecedores.
Por isso, os acionistas tentam uma solução privada com novos aportes.
Mercado acompanha impacto no setor de energia e agro
A crise da Raízen preocupa investidores porque a empresa é uma das maiores produtoras de açúcar do mundo e um dos principais nomes na distribuição de combustíveis no Brasil.
Assim, um eventual colapso teria efeitos no agronegócio, no setor de energia e na cadeia de biocombustíveis.
Por outro lado, um acordo de capitalização bem-sucedido pode restaurar a confiança do mercado.
Enquanto as negociações avançam, o Shell aporte é visto como o fator decisivo para definir o futuro da companhia.
O desfecho deve indicar se a Raízen conseguirá reduzir a dívida alta e evitar medidas mais drásticas.
Veja mais em: Shell está pronta para maior apoio à Raízen, dizem fontes

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