Brasil fecha 2025 com alta da inadimplência, milhões de consumidores negativados e crédito mais caro no varejo.
O Brasil encerrou dezembro de 2025 com um novo recorde de inadimplência, afetando 73,49 milhões de consumidores negativados, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).
O avanço de 10,17% em relação a dezembro de 2024 revela um cenário crítico: mesmo com o reforço do 13º salário, o endividamento das famílias seguiu em alta, pressionando o varejo brasileiro, encarecendo o crédito e limitando o consumo no país.
Inadimplência cresce mesmo com renda extra no fim do ano
Tradicionalmente, dezembro costuma aliviar o orçamento doméstico.
-
Raízen recuperação: Shell Cosan podem reduzir controle após dívida de R$ 65 bilhões
-
Outback Montes Claros: rede confirma primeira unidade no Norte de Minas em 2026
-
Inpasa cria conselho consultivo e traz José Olympio para reforçar governança corporativa
-
Credicom bate recorde histórico com R$ 224 milhões em sobras e quase R$ 10 bilhões em ativos
No entanto, os números mostram o oposto.
Na comparação mensal, o total de devedores avançou 0,87% entre novembro e dezembro, sinalizando que a renda adicional não foi suficiente para conter a escalada da inadimplência.
“O fechamento do ano com um recorde de inadimplência é um sinal de alerta máximo para a economia brasileira.
Tradicionalmente, o mês de dezembro traz um alívio para o orçamento das famílias com a entrada do 13º salário e das rendas extras temporárias, mas o que vimos agora foi uma inversão dessa tendência”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Segundo ele, o endividamento das famílias atingiu um patamar tão elevado que nem mesmo recursos adicionais conseguiram frear o avanço dos consumidores negativados.
Consumidores negativados já representam 44% da população adulta
Os dados revelam a dimensão do problema. Em dezembro, 44,02% da população adulta brasileira estava com o nome negativado.
Além disso, o crescimento anual foi impulsionado principalmente por dívidas antigas.
Os débitos com atraso entre quatro e cinco anos registraram alta expressiva de 32,64%, indicando dificuldades prolongadas de renegociação.
Esse cenário reduz o acesso ao crédito e amplia o risco de exclusão financeira, afetando diretamente o consumo e o dinamismo da economia.
Endividamento das famílias afeta o varejo brasileiro
O impacto não se limita aos consumidores.
O varejo brasileiro sente os efeitos de forma direta.
“É um cenário de consequências preocupantes: para o consumidor, significa restrição ao consumo e perda de bem-estar; para o lojista, representa uma trava no giro de capital e maior insegurança para investir no novo ano que se inicia”, alerta José César da Costa.
Com menos crédito disponível e mais cautela nas compras, setores dependentes de bens duráveis e parcelamentos são os mais prejudicados.
Quem são os inadimplentes: idade, gênero e regiões
A inadimplência atinge diferentes perfis de forma relativamente equilibrada.
A faixa etária mais representativa é a de 30 a 39 anos, concentrando 23,38% dos devedores.
Em relação ao gênero, a distribuição é quase uniforme: 51,26% mulheres e 48,74% homens, mostrando que o problema é generalizado.
Regionalmente, o Sul liderou o crescimento anual da inadimplência, com alta de 10,86%, seguido por Norte (10,24%), Nordeste (9,13%), Sudeste (8,22%) e Centro-Oeste (8,07%).
Valor médio das dívidas pressiona orçamento familiar
Outro dado que reforça a gravidade do cenário é o valor das dívidas.
Então em dezembro de 2025, cada consumidor negativado devia, em média, R$ 4.832,98, considerando todos os débitos.
Além disso, cada inadimplente mantinha pendências com 2,24 empresas credoras, o que dificulta acordos e amplia o risco de permanência na inadimplência.
Crédito mais caro agrava o ciclo da inadimplência
Do ponto de vista do sistema financeiro, o impacto é imediato.
O aumento da inadimplência eleva o risco das operações.
“Sob a ótica do mercado de crédito, esse recorde gera um efeito em cadeia: o aumento do risco de crédito força as instituições financeiras a serem mais seletivas e a elevarem os spreads.
Então o resultado é um cenário de crédito mais caro e escasso”, destaca Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil.
Segundo ele, o crédito mais caro dificulta a renegociação, trava o consumo de maior valor e compromete a recuperação do varejo brasileiro.
Dívidas crescem mais rápido que o número de devedores
Além do aumento de inadimplentes, o volume de dívidas avançou ainda mais.
Em dezembro de 2025, o número de dívidas em atraso cresceu 17,14% na comparação anual.
Na passagem de novembro para dezembro, a alta foi de 1,31%, reforçando a tendência de agravamento do endividamento.
Setores mais afetados pela inadimplência
Então entre os setores credores, o maior crescimento ocorreu em Água e Luz, com avanço de 21,32%, refletindo dificuldades até no pagamento de despesas essenciais.
Na sequência aparecem Bancos (18,12%), Comunicação (9,73%) e Comércio (1,51%), mostrando que o problema se espalha por toda a economia.
Um desafio estrutural para 2026
Então o avanço da inadimplência, do endividamento das famílias e do crédito mais caro indica que o problema deixou de ser pontual.
Sem políticas que estimulem o uso consciente do crédito e facilitem a renegociação, o risco é transformar o superendividamento em um obstáculo estrutural ao crescimento do Brasil.
Nesse contexto, consumidores, empresas e governo entram em 2026 diante de um desafio comum: reequilibrar as finanças sem comprometer ainda mais o consumo e a atividade econômica.

-
Uma pessoa reagiu a isso.