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Recorde de inadimplência expõe crise no endividamento das famílias brasileiras

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 14/01/2026 às 22:27
Atualizado em 14/01/2026 às 22:28
Brasil fecha 2025 com alta da inadimplência, milhões de consumidores negativados e crédito mais caro no varejo.
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Brasil fecha 2025 com alta da inadimplência, milhões de consumidores negativados e crédito mais caro no varejo.

O Brasil encerrou dezembro de 2025 com um novo recorde de inadimplência, afetando 73,49 milhões de consumidores negativados, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

O avanço de 10,17% em relação a dezembro de 2024 revela um cenário crítico: mesmo com o reforço do 13º salário, o endividamento das famílias seguiu em alta, pressionando o varejo brasileiro, encarecendo o crédito e limitando o consumo no país. 

Inadimplência cresce mesmo com renda extra no fim do ano 

Tradicionalmente, dezembro costuma aliviar o orçamento doméstico.

No entanto, os números mostram o oposto. 

Na comparação mensal, o total de devedores avançou 0,87% entre novembro e dezembro, sinalizando que a renda adicional não foi suficiente para conter a escalada da inadimplência

“O fechamento do ano com um recorde de inadimplência é um sinal de alerta máximo para a economia brasileira.

Tradicionalmente, o mês de dezembro traz um alívio para o orçamento das famílias com a entrada do 13º salário e das rendas extras temporárias, mas o que vimos agora foi uma inversão dessa tendência”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa

Segundo ele, o endividamento das famílias atingiu um patamar tão elevado que nem mesmo recursos adicionais conseguiram frear o avanço dos consumidores negativados

Consumidores negativados já representam 44% da população adulta 

Os dados revelam a dimensão do problema. Em dezembro, 44,02% da população adulta brasileira estava com o nome negativado. 

Além disso, o crescimento anual foi impulsionado principalmente por dívidas antigas.

Os débitos com atraso entre quatro e cinco anos registraram alta expressiva de 32,64%, indicando dificuldades prolongadas de renegociação. 

Esse cenário reduz o acesso ao crédito e amplia o risco de exclusão financeira, afetando diretamente o consumo e o dinamismo da economia. 

Endividamento das famílias afeta o varejo brasileiro 

O impacto não se limita aos consumidores.

varejo brasileiro sente os efeitos de forma direta. 

“É um cenário de consequências preocupantes: para o consumidor, significa restrição ao consumo e perda de bem-estar; para o lojista, representa uma trava no giro de capital e maior insegurança para investir no novo ano que se inicia”, alerta José César da Costa. 

Com menos crédito disponível e mais cautela nas compras, setores dependentes de bens duráveis e parcelamentos são os mais prejudicados. 

Quem são os inadimplentes: idade, gênero e regiões 

A inadimplência atinge diferentes perfis de forma relativamente equilibrada.

A faixa etária mais representativa é a de 30 a 39 anos, concentrando 23,38% dos devedores. 

Em relação ao gênero, a distribuição é quase uniforme: 51,26% mulheres e 48,74% homens, mostrando que o problema é generalizado. 

Regionalmente, o Sul liderou o crescimento anual da inadimplência, com alta de 10,86%, seguido por Norte (10,24%)Nordeste (9,13%)Sudeste (8,22%) e Centro-Oeste (8,07%)

Valor médio das dívidas pressiona orçamento familiar 

Outro dado que reforça a gravidade do cenário é o valor das dívidas.

Então em dezembro de 2025, cada consumidor negativado devia, em média, R$ 4.832,98, considerando todos os débitos. 

Além disso, cada inadimplente mantinha pendências com 2,24 empresas credoras, o que dificulta acordos e amplia o risco de permanência na inadimplência. 

Crédito mais caro agrava o ciclo da inadimplência 

Do ponto de vista do sistema financeiro, o impacto é imediato.

O aumento da inadimplência eleva o risco das operações. 

“Sob a ótica do mercado de crédito, esse recorde gera um efeito em cadeia: o aumento do risco de crédito força as instituições financeiras a serem mais seletivas e a elevarem os spreads.

Então o resultado é um cenário de crédito mais caro e escasso”, destaca Roque Pellizzaro Júnior, presidente do SPC Brasil. 

Segundo ele, o crédito mais caro dificulta a renegociação, trava o consumo de maior valor e compromete a recuperação do varejo brasileiro

Dívidas crescem mais rápido que o número de devedores 

Além do aumento de inadimplentes, o volume de dívidas avançou ainda mais.

Em dezembro de 2025, o número de dívidas em atraso cresceu 17,14% na comparação anual. 

Na passagem de novembro para dezembro, a alta foi de 1,31%, reforçando a tendência de agravamento do endividamento. 

Setores mais afetados pela inadimplência 

Então entre os setores credores, o maior crescimento ocorreu em Água e Luz, com avanço de 21,32%, refletindo dificuldades até no pagamento de despesas essenciais. 

Na sequência aparecem Bancos (18,12%)Comunicação (9,73%) e Comércio (1,51%), mostrando que o problema se espalha por toda a economia. 

Um desafio estrutural para 2026 

Então o avanço da inadimplência, do endividamento das famílias e do crédito mais caro indica que o problema deixou de ser pontual.

Sem políticas que estimulem o uso consciente do crédito e facilitem a renegociação, o risco é transformar o superendividamento em um obstáculo estrutural ao crescimento do Brasil. 

Nesse contexto, consumidores, empresas e governo entram em 2026 diante de um desafio comum: reequilibrar as finanças sem comprometer ainda mais o consumo e a atividade econômica. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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