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Refit acusa ANP de descumprir liminar que suspende interdição da refinaria de Manguinhos no RJ e pede investigação por abuso de autoridade na Justiça Federal

Escrito por Hilton Libório
Publicado em 28/01/2026 às 10:33
Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, com tanque da Refit em destaque, em meio a instalações industriais e estruturas de refino de combustíveis.
Refit acusa ANP de descumprir liminar que suspende interdição da refinaria de Manguinhos no RJ e pede investigação por abuso de autoridade na Justiça Federal/ Foto: Refit
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A Refit questiona atos da ANP após decisão judicial, aponta possível descumprimento de liminar, contesta interdição no RJ e leva o embate regulatório à Justiça Federal.

ARefit (Refinaria de Petróleos de Manguinhos) protocolou nova manifestação na Justiça Federal acusando a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) de descumprir uma liminar que suspendeu deliberações administrativas relacionadas à interdição da unidade localizada no RJ. Segundo publicação do SBT News nesta segunda-feira (26), o caso envolve disputas regulatórias, questionamentos sobre imparcialidade administrativa e alegações de abuso de autoridade, com potencial impacto direto no setor de combustíveis e no ambiente regulatório brasileiro.

Refit acusa ANP de descumprir liminar e manter interdição no RJ

A Refit afirma que a ANP esvaziou os efeitos práticos da liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Segundo a empresa, mesmo após a decisão judicial, a agência manteve fiscalizações, atos instrutórios e movimentações administrativas relacionadas à interdição parcial da refinaria de Manguinhos, no RJ.

Para a Refit, essas ações afrontam diretamente a autoridade da Justiça Federal. A empresa pede o bloqueio de novos atos administrativos e a apuração de eventual abuso de autoridade por parte de dirigentes da ANP, sob o argumento de que a continuidade das ações inviabiliza os efeitos concretos da decisão judicial.

O que determina a liminar da Justiça Federal contra a ANP

A liminar foi concedida em dezembro pelo desembargador Newton Pereira Ramos Neto, do TRF-1. A decisão impediu a diretoria da ANP de deliberar sobre o caso, até que o relator do processo realize uma análise mais aprofundada dos argumentos apresentados.

No entanto, conforme apuração do SBT News, a decisão judicial não suspendeu o processo administrativo como um todo. Atividades como fiscalização, produção de relatórios técnicos, juntada de documentos e instrução processual continuariam permitidas, desde que não envolvessem deliberação final da diretoria.

Esse ponto é central na controvérsia jurídica. Enquanto a Refit entende que qualquer ato posterior compromete a eficácia da liminar, a ANP sustenta que cumpriu rigorosamente os limites impostos pela Justiça Federal.

Refit, ANP e o debate sobre suspeição de diretor

Um dos principais argumentos apresentados pela Refit envolve a atuação do diretor Pietro Mendes, sorteado relator de recurso da empresa dentro da ANP. A refinaria sustenta que haveria suspeição, pois Mendes já presidiu o conselho de administração da Petrobras, empresa concorrente no setor de refino.

Agentes do setor de combustíveis avaliam que a tese não encontra respaldo jurídico automático. A legislação brasileira não considera, por si só, a atuação prévia em empresa do setor como impedimento para atuação em agência reguladora.

Além disso, as decisões da ANP são colegiadas. No caso da interdição da torre de destilação da refinaria de Manguinhos, o entendimento teria sido unânime entre os cinco diretores, o que reduziria qualquer impacto prático de eventual impedimento individual.

Vídeo do YouTube

Pedido de afastamento e atuação institucional da ANP

A Refit também pediu o afastamento da diretora Symone Araújo, alegando que ela participou da operação de fiscalização que resultou na interdição parcial da unidade no RJ.

Segundo fontes do setor regulatório, a participação institucional em ações de fiscalização não gera impedimento para julgamento posterior de recursos administrativos. Esse entendimento é amplamente adotado no direito administrativo e na prática das agências reguladoras.

A ANP sustenta que a atuação seguiu padrões técnicos e legais, sem qualquer conflito de interesses ou violação ao devido processo legal.

Normas internas, liminar e alegação de retroatividade

Outro ponto sensível levantado pela Refit é a suposta tentativa da ANP de validar atos considerados nulos por meio de mudanças ou reinterpretações de normas internas, que teriam sido aplicadas de forma retroativa.

Interlocutores da agência rebatem a acusação e afirmam que não houve alteração normativa. Segundo a ANP, a atuação se limitou à aplicação de regras já existentes, fundamentadas em achados técnicos obtidos durante a fiscalização.

Esse embate técnico-regulatório é decisivo para o julgamento na Justiça Federal, pois influencia diretamente a interpretação sobre o alcance real da liminar concedida.

Interdição da torre de destilação e questionamentos técnicos

Entre os principais achados técnicos, a ANP apontou que a Refit não operava efetivamente como refinaria, mas como formuladora de combustíveis, apesar de deter autorização e benefícios regulatórios típicos do refino.

De acordo com os autos administrativos, a torre de destilação não apresentaria condições técnicas adequadas de funcionamento, o que motivou a manutenção da interdição parcial. Das 11 atividades inicialmente suspensas, dez foram posteriormente liberadas, permanecendo restrita apenas a operação da torre.

Esse ponto técnico sustenta a posição da ANP e fundamenta a continuidade de atos de fiscalização, mesmo diante da liminar em vigor.

Abuso de autoridade e interpretação jurídica

A Refit também solicitou que a Justiça Federal apure eventual abuso de autoridade por parte de dirigentes da ANP. Segundo avaliação de interlocutores da agência, essa acusação é tratada como retórica jurídica.

Na análise técnica, divergências sobre interpretação regulatória ou alcance de decisão judicial não configuram, por si só, ilícito penal. Para caracterizar abuso de autoridade, seria necessária a comprovação de dolo específico ou desvio claro de finalidade.

Histórico de investigações envolvendo a Refit no RJ

A refinaria de Manguinhos foi alvo da operação Cadeia de Carbono, que investigou irregularidades na importação e comercialização de combustíveis. Em setembro, a ANP interditou a unidade após identificar falhas em 11 atividades operacionais.

Posteriormente, dez dessas atividades foram liberadas, mantendo-se apenas a interdição da torre de destilação. Em novembro, empresas ligadas ao grupo controlador da Refit voltaram a ser alvo de apurações na operação Poço de Lobato, com mandados de busca e apreensão cumpridos em cinco Estados e no Distrito Federal.

Esses antecedentes ampliam a complexidade do caso e ajudam a explicar a postura rigorosa adotada pela ANP.

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Impactos regulatórios e atenção do mercado

O conflito entre Refit e ANP é acompanhado de perto por agentes do mercado de combustíveis. O caso estabelece um precedente relevante sobre os limites da atuação regulatória diante de decisões da Justiça Federal, especialmente quando há liminar em vigor.

Além disso, a discussão ocorre em um momento de transformação do setor de refino no Brasil, com maior participação privada e necessidade de segurança jurídica para investimentos.

Desdobramentos e relevância para o setor energético

O embate entre Refit, ANP e Justiça Federal evidencia a tensão entre regulação técnica e controle judicial. A acusação de descumprimento de liminar, os questionamentos sobre imparcialidade e a manutenção da interdição parcial da refinaria de Manguinhos, no RJ, mostram a complexidade do caso.

Enquanto a Refit busca ampliar os efeitos da decisão judicial, a ANP sustenta que atuou dentro dos limites legais. O desfecho dependerá da interpretação da Justiça Federal sobre o alcance da liminar e da legalidade dos atos administrativos praticados, com reflexos diretos para o setor energético, o ambiente regulatório e a confiança de investidores.

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Júlio César
Júlio César
28/01/2026 19:32

Somos todos Refit!!!! 💛💛💛

Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas. Contato e sugestões de pauta: hiltonliborio44@gmail.com

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