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Reforma trabalhista de Javier Milei amplia Jornada de 12h e provoca Greve geral na Argentina

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 21/02/2026 às 10:09
Atualizado em 21/02/2026 às 10:11
A reforma trabalhista de Javier Milei propõe Jornada de 12h, altera direitos trabalhistas e gera greve geral e protestos na Argentina.
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A reforma trabalhista de Javier Milei propõe Jornada de 12h, altera direitos trabalhistas e gera greve geral e protestos na Argentina.

A Argentina vive um dos debates mais intensos dos últimos anos: a Reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei foi aprovada preliminarmente na Câmara dos Deputados na quinta-feira (19/2), em Buenos Aires, após já ter passado pelo Senado dias antes.

O projeto prevê, entre outros pontos, a ampliação da Jornada de 12h, novas regras para indenizações e alterações nos direitos sindicais.

A votação ocorreu em meio a uma Greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), com protestos em frente ao Congresso.

O governo afirma que a proposta moderniza o mercado; críticos dizem que ameaça direitos históricos. 

Logo após a aprovação, um artigo polêmico sobre licença médica foi retirado pelo próprio governo, o que obriga o texto a retornar ao Senado antes de virar lei.

Ainda assim, a base da Reforma trabalhista permanece intacta e segue dividindo o país. 

Reforma trabalhista: o que muda com a Jornada de 12h 

Um dos pontos mais debatidos da Reforma trabalhista é a possibilidade de ampliar a jornada diária de 8 para até 12 horas.

A regra prevê que não haverá pagamento de horas extras, desde que sejam respeitadas 12 horas de descanso e o limite semanal de 48 horas. 

Na prática, será criado um banco de horas.

Assim, o empregador poderá compensar o tempo excedente com folgas, e não necessariamente com pagamento adicional. 

Segundo o professor de Direito do Trabalho Miguel Ángel Maza, “Nossa legislação trabalhista foi consolidada na década de 1970 e reflete um mundo diferente, um modelo trabalhista baseado em funcionários de escritório e operários de fábrica”. 

Ele também pondera: “Não é o ideal, mas a realidade é que muitas pessoas trabalham mais de 8 horas, muitíssima gente, e nem sempre recebem horas extras”. 

Salário em moeda estrangeira e mudanças nos direitos trabalhistas 

Outro ponto central da Reforma trabalhista de Javier Milei é a possibilidade de pagamento de salários em moeda estrangeira.

Em um país onde o dólar exerce forte influência, essa medida pode alterar profundamente as relações de trabalho. 

Além disso, o projeto permite que parte da remuneração seja paga em benefícios como moradia ou alimentação.

Também introduz o conceito de “negociação salarial dinâmica”, que amplia a liberdade do empregador para renegociar condições após a assinatura do contrato. 

Já no cálculo das indenizações por demissão, férias e bônus poderão ser excluídos da base de cálculo.

O governo argumenta que há uma “indústria de litígios trabalhistas” no país, incentivada por decisões judiciais que multiplicariam indenizações. 

Reforma trabalhista e Greve geral: reação nas ruas 

A votação da Reforma trabalhista ocorreu sob forte tensão social.

A CGT convocou uma Greve geral, enquanto manifestantes ocuparam a Praça dos Congressos. 

Então em nota, a central sindical declarou: “Atacam os direitos dos trabalhadores, atacam a indústria nacional e o futuro do país. Direitos não são negociáveis”. 

Além das mobilizações sindicais, governadores de províncias também criticaram o texto.

Assim, Axel Kicillof afirmou: “Estamos convencidos da necessidade de empreender reformas e transformações nos marcos regulatórios que governam o mundo do trabalho”.

No entanto, completou: “nenhuma reforma pode ter como objetivo desmantelar direitos arduamente conquistados ou reduzir proteções”. 

O argumento do governo de Javier Milei 

O governo sustenta que a Reforma trabalhista é essencial para combater a informalidade.

Atualmente, quase metade dos trabalhadores argentinos está fora do sistema formal, sem acesso pleno a direitos trabalhistas. 

Entre jovens com menos de 29 anos, a informalidade atinge quase 60%.

Para o Executivo, a rigidez da legislação atual encarece contratações e desestimula empregos registrados. 

Assim, após a aprovação no Senado, a Presidência declarou: “Esta lei representa um ponto de virada na história trabalhista argentina”.

O comunicado ainda afirma que a proposta busca restaurar “a previsibilidade, o dinamismo e a liberdade do mercado de trabalho”. 

O setor empresarial também se posicionou. Gabriel Buenos, diretor da Rappi, declarou: “Apoiamos esse tipo de discussão. Precisamos de regras claras que permitam o desenvolvimento da economia de plataformas”. 

Críticas: risco aos direitos trabalhistas 

Especialistas, porém, alertam para riscos.

Para Maza, “A reforma tem uma falha fundamental muito grave e perigosa.

Ela mascara a crença ideológica de que as relações de trabalho são relações comuns, de que o direito do trabalho não é necessário”. 

Então ele reforça: “O direito do trabalho não é uma invenção peronista; ele surge do reconhecimento de que o trabalhador, individualmente, não pode negociar em igualdade de condições com o empregador”. 

Já Germán Martínez, da União pela Pátria, afirmou que “a lei é horrível e absolutamente inconstitucional”.

Segundo ele, trata-se de um processo regressivo sem precedentes em termos de direitos trabalhistas. 

O que pode acontecer agora 

Como o artigo sobre licença médica foi retirado, o texto retorna ao Senado.

Portanto, a Reforma trabalhista ainda não está definitivamente aprovada. 

Enquanto isso, o país segue polarizado. De um lado, o governo de Javier Milei aposta que a flexibilização — incluindo a Jornada de 12h — pode ampliar o emprego formal.

De outro, sindicatos e oposição temem um enfraquecimento histórico dos direitos trabalhistas. 

O desfecho deve definir não apenas as regras do mercado de trabalho argentino, mas também o rumo político e social do país nos próximos anos. 

Veja mais em: Reforma trabalhista de Milei: proposta de jornada diária de até 12h e salário em moeda estrangeira gera greves e protestos na Argentina – BBC News Brasil

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Fernando
Fernando
21/02/2026 14:36

Acreditar que ampliar a jornada para 12 horas vai gerar emprego formal é ignorar uma matemática simples: se um estabelecimento funciona 24 horas com três turnos de 8 horas de trabalho, agora basta o empregador demitir um terço dos funcionários, que poderá, legalmente, com dois turnos de 12 horas manter a empresa funcionando.

Erica
Erica
21/02/2026 10:56

Na Argentina nada está tão ruim que não possa ficar pior

Lito
Lito
21/02/2026 10:25

Que **** que virou a Argentina

Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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