Predadores surgidos dezenas de milhões de anos antes das primeiras florestas da Terra atravessaram cinco extinções globais, mantiveram sua estrutura biológica quase intacta ao longo das eras geológicas e hoje correm risco real diante da pesca predatória e da ação humana
Imagine um predador tão antigo que já dominava os oceanos 50 milhões de anos antes das primeiras árvores surgirem sobre a Terra. Essa é a história dos tubarões, considerados por cientistas como alguns dos organismos mais antigos ainda existentes no planeta. Enquanto as primeiras florestas terrestres começaram a se formar há cerca de 350 milhões de anos, esses predadores marinhos já percorriam os mares há aproximadamente 400 milhões de anos.
Ao longo dessa trajetória extraordinária, os tubarões atravessaram cinco extinções em massa que remodelaram completamente a vida na Terra. Esses eventos eliminaram espécies icônicas, como os dinossauros, e dizimaram até 90% da vida marinha em determinados períodos. Ainda assim, os tubarões resistiram, adaptaram-se e permaneceram no topo da cadeia alimentar oceânica.
A informação foi divulgada originalmente por ScienceAlert, conforme reportagem assinada por Maria Eduarda Lameza, que reuniu dados científicos, registros fósseis e análises genéticas modernas para explicar como esses animais conseguiram sobreviver a catástrofes globais que extinguiram praticamente toda a vida ao seu redor.
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Um design biológico quase perfeito explica a sobrevivência

A principal explicação para essa resistência impressionante está em um design biológico altamente eficiente. Especialistas apontam que os tubarões possuem um esqueleto formado inteiramente por cartilagem leve, o que reduz gasto energético e aumenta a mobilidade. Além disso, seus dentes se renovam continuamente ao longo da vida, garantindo eficiência constante na alimentação.
Outro fator decisivo é o desenvolvimento avançado de seus sistemas sensoriais. Os tubarões são capazes de detectar vibrações mínimas na água, odores em concentrações extremamente baixas e até campos elétricos gerados por outros animais, o que lhes permite localizar presas mesmo em ambientes de baixa visibilidade.
Registros fósseis de dentes e escamas indicam que a estrutura básica desses peixes cartilaginosos permaneceu praticamente inalterada por centenas de milhões de anos. Essa estabilidade evolutiva sugere que o modelo corporal dos tubarões atingiu um nível de eficiência raro na história da vida na Terra.
Evidências fósseis e genéticas confirmam a linhagem ancestral
Além dos fósseis, análises genéticas modernas reforçam essa narrativa de continuidade evolutiva. Estudos mostram que a linhagem atual dos tubarões mantém traços moleculares idênticos aos de parentes que nadavam nos oceanos primitivos durante o período Devoniano, fase da Era Paleozoica conhecida como a “Era dos Peixes”.
Esse período foi marcado por uma explosão de diversidade marinha, quando muitas das principais linhagens de vertebrados aquáticos surgiram. Enquanto várias delas desapareceram em extinções subsequentes, os tubarões conservaram suas características essenciais, ajustando apenas detalhes fisiológicos ao longo do tempo.
Assim, ao contrário de muitos animais que precisaram passar por transformações radicais para sobreviver, os tubarões atravessaram eras geológicas inteiras mantendo uma base estrutural extremamente estável, o que reforça a ideia de um modelo evolutivo altamente bem-sucedido.
A nova ameaça não vem da natureza, mas do ser humano

Apesar de terem sobrevivido a eventos naturais catastróficos, os tubarões agora enfrentam um desafio inédito: a ação humana. Especialistas estimam que cerca de 100 milhões de tubarões são mortos todos os anos em decorrência da pesca predatória, colocando diversas espécies em risco real de extinção.
O principal motor dessa caça é o comércio de barbatanas, consideradas iguarias em alguns países asiáticos. Além disso, a pesca voltada para a carne e a pele desses animais contribui significativamente para a redução populacional. Soma-se a isso o alto índice de capturas acidentais, quando tubarões ficam presos em redes e equipamentos destinados a outras espécies.
O problema se agrava porque os tubarões possuem ciclos reprodutivos lentos, com poucas crias e longos períodos de gestação. Isso significa que as populações não conseguem se recuperar no mesmo ritmo em que são exploradas, criando um desequilíbrio perigoso para os ecossistemas marinhos.
Após atravessar centenas de milhões de anos e eventos globais extremos, o que muda quando a principal ameaça aos tubarões deixa de ser natural e passa a ser causada pelo ser humano?
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