Novo sistema híbrido desenvolvido por joint venture da Renault aposta em alta eficiência térmica e uso de gasolina renovável para reduzir consumo e emissões, enquanto reforça estratégia industrial que mantém motores a combustão no debate sobre descarbonização e transição energética no mercado europeu.
A Horse Powertrain, joint venture formada por Renault, Geely e Aramco, apresentou um novo conjunto de propulsão híbrido desenvolvido com a Repsol, com consumo abaixo de 3,3 L/100 km no ciclo WLTP e 44,2% de eficiência térmica máxima, segundo dados divulgados pelas empresas.
Divulgado como conceito, o projeto busca elevar a eficiência de um motor a gasolina sem exigir uma mudança radical de arquitetura, combinando melhorias no motor a combustão com ajustes no gerenciamento do sistema híbrido, mirando redução de perdas internas e de consumo.
Eficiência térmica de 44,2% e taxa de compressão 17:1 no motor H12
O chamado HORSE H12 Concept foi descrito com taxa de compressão de 17:1, além de um sistema de recirculação de gases de escape atualizado e um turbocompressor otimizado, elementos que, em conjunto, procuram aumentar o aproveitamento energético do combustível.
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Ao colocar no centro a eficiência térmica, a Horse tenta avançar num ponto em que motores a gasolina tradicionalmente perdem para soluções híbridas mais maduras, explorando calibração, combustão mais eficiente e redução de atrito para extrair mais trabalho útil por unidade de energia.

Mesmo com números altos para um motor a gasolina, a apresentação não foi tratada como recorde absoluto, já que fabricantes chinesas vêm divulgando patamares ainda maiores em motores específicos para híbridos, como o caso anunciado pela Dongfeng com 48,09% de eficiência térmica.
A Horse afirmou que a queda de consumo em torno de 40% é uma comparação com a média de consumo de carros de passageiros novos registrados na Europa em 2023, recorte que inclui modelos sem hibridização e, por isso, tende a elevar a referência.
Gasolina 100% renovável e promessa de até 1,77 tonelada a menos de CO₂
Na configuração apresentada, o motor foi projetado para operar com gasolina 100% renovável desenvolvida pela Repsol, e a estimativa divulgada indica que um carro médio rodando 12.500 km por ano poderia deixar de lançar até 1,77 tonelada de CO₂ em comparação com um equivalente abastecido com gasolina fóssil.
Esse tipo de cálculo, porém, muda conforme a metodologia, porque há diferença entre emissões medidas no escapamento e a pegada de carbono completa, que considera o ciclo do combustível, desde a produção até o uso final, o que exige transparência sobre critérios.

Como se trata de um motor de combustão interna, há emissão de CO₂ durante a operação, e a redução proposta se apoia principalmente na origem renovável do combustível e na hipótese de um ciclo de carbono fechado, condicionada a escala e disponibilidade industrial.
Sem entrar em promessas além do que foi divulgado, o ponto central da estratégia é defender que combustíveis de menor intensidade de carbono, combinados a sistemas híbridos eficientes, podem cortar emissões mais rapidamente em parte da frota do que a troca imediata por uma única solução.
Estratégia híbrida e adaptação de plataformas elétricas
A apresentação do H12 se conecta a uma linha de desenvolvimento mostrada anteriormente pela empresa, quando foi divulgado o conceito “Future Hybrid”, uma proposta modular que combina motor a combustão, motor elétrico e transmissão em um único conjunto pensado para caber em plataformas de veículos elétricos.
A ideia descrita naquele momento era reduzir o tempo de adaptação industrial para marcas que queiram lançar híbridos a partir de bases originalmente elétricas, com intervenções menores no compartimento dianteiro e na estrutura, seguindo a lógica de um módulo compacto.
Com o H12, o discurso se desloca para um trem de força híbrido completo que usa a eficiência do motor como vitrine, reforçando que a modernização do ciclo Otto ainda pode avançar com engenharia de combustão e integração híbrida, sem depender apenas de rupturas tecnológicas.
A Horse também usa o argumento de parque circulante para sustentar a aposta, citando que a maior parte dos veículos em circulação na Europa segue equipada com motor a combustão, o que, na visão da empresa, abre espaço para soluções de transição.
Desenvolvimento na Espanha e debate sobre transição energética

Segundo a comunicação do projeto, o desenvolvimento envolveu equipes na Espanha, com participação de estruturas da Horse Technologies em Valladolid e da Repsol em Madri, numa tentativa de vincular a tecnologia a uma estratégia industrial europeia em meio ao debate sobre competitividade.
Nesse contexto, Luis Cabra, diretor-geral adjunto da Repsol responsável por transição energética, defendeu regras “claras e ambiciosas” que incentivem investimento em combustíveis renováveis e motores eficientes, associando o caminho a cortes mais rápidos no transporte.
Já Patrice Haettel, diretor-geral da Horse Technologies, afirmou que a companhia defende uma “abordagem tecnologicamente neutra”, com inovação em elétricos, híbridos, extensores de autonomia e combustíveis de baixo carbono, mirando espaço regulatório para múltiplas rotas.
A disputa de narrativa acontece enquanto montadoras recalibram o ritmo da eletrificação, e a joint venture tenta se posicionar como fornecedora global de sistemas de combustão e híbridos, ampliando parcerias e defendendo que a eficiência pode ser uma ponte relevante.
Na prática, o que foi mostrado até aqui permanece no campo de conceito e demonstração técnica, com métricas divulgadas para testes padronizados, e o impacto real depende de escala, custo e oferta de combustível renovável em volume compatível com o mercado europeu.

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