Motoristas da Uber apostam na venda de perfumes e no marketing sensorial para gerar renda extra e fortalecer o empreendedorismo sobre rodas.
Motoristas de aplicativos como a UBER estão transformando o interior do carro em uma nova fonte de renda extra.
O que antes era apenas transporte agora virou ponto estratégico de venda de perfumes, impulsionado pelo marketing sensorial, pela busca por conveniência e pelo crescimento do empreendedorismo sobre rodas.
O modelo vem ganhando força nos últimos meses, principalmente em grandes centros urbanos, onde a rotina acelerada favorece decisões de compra rápidas e emocionais.
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Assim, a estratégia funciona de forma simples: pequenos displays com fragrâncias ficam visíveis atrás do banco do passageiro.
Enquanto isso, o motorista mantém a corrida como prioridade e oferece o produto de maneira discreta, sem pressão.
O resultado, segundo relatos, é um complemento financeiro que pode chegar a representar até 80% da renda mensal de alguns profissionais.
Empreendedorismo sobre rodas ganha escala no Brasil
O avanço da venda de perfumes dentro de carros de aplicativo não é isolado.
Empresas especializadas passaram a fornecer kits completos para motoristas, com fragrâncias, material de apoio e displays próprios para veículos.
Um dos exemplos é a Like Brasil, que distribui perfumes licenciados e hoje atende cerca de 200 motoristas ativos.
A empresária Natalia Oliveira Braz, responsável por um dos centros de distribuição, explica que os kits custam entre R$ 500 e R$ 3 mil, dependendo da quantidade de unidades.
O modelo inclui treinamento informal e troca de experiências entre os motoristas, principalmente por grupos de WhatsApp.
“Mantemos um grupo com quase 400 motoristas, onde eles trocam dicas e estratégias”, afirma. O faturamento mensal do negócio gira em torno de R$ 5 mil.
Marketing sensorial explica o sucesso da venda de perfumes
Para a especialista em vendas e persuasão Grazi Guaspari, o sucesso da venda de perfumes dentro da UBER tem base científica.
“O olfato é o sentido mais ligado à memória e à emoção”, explica. Segundo ela, um aroma agradável reduz o estresse da corrida e cria uma experiência positiva para o passageiro.
Além disso, o ambiente fechado do carro tem poucos estímulos concorrendo pela atenção.
“É quase uma vitrine passiva”, define Grazi.
Quando o passageiro percebe que pode levar aquele cheiro para casa, o ciclo de compra se fecha de forma natural, sem esforço comercial agressivo.
Renda extra que muda a estratégia de trabalho
Motorista de aplicativo há quatro anos, Ibrahin Bezerra Júnior começou a vender perfumes há seis meses, com investimento inicial de R$ 300.
Para aumentar as chances de venda, ele passou a priorizar corridas curtas, elevando de 12 para cerca de 30 viagens por dia.
“As vendas vêm crescendo mês a mês. Em novembro vendi 60 perfumes”, relata. Cada unidade custa R$ 50 e hoje cerca de 30% da renda mensal dele vem dessa atividade.
“Percebi que, se não falar nada, a pessoa não se interessa”, afirma, destacando a importância de uma apresentação simples no início da corrida.
Do bolo de pote à venda de perfumes no carro
O empreendedorismo sobre rodas também envolve tentativas e erros. Mauro Senhorini, motorista há nove anos, já vendeu bolo de pote antes de migrar para as fragrâncias.
“Vendia até 20 por dia, mas dava muito trabalho e pouco lucro”, conta.
Com um investimento inicial de R$ 400 em perfumes, a realidade mudou. Hoje, entre 40% e 50% da renda mensal vem da venda de perfumes.
Mauro desenvolveu uma abordagem própria, sempre observando o interesse do passageiro antes de iniciar a conversa. “Se a pessoa não nota a lojinha, começo com perguntas leves e deixo fluir”, explica.
Quando a renda extra supera o ganho da Uber
Em alguns casos, a renda extra ultrapassa o faturamento obtido com o aplicativo. É o que acontece com Bruce Elias, motorista da UBER e da 99 há cinco anos.
Vendendo perfumes há 11 meses, ele investiu R$ 600 no início e hoje mantém até 80 unidades no carro.
Bruce vende entre 90 e 110 perfumes por mês, trabalhando cerca de 20 dias. Neste mês, as fragrâncias devem representar 80% do faturamento total.
“Nos últimos 15 dias, meu lucro com perfumes foi maior do que o do app”, afirma. Ele também investe no pós-venda pelas redes sociais, fortalecendo ainda mais o negócio.
Limites, cuidados e futuro do modelo
Apesar do potencial, Grazi Guaspari alerta para os limites.
Assim, a venda deve ser discreta, opcional e nunca invasiva. “O cérebro interpreta a invasão do espaço emocional como ameaça”, diz. Por isso, a corrida precisa continuar sendo o foco principal.
Ainda assim, o modelo mostra força.
Produtos de baixo valor, alto giro e apelo emocional tendem a funcionar bem nesse contexto. “Tudo que resolve um problema imediato ou melhora o bem-estar tem potencial”, resume a especialista.
Assim, a combinação entre renda extra, venda de perfumes, marketing sensorial e empreendedorismo sobre rodas vem redesenhando a realidade de muitos motoristas da UBER, que agora enxergam cada corrida como mais do que um simples trajeto.

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