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Renda extra cresce com venda de perfumes em carros da Uber

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 08/01/2026 às 19:47
Motoristas da Uber apostam na venda de perfumes e no marketing sensorial para gerar renda extra e fortalecer o empreendedorismo sobre rodas.
Foto: IA
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Motoristas da Uber apostam na venda de perfumes e no marketing sensorial para gerar renda extra e fortalecer o empreendedorismo sobre rodas.

Motoristas de aplicativos como a UBER estão transformando o interior do carro em uma nova fonte de renda extra.

O que antes era apenas transporte agora virou ponto estratégico de venda de perfumes, impulsionado pelo marketing sensorial, pela busca por conveniência e pelo crescimento do empreendedorismo sobre rodas.

O modelo vem ganhando força nos últimos meses, principalmente em grandes centros urbanos, onde a rotina acelerada favorece decisões de compra rápidas e emocionais. 

Assim, a estratégia funciona de forma simples: pequenos displays com fragrâncias ficam visíveis atrás do banco do passageiro.

Enquanto isso, o motorista mantém a corrida como prioridade e oferece o produto de maneira discreta, sem pressão.

O resultado, segundo relatos, é um complemento financeiro que pode chegar a representar até 80% da renda mensal de alguns profissionais. 

Empreendedorismo sobre rodas ganha escala no Brasil 

O avanço da venda de perfumes dentro de carros de aplicativo não é isolado.

Empresas especializadas passaram a fornecer kits completos para motoristas, com fragrâncias, material de apoio e displays próprios para veículos.

Um dos exemplos é a Like Brasil, que distribui perfumes licenciados e hoje atende cerca de 200 motoristas ativos. 

A empresária Natalia Oliveira Braz, responsável por um dos centros de distribuição, explica que os kits custam entre R$ 500 e R$ 3 mil, dependendo da quantidade de unidades.

O modelo inclui treinamento informal e troca de experiências entre os motoristas, principalmente por grupos de WhatsApp.

“Mantemos um grupo com quase 400 motoristas, onde eles trocam dicas e estratégias”, afirma. O faturamento mensal do negócio gira em torno de R$ 5 mil. 

Marketing sensorial explica o sucesso da venda de perfumes 

Para a especialista em vendas e persuasão Grazi Guaspari, o sucesso da venda de perfumes dentro da UBER tem base científica.

“O olfato é o sentido mais ligado à memória e à emoção”, explica. Segundo ela, um aroma agradável reduz o estresse da corrida e cria uma experiência positiva para o passageiro. 

Além disso, o ambiente fechado do carro tem poucos estímulos concorrendo pela atenção.

“É quase uma vitrine passiva”, define Grazi.

Quando o passageiro percebe que pode levar aquele cheiro para casa, o ciclo de compra se fecha de forma natural, sem esforço comercial agressivo. 

Renda extra que muda a estratégia de trabalho 

Motorista de aplicativo há quatro anos, Ibrahin Bezerra Júnior começou a vender perfumes há seis meses, com investimento inicial de R$ 300.

Para aumentar as chances de venda, ele passou a priorizar corridas curtas, elevando de 12 para cerca de 30 viagens por dia. 

“As vendas vêm crescendo mês a mês. Em novembro vendi 60 perfumes”, relata. Cada unidade custa R$ 50 e hoje cerca de 30% da renda mensal dele vem dessa atividade.

“Percebi que, se não falar nada, a pessoa não se interessa”, afirma, destacando a importância de uma apresentação simples no início da corrida. 

Do bolo de pote à venda de perfumes no carro 

empreendedorismo sobre rodas também envolve tentativas e erros. Mauro Senhorini, motorista há nove anos, já vendeu bolo de pote antes de migrar para as fragrâncias.

“Vendia até 20 por dia, mas dava muito trabalho e pouco lucro”, conta. 

Com um investimento inicial de R$ 400 em perfumes, a realidade mudou. Hoje, entre 40% e 50% da renda mensal vem da venda de perfumes.

Mauro desenvolveu uma abordagem própria, sempre observando o interesse do passageiro antes de iniciar a conversa. “Se a pessoa não nota a lojinha, começo com perguntas leves e deixo fluir”, explica. 

Quando a renda extra supera o ganho da Uber 

Em alguns casos, a renda extra ultrapassa o faturamento obtido com o aplicativo. É o que acontece com Bruce Elias, motorista da UBER e da 99 há cinco anos.

Vendendo perfumes há 11 meses, ele investiu R$ 600 no início e hoje mantém até 80 unidades no carro. 

Bruce vende entre 90 e 110 perfumes por mês, trabalhando cerca de 20 dias. Neste mês, as fragrâncias devem representar 80% do faturamento total.

“Nos últimos 15 dias, meu lucro com perfumes foi maior do que o do app”, afirma. Ele também investe no pós-venda pelas redes sociais, fortalecendo ainda mais o negócio. 

Limites, cuidados e futuro do modelo 

Apesar do potencial, Grazi Guaspari alerta para os limites.

Assim, a venda deve ser discreta, opcional e nunca invasiva. “O cérebro interpreta a invasão do espaço emocional como ameaça”, diz. Por isso, a corrida precisa continuar sendo o foco principal. 

Ainda assim, o modelo mostra força.

Produtos de baixo valor, alto giro e apelo emocional tendem a funcionar bem nesse contexto. “Tudo que resolve um problema imediato ou melhora o bem-estar tem potencial”, resume a especialista. 

Assim, a combinação entre renda extravenda de perfumesmarketing sensorial e empreendedorismo sobre rodas vem redesenhando a realidade de muitos motoristas da UBER, que agora enxergam cada corrida como mais do que um simples trajeto. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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