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Reservatório de água doce formado há cerca de 20.000 anos pode abastecer uma megacidade por 800 anos e se estende por centenas de quilômetros sob o fundo do mar

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 22/01/2026 às 13:54
Atualizado em 22/01/2026 às 17:59
Reservatório submarino de água doce na costa leste pode ter 20.000 anos e volume estimado para suprir Nova York por 800 anos.
Reservatório submarino de água doce na costa leste pode ter 20.000 anos e volume estimado para suprir Nova York por 800 anos.
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Identificado sob o fundo do mar da costa leste dos Estados Unidos, o reservatório de água doce, possivelmente formado há cerca de 20.000 anos durante a última era glacial, apresenta volume estimado capaz de abastecer uma cidade do porte de Nova York por até 800 anos

Um gigantesco reservatório de água doce oculto sob o fundo do mar da costa leste dos Estados Unidos pode ter cerca de 20.000 anos e volume suficiente para abastecer uma cidade do tamanho de Nova York por até 800 anos, segundo análises preliminares de uma recente expedição científica.

Pesquisadores indicam que o reservatório de água doce se formou durante a última era glacial, quando extensas geleiras cobriam a região, permanecendo congelado sob condições extremas e posteriormente aprisionado sob camadas de sedimentos marinhos ao longo de milhares de anos.

Descoberta de um sistema submarino de grandes proporções ao longo da costa leste

O reservatório de água doce está localizado sob o fundo do mar e aparenta se estender desde a costa de Nova Jersey até o norte do Maine.

As análises iniciais sugerem que a água doce permaneceu preservada desde o último período glacial, ocorrido há cerca de 20.000 anos.

A investigação ganhou novo impulso no verão passado, quando pesquisadores realizaram uma expedição para aprofundar relatos antigos sobre a presença de água doce sob o oceano na costa leste. Esses registros remontam ao final da década de 1960 e início da década de 1970.

Foi um projeto e tanto e a realização de um sonho de vida”, afirmou Brandon Dugan, co-chefe científico da expedição e professor de geofísica na Colorado School of Mines, em entrevista ao Live Science.

A Expedição 501 e a coleta direta de água sob o fundo do mar

A missão científica, denominada Expedição 501, teve duração de três meses e extraiu aproximadamente 50.000 litros de água do subsolo marinho em três pontos distintos próximos às ilhas de Nantucket e Martha’s Vineyard.

Os pesquisadores perfuraram até 400 metros abaixo do fundo do mar, alcançando uma espessa camada de sedimentos saturados de água doce. Essa camada está situada abaixo de sedimentos salinos e de um selo impermeável composto por argila e silte.

Segundo Dugan, os dados coletados até agora indicam que o reservatório de água doce pode se estender mais profundamente no subsolo do que apontavam os primeiros relatos históricos, o que sugere que seu volume total pode ser ainda maior do que se estimava inicialmente.

Indícios de origem glacial a partir de análises químicas e isotópicas

As hipóteses sobre a formação do reservatório de água doce estão sendo testadas por meio de análises preliminares de radiocarbono, gases nobres e isótopos.

Esses dados sugerem que a maior parte da água doce teve origem em geleiras durante a última era glacial, período que se estendeu de 2,6 milhões a 11.700 anos atrás.

Dugan explicou que os pesquisadores descartaram, em grande parte, a influência direta da topografia da Nova Inglaterra, já que não existem grandes cadeias montanhosas próximas à costa capazes de canalizar volumes significativos de água da chuva para o fundo do mar.

Ainda assim, ele ressaltou que pode haver um componente misto no sistema, com contribuição de água da chuva combinada à água de degelo glacial, formando um reservatório híbrido aprisionado sob os sedimentos marinhos.

Hipóteses históricas e o papel do Serviço Geológico dos Estados Unidos

A presença de água doce sob o oceano foi registrada pela primeira vez há cerca de 60 anos pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, durante avaliações de recursos minerais e energéticos realizadas em áreas offshore entre a Flórida e o Maine.

De acordo com Dugan, os pesquisadores do USGS consideraram o achado peculiar, pois identificaram água doce em sedimentos situados sob o oceano.

Na década de 1980, algumas hipóteses chegaram a ser levantadas, mas o tema acabou ficando em silênco por um longo período.

Em 2003, Dugan e Mark Person, professor de hidrologia do New Mexico Institute of Mining and Technology, redescobriram esses registros e sistematizaram três hipóteses principais para explicar a presença do reservatório de água doce submarino.

Mecanismos possíveis para a formação da água doce sob o oceano

A primeira hipótese considera períodos prolongados de nível do mar significativamente mais baixo, permitindo que a água da chuva se infiltrasse no solo exposto.

Com a posterior elevação do nível do mar ao longo de centenas de milhares de anos, essa água teria ficado presa sob os sedimentos.

Uma segunda possibilidade envolve cadeias montanhosas elevadas próximas ao oceano, capazes de direcionar água da chuva diretamente para áreas submarinas profundas. Essa hipótese, no entanto, perdeu força no contexto específico da costa nordeste.

A terceira explicação, relacionada à expansão das calotas polares, propõe que o avanço do gelo reduziu o nível do mar e gerou grandes volumes de água de degelo.

O atrito das geleiras com o leito rochoso produziu calor, acumulando água na base das calotas e forçando-a para o subsolo sob intenso peso.

Estrutura geológica e barreira contra a intrusão de água salgada

As perfurações realizadas a 30 a 50 quilômetros da costa de Massachusetts revelaram uma clara separação entre as camadas de água doce e salgada. Uma barreira impermeável de argila e silte impede atualmente a mistura entre as duas.

Temos uma barreira no topo da água doce que impede a entrada da água salgada acima”, afirmou Dugan. Segundo ele, essa barreira é suficiente para manter a separação hoje, mas não teria sido capaz de resistir à pressão exercida por uma geleira durante a era glacial.

O pesquisador destacou que o processo que depositou a água doce no subsolo possuía energia suficiente para superar qualquer obstáculo sedimentar existente à época, permitindo a inundação das camadas profundas com água de baixa salinidade.

Gradiente de salinidade e qualidade da água coletada

As medições de salinidade indicaram que o teor de sal diminui à medida que se aproxima da costa, mantendo-se significativamente abaixo da salinidade típica do oceano nas áreas estudadas durante a expedição.

No ponto de perfuração mais próximo de Nantucket e Martha’s Vineyard, a salinidade registrada foi de 1 parte por 1.000, limite máximo considerado seguro para água potável. Em áreas mais afastadas, os valores variaram entre 4 e 5 partes por 1.000.

No local mais distante da costa, os pesquisadores encontraram níveis de 17 a 18 partes por 1.000, aproximadamente metade da salinidade média da água do oceano, reforçando a presença de um reservatório diluído e distinto.

Próximas análises e expectativa por resultados definitivos

Com a conclusão das perfurações, os cientistas iniciaram estudos mais detalhados sobre o reservatório de água doce, incluindo a presença de micróbios, elementos de terras raras e características do espaço poroso dos sedimentos, dados essenciais para estimar com maior precisão o tamanho total do sistema.

Também estão sendo analisadas as idades dos sedimentos, o que permitirá determinar com maior exatidão quando o reservatório de água doce se formou. Segundo Dugan, resultados mais conclusivos sobre a origem e a cronologia do sistema são esperados em cerca de um mês.

O importante é que coletamos todas as amostras necessárias para responder às nossas principais perguntas”, disse o pesquisador, acrescentando que, após a retirada dos equipamentos, os poços se fecham sozinhos.

Aplicações futuras e importância do mapeamento científico

Dugan ressaltou que o objetivo do estudo não é promover o uso imediato do reservatório de água doce, mas fornecer uma compreensão detalhada do sistema para embasar decisões futuras, caso o recurso venha a ser considerado necessário.

Segundo ele, a existência de dados confiáveis permite que eventuais gestores ou pesquisadores tenham um ponto de partida sólido, evitando decisões mal informadas ou a necessidade de reiniciar investigações do zero.

O estudo desse vasto reservatório de água doce submarino representa um avanço significativo na compreensão dos recursos hídricos ocultos sob os oceanos e destaca a complexidade dos processos geológicos que moldaram a costa leste ao longo de dezenas de milhares de anos.

Este artigo foi elaborado com base em informações publicadas pelo site Live Science, a partir de entrevistas e dados apresentados por pesquisadores da Expedição 501, incluindo declarações do geofísico Brandon Dugan, da Colorado School of Mines, e registros históricos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

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Guigo Fontoura
Guigo Fontoura
25/01/2026 15:53

Texto muito mal escrito, com muitas redundâncias e informações repetidas. Fugiu da escola.

Dogmar
Dogmar
24/01/2026 10:56

Poisé se esses cientistas ler mais a palavra de Deus, veriam que tudo que descobriram está registrado em genesis nos primeiros capítulos.
Ainda se classificam cientistas.

LBJ
LBJ
Em resposta a  Dogmar
29/01/2026 15:21

Siempre metiendo la boca donde no los llaman. Adoradores de mentiras!

Frederico Fonseca da Silva
Frederico Fonseca da Silva
Em resposta a  Dogmar
10/03/2026 15:29

Sensacional observação. Estou escrevendo exatamente um livro sob a existência do dilúvio aos olhos da própria ciência que, por si, tenta negar a existencia do Criador.

Fabiano Santos
Fabiano Santos
22/01/2026 23:01

Pelo menos trump não pode usar justificativa de falta de água para invadir o Brasil.

Arlete
Arlete
Em resposta a  Fabiano Santos
23/01/2026 20:57

O problema é Trump construir uma arca para se salvar e todos do “”conselho da paz??””: por ele criado. kkkk

Junior melo
Junior melo
Em resposta a  Fabiano Santos
25/01/2026 08:34

E bem **** fora lula invade oq tu sabe sobre o cara sabe nada

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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