Megaprojeto Trojena integra o complexo NEOM e aposta em tecnologia de neve artificial, energia 100% renovável e infraestrutura futurista para transformar as montanhas de Tabuk em destino global
No noroeste da Arábia Saudita, as montanhas de Tabuk vivem uma transformação que desafia qualquer lógica climática. Em pleno deserto, surge Trojena, um resort de esqui planejado para operar com neve artificial durante todo o ano. O projeto integra o megacomplexo NEOM e representa uma das iniciativas mais ousadas da engenharia contemporânea.
Embora campanhas promocionais mencionem um custo de US$ 500 bilhões, é essencial esclarecer: esse valor corresponde ao orçamento total de NEOM. Já o investimento específico em Trojena gira em torno de US$ 38 bilhões, segundo dados divulgados por veículos como a Bloomberg. Ainda assim, trata-se de um dos maiores empreendimentos turísticos de inverno já concebidos fora de regiões naturalmente frias.
A informação foi divulgada por portais internacionais especializados em engenharia e infraestrutura, com base em dados oficiais do projeto e análises publicadas por fontes como a Bloomberg e o MEED.
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Onde fica Trojena e como o projeto pretende levar neve ao deserto
Trojena ocupará uma área de aproximadamente 60 km² nas montanhas de Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita. A região possui altitudes elevadas; no entanto, a neve natural ocorre de forma rara e irregular. Ainda assim, os idealizadores apostam em tecnologia de ponta para viabilizar o esqui no deserto.
O plano inclui entre 30 e 36 km de pistas de esqui para diferentes níveis. Além disso, o resort contará com uma aldeia vertical futurista, hotéis de luxo, restaurantes, comércio, trilhas de montanha, teleféricos e um lago artificial destinado ao lazer e a esportes aquáticos.
Para garantir neve durante o inverno, a equipe instalará canhões de neve (fanguns) em áreas estratégicas. Durante cerca de três meses por ano, as temperaturas podem cair abaixo de zero; portanto, o sistema combinará neve natural e artificial. Nos demais meses, pistas sintéticas do tipo dry ski manterão a operação ativa.
Além disso, o projeto funcionará com energia 100% renovável. Para isso, engenheiros integrarão sistemas de dessalinização e reuso de água. Dessa forma, o complexo busca equilibrar inovação extrema com discurso sustentável.
O custo real, os atrasos e a corrida pelos Jogos Asiáticos de Inverno

A cifra de US$ 500 bilhões costuma aparecer em vídeos e peças de marketing. Entretanto, esse valor engloba todo o complexo NEOM, que inclui a cidade linear The Line, o polo industrial Oxagon e uma ampla rede de infraestrutura logística. Em contraste, Trojena absorverá cerca de US$ 38 bilhões.
Esse montante cobre o lago artificial, as pistas ao ar livre, os hotéis ultra-luxuosos e os sistemas tecnológicos responsáveis pela produção contínua de neve artificial. Além disso, inclui a infraestrutura energética renovável e os sistemas de dessalinização necessários para manter a operação.
Inicialmente, o Conselho Olímpico da Ásia escolheu Trojena como sede dos Jogos Asiáticos de Inverno de 2029. Contudo, em janeiro de 2026, o próprio conselho anunciou o adiamento indefinido do evento. Segundo o portal MEED, atrasos na infraestrutura comprometeram o cronograma. Paralelamente, Coreia do Sul e China passaram a figurar como alternativas.
Apesar do adiamento, as obras continuam. A previsão de abertura parcial permanece para 2026, enquanto as primeiras pistas devem entrar em operação nos anos seguintes.
Engenharia extrema, sustentabilidade e a estratégia da Saudi Vision 2030
Manter um resort de esqui no deserto exige soluções de engenharia avançadas. Por isso, o projeto incorpora:
- Sistemas de neve artificial com maior eficiência energética e hídrica;
- Pistas sintéticas que simulam a experiência da neve natural;
- Infraestrutura alimentada integralmente por energia renovável;
- Dessalinização e reaproveitamento de água;
- Técnicas construtivas adaptadas ao terreno montanhoso.
Além do desafio técnico, Trojena integra a estratégia Saudi Vision 2030. O governo saudita busca diversificar a economia e reduzir a dependência do petróleo. Portanto, o turismo de alto padrão tornou-se prioridade nacional.
Enquanto críticos apontam custos elevados e prazos incertos, entusiastas enxergam uma demonstração de capacidade tecnológica. De qualquer forma, o projeto já simboliza uma nova etapa da engenharia em ambientes extremos.
Se o cronograma avançar conforme o planejado, a primeira fase poderá abrir em 2026. A partir daí, o mundo poderá assistir a um cenário inédito: pessoas esquiando no deserto, cercadas por arquitetura futurista e infraestrutura movida a energia renovável.
E você, acredita que a engenharia conseguirá transformar definitivamente o deserto em destino olímpico ou esse megaprojeto representa um risco bilionário?
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