RVB Malhas, empresa que levou calote milionário da Yeesco, concentrou 76,47 das dívidas sujeitas à assembleia, rejeitou o plano com deságio de 45 por cento e prazo de dez anos e, com seu voto isolado, precipitou a decretação da falência da gigante têxtil catarinense na assembleia geral de credores realizada.
A falência da gigante têxtil catarinense Yeesco ganhou um novo capítulo com a revelação do nome da empresa que levou calote de 38,6 milhões de reais e concentrou quase todo o poder de decisão sobre o futuro da recuperanda: a RVB Malhas. A credora se tornou peça central para entender por que a tentativa de recuperação judicial acabou desaguando em falência.
Detentora de 76,47 do passivo sujeito à assembleia geral de credores, a RVB Malhas rejeitou o plano de recuperação judicial, que previa deságio de 45 por cento e prazo de dez anos para pagamento, e seu voto acabou abrindo caminho para a decretação da falência após uma enxurrada de reclamações e dívidas milionárias. Com o peso de seu crédito e a recusa às condições oferecidas, a empresa consolidou o desfecho mais duro possível para a Yeesco.
A empresa que levou calote e virou credora dominante
Conforme o processo, a empresa que levou calote é a RVB Malhas.
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A Yeesco devia à credora 38,6 milhões de reais, de um total de 50,47 milhões em dívidas sujeitas à deliberação na assembleia geral de credores, o que representava 76,47 por cento de todo o passivo presente na votação.
Só na Classe III, dos credores quirografários, a participação da RVB Malhas chegava a 84,24 por cento.
Na prática, o voto da credora funcionava como um veto automático ao plano de recuperação judicial apresentado, já que qualquer posição contrária da empresa bastava para derrubar a proposta construída pela recuperanda.
Como o voto da credora derrubou o plano da Yeesco
Com esse domínio sobre o passivo votante, a decisão da RVB Malhas foi determinante no desfecho da recuperação judicial.
Embora outros credores também tenham se posicionado contra, a concentração dos créditos fazia com que o resultado final refletisse, sobretudo, a posição da credora.
O plano da Yeesco acabou rejeitado por 80,83 por cento dos créditos presentes, pelo critério de valor, ficando muito distante do quórum mínimo necessário para aprovação ou mesmo para um eventual cram down.
Sem apoio suficiente e com o peso da empresa que levou calote contrário à proposta, o Judiciário não teve alternativa a não ser caminhar para a falência.
Quem é a RVB Malhas, credora que derrubou a gigante
Fundada em 1991 e sediada em Brusque, a RVB Malhas é uma indústria têxtil consolidada, com atuação em todo o Brasil e em países da América Latina.
A empresa opera dois parques fabris que somam mais de 30 mil metros quadrados e emprega mais de 450 colaboradores diretos.
Com capacidade produtiva de cerca de 700 toneladas de malha por mês, a companhia abastece algumas das maiores marcas do setor, com foco em bases de algodão, viscose, poliamida e poliéster, além de desenvolver artigos exclusivos sob demanda.
Um dos pilares da operação é o investimento constante em inovação, testes laboratoriais e capacitação técnica.
Esse porte industrial ajuda a explicar por que a RVB Malhas, empresa que levou calote da Yeesco, tinha tamanho peso como credora relevante no segmento têxtil catarinense.
Juíza rejeitou tese de abuso e apontou inviabilidade da empresa
No entendimento da RVB Malhas, o plano apresentado pela Yeesco representava um sacrifício excessivo. A proposta previa deságio de 45 por cento e prazo de dez anos para pagamento, condições que a credora considerou incompatíveis com seus interesses comerciais e com o risco já assumido ao ficar exposta à dívida milionária.
A Yeesco tentou sustentar, em juízo, que a credora estaria praticando exercício abusivo de poder econômico ao rejeitar o plano.
A magistrada, porém, não acolheu a tese. Para o juízo, discordar das condições de pagamento, especialmente para defender direitos creditórios legítimos, não caracteriza abuso.
Somada à rejeição categórica do plano e à inviabilidade de uma proposta alternativa, que chegou a ser reprovada por 86,93 por cento dos créditos presentes, a conclusão foi de que não havia condições reais de continuidade das atividades.
Mesmo em um ambiente jurídico que privilegia a preservação de empresas, o caso concreto da Yeesco foi considerado financeiramente inviável.
E agora, o que acontece com funcionários e demais credores
Com a decretação da falência, a Yeesco deixa de tentar se recuperar e passa a ter seus bens usados para pagar, na medida do possível, a fila de credores, em que a RVB Malhas aparece com posição de destaque pelo volume do crédito.
Os funcionários da empresa, por sua vez, podem reivindicar seus direitos trabalhistas, conforme a ordem de preferência definida em lei e o andamento do processo falimentar.
Já os demais credores aguardam a realização dos ativos e a distribuição dos valores, etapa em que o histórico de calote e a atuação da empresa que levou calote na assembleia final seguirão no centro das discussões sobre responsabilidade e consequências econômicas do caso.
Na sua opinião, a empresa que levou calote agiu apenas para se defender ou deveria ter dado uma última chance ao plano da Yeesco?
A RVB TINHA Q COMPRAR A YESCO, COM O CREDITO Q TINHA LÁ E. DAR ANDAMENTO NA RECUPERAÇAO JUDICIAL, REDUSINDO E PARCELANDO OS RESTANTES DAS DIVIDAS.
Estão certíssimos se eles não entregam nem o que vendem imagina se vão honram uma dívida desse porte