Tecnologia desenvolvida no Marrocos automatiza a extração do veneno de escorpiões, reduz riscos operacionais e acelera estudos científicos focados no tratamento do câncer
Desde 2017, uma inovação tecnológica passou a chamar a atenção da comunidade científica internacional. Naquele ano, pesquisadores da Universidade Hassan II, no Marrocos, desenvolveram um robô capaz de extrair automaticamente o veneno de escorpiões, eliminando riscos humanos e ampliando o acesso a uma das substâncias naturais mais valiosas do mundo. Assim, a tecnologia passou a desempenhar um papel estratégico em pesquisas biomédicas, especialmente na oncologia.
Embora a picada de escorpião seja associada a dor intensa e riscos à saúde, o veneno abriga compostos raros de alto interesse científico. Por isso, historicamente, pesquisadores enfrentavam grandes obstáculos para coletar a toxina em quantidade suficiente. Diante desse cenário, a automação surgiu como solução para um gargalo que limitava o avanço de estudos médicos ao redor do mundo.
Extração tradicional limitava o avanço das pesquisas
Durante décadas, a coleta do veneno dependia de estimulações mecânicas ou elétricas feitas manualmente, processo lento, caro e perigoso. Além disso, tanto os pesquisadores quanto os próprios animais ficavam expostos a acidentes. Consequentemente, a dificuldade de obtenção da substância restringia a escala dos estudos científicos, mesmo diante do elevado potencial farmacológico do veneno.
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Nesse contexto, a equipe da Universidade Hassan II buscou uma alternativa tecnológica. Como resultado, o robô foi projetado para reduzir riscos operacionais, aumentar a eficiência e garantir maior padronização na coleta, sem comprometer a integridade dos escorpiões.
Tecnologia automatizada permite coleta segura e eficiente
Atualmente, o equipamento desenvolvido no Marrocos acomoda até 35 escorpiões simultaneamente. Para isso, aplica descargas elétricas leves e controladas na cauda dos animais, estimulando a liberação de pequenas gotículas de veneno. Segundo os pesquisadores, o procedimento é indolor e não causa danos aos aracnídeos, o que representa um avanço técnico e ético relevante.
Na sequência, o veneno é coletado automaticamente em tubos de vidro, por meio de um sistema vibratório e antenas internas. Dessa forma, o processo elimina completamente o contato humano direto com a substância. Além disso, por ser leve e portátil, o robô pode ser utilizado tanto em laboratórios quanto em outros ambientes de pesquisa, exigindo apenas treinamento básico.
Por que o veneno de escorpião é tão raro e valioso
Conhecido como “líquido dourado”, o veneno de escorpião está entre as substâncias naturais mais caras do planeta. Estimativas científicas divulgadas até 2024 indicam que um único grama pode custar cerca de US$ 8 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 42 mil. Esse valor elevado reflete, sobretudo, a extrema dificuldade de extração e a baixa produção por animal.

Para dimensionar o desafio, seriam necessários mais de 2,6 milhões de escorpiões para produzir apenas um galão da substância. Além disso, o veneno contém peptídeos, neurotoxinas, enzimas e compostos bioativos altamente específicos, capazes de interagir de forma precisa com o organismo humano.
Avanços científicos e foco no combate ao câncer
Nos últimos anos, a oncologia se tornou o principal foco das pesquisas com veneno de escorpião. Um estudo publicado pela National Library of Medicine demonstrou que certos peptídeos presentes na toxina agem seletivamente sobre células tumorais, interferindo em canais iônicos, induzindo morte celular programada e, em alguns casos, atravessando a barreira hematoencefálica.
Além disso, uma revisão publicada em 2023 na International Journal of Molecular Sciences, liderada por pesquisadores do Instituto Butantan, reforçou que o veneno funciona como uma biblioteca molecular, essencial para o desenvolvimento de novos fármacos anticancerígenos.
Pesquisas brasileiras reforçam o potencial terapêutico
No Brasil, estudos apoiados pela FAPESP também trouxeram resultados expressivos. Em junho de 2025, pesquisadores da Universidade de São Paulo identificaram uma molécula presente no veneno do escorpião amazônico Brotheas amazonicus capaz de eliminar células de câncer de mama com eficácia comparável à de quimioterápicos tradicionais.
Apesar da importância do robô para acelerar a coleta inicial, o desenvolvimento de medicamentos não depende da extração contínua dos escorpiões. Após identificar os peptídeos de interesse, os genes responsáveis são clonados e reproduzidos em laboratório, por técnicas de expressão heteróloga. Assim, as moléculas passam a ser produzidas em escala, com maior controle, estabilidade e segurança, consolidando a automação como ponto de partida para avanços médicos concretos.
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