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Robôs de uma empresa de petróleo encontraram, a quase 2 km de profundidade no Mar Mediterrâneo, um naufrágio cananeu de 3.300 anos com a carga intacta é o único navio da Idade do Bronze já descoberto em águas profundas e prova que marinheiros do mundo antigo navegavam em mar aberto usando as estrelas, sem avistar a costa, séculos antes do que os historiadores acreditavam

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado el 08/03/2026 a las 18:55
Robôs de uma empresa de petróleo encontraram, a quase 2 km de profundidade no Mar Mediterrâneo, um naufrágio cananeu de 3.300 anos com a carga intacta é o único navio da Idade do Bronze já descoberto em águas profundas e prova que marinheiros do mundo antigo navegavam em mar aberto usando as estrelas, sem avistar a costa, séculos antes do que os historiadores acreditavam
Robôs de uma empresa de petróleo encontraram, a quase 2 km de profundidade no Mar Mediterrâneo, um naufrágio cananeu de 3.300 anos com a carga intacta é o único navio da Idade do Bronze já descoberto em águas profundas e prova que marinheiros do mundo antigo navegavam em mar aberto usando as estrelas, sem avistar a costa, séculos antes do que os historiadores acreditavam
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Naufrágio de 3.300 anos encontrado a 1,8 km de profundidade no Mediterrâneo revela o navio mais antigo já descoberto em águas profundas

Em maio de 2024, um robô submarino operado pela empresa britânica de gás natural Energean vasculhava o fundo do Mediterrâneo ao largo da costa norte de Israel quando seus sensores detectaram uma anomalia no sedimento marinho. A operação fazia parte de um procedimento técnico rotineiro de inspeção associado aos campos de extração de gás natural da companhia na região. A equipe técnica a bordo do navio Energean Star decidiu registrar imagens detalhadas da formação detectada no fundo do mar. Ao examinar as fotografias captadas pelo veículo subaquático, os operadores perceberam algo incomum: o que parecia inicialmente um agrupamento irregular de recipientes de argila parcialmente soterrados no sedimento.

As imagens foram imediatamente encaminhadas para especialistas da Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA), órgão responsável pela supervisão de descobertas arqueológicas no país. A resposta chegou poucas horas depois e surpreendeu até mesmo os arqueólogos mais experientes. O que parecia apenas um conjunto de jarros antigos revelou-se o naufrágio mais antigo já encontrado em águas profundas em qualquer lugar do planeta. As primeiras análises indicaram que o navio havia afundado cerca de 3.300 anos atrás, durante a Idade do Bronze, e que sua carga havia permanecido praticamente intocada desde então.

Descoberta arqueológica no Mediterrâneo ocorreu durante inspeção de campos de gás natural

A Energean opera diversos campos de extração de gás natural nas águas territoriais israelenses, incluindo áreas conhecidas como Karish e Katlan. Durante uma inspeção de rotina no campo Katlan, a empresa enviou um ROV (Remotely Operated Vehicle) — um veículo submarino operado remotamente — para examinar o fundo do mar.

O equipamento operava a aproximadamente 1,8 quilômetro de profundidade, em uma área localizada a cerca de 90 quilômetros da costa israelense. Essa profundidade coloca o local muito além do alcance de mergulhadores humanos e até mesmo de operações arqueológicas convencionais.

Ânforas encontradas no Mar Mediterrâneo – Divulgação/Israel Antiquities Authority

Durante a inspeção, o robô registrou imagens de uma fileira de recipientes de cerâmica parcialmente soterrados na lama do fundo marinho. A aparência dos objetos chamou a atenção dos operadores, que decidiram enviar o material para análise arqueológica.

Quando as imagens chegaram às mãos de Jacob Sharvit, diretor da Unidade de Arqueologia Marítima da Autoridade de Antiguidades de Israel, o reconhecimento foi imediato. Os recipientes eram ânforas cananeias da Idade do Bronze, datadas aproximadamente entre os séculos XIII e XIV a.C.

Segundo Sharvit, “esta é uma das descobertas mais importantes já feitas na história da arqueologia marítima”. Em junho de 2024, a Autoridade de Antiguidades de Israel tornou a descoberta pública, chamando atenção da comunidade científica internacional.

Naufrágio cananeu desafia teoria tradicional sobre navegação antiga no Mediterrâneo

O elemento mais surpreendente da descoberta não foi apenas a idade do navio, mas o local onde ele foi encontrado. Até então, todos os naufrágios conhecidos da Idade do Bronze no Mediterrâneo haviam sido localizados relativamente próximos da costa. O exemplo mais famoso é o naufrágio de Uluburun, encontrado em 1982 próximo ao litoral da Turquia.

A lógica acadêmica por trás dessa concentração era simples: acreditava-se que os navegadores da Antiguidade raramente se afastavam da linha de visão da terra firme. Sem bússolas, instrumentos de navegação modernos ou mapas precisos, a navegação costeira era considerada a forma mais segura de viajar.

O navio encontrado pela Energean desafia completamente essa teoria. O naufrágio está localizado a cerca de 90 quilômetros da costa — uma distância na qual nenhuma terra é visível em nenhuma direção, apenas o horizonte marítimo.

Segundo Sharvit, essa descoberta muda profundamente a compreensão sobre as capacidades dos marinheiros da Idade do Bronze.

“É o primeiro navio antigo encontrado tão distante da costa, em uma área onde não existe linha de visão de terra firme.”

Navegação astronômica pode explicar como marinheiros cananeus cruzavam o Mediterrâneo aberto

Se os marinheiros antigos navegavam tão longe da costa, surge uma pergunta inevitável: como eles sabiam onde estavam? A hipótese mais aceita pelos arqueólogos envolve o uso de navegação astronômica primitiva.

Para manter rotas em mar aberto durante o século XIII a.C., os marinheiros cananeus provavelmente utilizavam referências celestes para orientação. Durante o dia, a posição do sol no céu poderia indicar direção e latitude aproximada. Durante a noite, as estrelas e constelações serviriam como guias naturais para manter o rumo.

Divulgação/Israel Antiquities Authority – postegem do gacebook

Esse tipo de navegação, séculos mais tarde, seria utilizado por gregos, fenícios e outros povos marítimos do Mediterrâneo. A descoberta sugere que marinheiros cananeus já dominavam técnicas avançadas de navegação astronômica muito antes do que se imaginava.

O contexto histórico reforça essa possibilidade. O século XIII a.C. representou o auge da interconectividade econômica no Mediterrâneo oriental.

Os impérios egípcio e hitita dominavam grandes territórios da região, enquanto os povos cananeus atuavam como intermediários comerciais entre diferentes civilizações. Produtos como azeite, vinho, cobre, estanho, marfim e resinas aromáticas circulavam intensamente entre Egito, Chipre, Creta, Anatólia e o Levante. O arqueólogo Eric Cline, da Universidade George Washington, descreve esse período como “a primeira era de globalização do Mediterrâneo antigo”.

Centenas de ânforas preservadas revelam a carga original do navio da Idade do Bronze

Embora o casco do navio ainda não tenha sido completamente exposto acima do sedimento, sondagens realizadas com sensores indicam que estruturas de madeira permanecem preservadas sob a camada de lama.

As condições ambientais do fundo do Mediterrâneo — alta pressão, baixa circulação de correntes e ausência de oxigênio — criaram um ambiente ideal para preservação arqueológica. Na superfície do sedimento, os robôs identificaram centenas de jarros de armazenamento cananeus, organizados em camadas relativamente intactas.

Esses recipientes, conhecidos como ânforas, eram amplamente utilizados na Antiguidade para transportar produtos agrícolas e comerciais como vinho, azeite e frutas secas. A disposição dos jarros sugere que o navio afundou rapidamente, sem que a carga tivesse tempo de se dispersar.

Para confirmar a extensão do naufrágio, dois recipientes foram cuidadosamente retirados do fundo do mar após meses de planejamento técnico. A empresa Energean desenvolveu uma ferramenta especial para a operação, capaz de extrair artefatos da lama sem perturbar o restante do sítio arqueológico.

Os dois jarros foram retirados de extremidades opostas da área identificada, permitindo aos arqueólogos estimar o tamanho aproximado da embarcação.Após uma subida de cerca de três horas até a superfície, os recipientes emergiram à luz do sol pela primeira vez em mais de 3.200 anos.

Mistério sobre o que causou o naufrágio ainda intriga arqueólogos

A disposição intacta da carga oferece pistas importantes sobre o que pode ter acontecido nos momentos finais do navio. Segundo Jacob Sharvit, “seja lá o que aconteceu, parece ter ocorrido muito rapidamente”.

Em situações de perigo no mar, era comum que tripulações jogassem parte da carga ao oceano para reduzir o peso da embarcação e aumentar sua flutuabilidade. No entanto, não existem evidências de que isso tenha ocorrido nesse caso. As ânforas permanecem organizadas como se o navio tivesse afundado abruptamente.

Duas hipóteses principais são consideradas pelos especialistas. A primeira envolve uma tempestade repentina, capaz de destruir rapidamente uma embarcação de madeira.

A segunda hipótese envolve ataques de piratas, que eram comuns no Mediterrâneo durante a Idade do Bronze. Registros egípcios e hititas mencionam grupos conhecidos como “Povos do Mar”, responsáveis por ataques a rotas comerciais marítimas.

Um ataque surpresa poderia explicar o afundamento rápido e a ausência de qualquer tentativa de salvar a carga.

Naufrágio reescreve a história da navegação antiga no Mediterrâneo

Para compreender a importância da descoberta, arqueólogos comparam o novo achado ao famoso naufrágio de Uluburun. O navio de Uluburun, considerado um dos achados arqueológicos mais importantes do Mediterrâneo, estava localizado a apenas 44 metros de profundidade e menos de 10 quilômetros da costa turca.

Video de YouTube

Entre 1984 e 1994, arqueólogos realizaram mais de 22.000 mergulhos para recuperar sua carga. Entre os objetos encontrados estavam:

  • 10 toneladas de cobre cipriota
  • 1 tonelada de estanho
  • 150 ânforas cananeias
  • marfim de elefante
  • madeira de ébano africano
  • um escaravelho de ouro associado à rainha egípcia Nefertiti

O novo naufrágio encontrado ao largo de Israel pertence à mesma tradição comercial da Idade do Bronze, mas em um contexto completamente diferente. A embarcação estava navegando em mar aberto, a uma distância da costa que exige técnicas de navegação avançadas.

Isso demonstra que os navegadores cananeus do século XIII a.C. eram capazes de realizar viagens deliberadas em alto-mar, utilizando apenas observações do céu e conhecimento acumulado de gerações de marinheiros.

Naufrágio permanece preservado no fundo do Mediterrâneo

Apesar da importância científica da descoberta, a Autoridade de Antiguidades de Israel não pretende recuperar imediatamente o restante do navio. A profundidade de 1,8 quilômetro torna qualquer escavação arqueológica extremamente complexa e cara.

Por enquanto, o sítio permanece preservado no fundo do Mediterrâneo. O navio mais antigo já encontrado em águas profundas continua onde afundou há 3.300 anos — protegido pela escuridão, pela pressão oceânica e pela distância da costa que o manteve escondido por mais de três milênios.

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Fábio Castro
Fábio Castro
13/03/2026 16:04

Muito interessante e relevante para a arqueologia moderna.

betão oliveira
betão oliveira
11/03/2026 08:43

Pode ter sido uma tempestade que tenha levado o barco para o mar aberto, para longe da costa !!!

luiz oliveira
luiz oliveira
09/03/2026 20:06

….sabe-se lá o que ainda tem nas águas profundas desse vasto oceano !
….e ouro de galeões espanhóis e outros…dizem ainda ter um bocado espalhado !
…agora o ouro negro e metais já avisam «»pode causar catástrofes a exploração»» !

Fuente
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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