Com 335 m de altura projetados, a Rogun Dam será a maior barragem do mundo, movendo milhões de m³ de rocha e elevando a engenharia a outro patamar.
Localizada no rio Vakhsh, no Tadjiquistão, a Rogun Dam está sendo construída para alcançar 335 metros de altura, o que a transformará na barragem mais alta já erguida pelo ser humano. O projeto, conduzido por autoridades do Tadjiquistão e executado pela construtora italiana Salini Impregilo (hoje Webuild), representa um dos empreendimentos de engenharia mais ambiciosos do século XXI.
A escala é tão monumental que, quando concluída, Rogun superará todas as grandes barragens de aterro já conhecidas — incluindo Nurek (300 m), Jinping-I (305 m) e Ertan — consolidando-se como um marco técnico global. A estrutura está sendo executada no modelo rock-fill dam, um maciço formado por milhões de metros cúbicos de rocha compactada, projetado para suportar forças hidráulicas descomunais e operar em um dos terrenos mais complexos da Ásia Central.
A barragem de 335 metros: mais alta que a Torre Eiffel e qualquer outra estrutura hidráulica do planeta
A altura projetada de 335 metros coloca Rogun em um patamar que nenhuma outra barragem já ocupou. Para efeito de escala:
-
Basta mistura cimento e resina acrílica e surge uma tinta emborrachada que promete impermeabilizar lajes, pisos e calçadas: fórmula simples com pigmento, secagem em 24 horas e até duas demãos extras de resina para reforçar a resistência à água.
-
Brasileiro constrói casa com pedras e leva 20 anos erguendo sozinho nas montanhas de SC: mais de 2.000 rochas talhadas à mão, 5 milhões de marretadas e dois andares sem engenheiro impressionam visitantes
-
China constrói gigantesca árvore de aço de 57 metros em Xi’an inspirada nas árvores ginkgo da antiga Rota da Seda, estrutura monumental criada para se tornar um novo marco arquitetônico e simbolizar séculos de comércio, cultura e conexão entre Europa e Ásia
-
Sem máquinas e usando técnicas artesanais, homem constrói uma casa de madeira com energia solar e mostra na prática como funciona uma construção sustentável
- é mais alta que a Torre Eiffel (324 m),
- supera a Grand Dixence (285 m),
- ultrapassa a Nurek, até então considerada recordista mundial,
- e coloca o Tadjiquistão no mapa das megaconstruções de engenharia pesada.
O desafio não se limita à altura: construir uma barragem desse porte em uma região montanhosa exige estudos sísmicos rigorosos, técnicas avançadas de desvio de rio, galerias subterrâneas complexas e um sistema de controle de infiltração capaz de suportar pressões extremas.
Milhões de m³ de rocha: o coração estrutural da Rogun Dam
Ao contrário de barragens de concreto como Itaipu ou Hoover, Rogun está sendo construída como uma barragem de enrocamento com núcleo impermeável, o que significa que sua estabilidade depende de camadas gigantescas de rocha compactada.
Estimativas indicam que o volume total de material ultrapassa dezenas de milhões de m³, tornando o processo de terraplenagem um dos maiores já realizados em obras hidráulicas de aterro.
Cada camada de rocha é selecionada, transportada e compactada com precisão milimétrica para garantir que a estrutura tenha densidade e permeabilidade adequadas. Esse processo é repetido incontáveis vezes até formar o gigantesco maciço que sustentará o reservatório.
Um projeto que mobiliza túneis, desvios e obras subterrâneas em escala continental
Antes mesmo de erguer o paredão principal, as equipes precisaram abrir uma série de obras preparatórias, entre elas:
- túneis de desvio com centenas de metros de comprimento,
- galerias auxiliares para controlar vazões,
- sistemas profundos de drenagem e alívio de pressão,
- valas de fundação escavadas em terrenos altamente irregulares.
O rio Vakhsh, conhecido por suas águas turbulentas e variações sazonais, exigiu soluções avançadas de controle temporário de fluxo — algo fundamental para permitir que o núcleo impermeável fosse instalado em condições de segurança.
Energia em escala nacional: quase 3.600 MW de capacidade instalada
Quando estiver totalmente concluída, a Rogun Dam abrigará seis turbinas gigantes, somando 3.600 MW, o que permitirá ao Tadjiquistão:
- dobrar sua capacidade energética,
- exportar eletricidade para países vizinhos,
- reduzir dependência de combustíveis fósseis,
- estabilizar seu sistema elétrico em períodos de seca.
A meta do governo é transformar Rogun no pilar energético do país, assim como Itaipu é para o Brasil e Grand Coulee é para os Estados Unidos.
Engenharia em ambiente extremo: sismicidade, clima e geologia desafiam a obra diariamente
Rogun está sendo construída em uma das regiões mais desafiadoras do mundo:
- terrenos instáveis,
- falhas sísmicas ativas,
- temperaturas que variam drasticamente,
- e um vale profundo com acesso limitado.
Essas condições obrigam a aplicação de soluções geotécnicas avançadas, como:
- reforços laterais com rochas de granulometria graduada,
- compactação controlada por vibroplacas de alta tonelagem,
- sistemas de contenção interna para evitar liquefação,
- estudos sísmicos contínuos para calibrar o maciço rochoso.
Poucas obras modernas combinam tantos fatores críticos simultâneos.
Quando concluída, Rogun será um marco definitivo da engenharia mundial
A superação dos 335 metros não é apenas um recorde: é a prova de que a engenharia civil ainda avança sobre limites antes considerados impossíveis. A Rogun Dam representa:
- um salto tecnológico para o Tadjiquistão,
- um desafio geotécnico sem precedentes,
- um novo padrão para barragens de aterro em zonas sísmicas,
- e um dos maiores empreendimentos estruturais do século XXI.
Com sua altura colossal, milhões de m³ de rocha compactada e a capacidade de transformar a matriz energética de toda uma região, a Rogun Dam está destinada a se tornar um dos maiores feitos estruturais da humanidade.
Sei não, porosidade lateral ao longo do ravina rochosa uma vez formado o lago poderá provocar o colapso das encostas.