Projeto busca reativar ferrovia estratégica no interior paulista, conectando 14 cidades e prometendo impacto na logística e no transporte de cargas na região. Proposta tramita em fase decisiva para obtenção de licença ambiental.
A Rumo Malha Paulista protocolou nesta segunda-feira (07), junto ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) o pedido de Licença de Instalação para reativar o ramal ferroviário entre Tupã e Panorama.
Este trecho integra o ramal Bauru–Panorama, que interliga a região de Marília ao principal entroncamento ferroviário do interior paulista, em Bauru.
A meta é recuperar 169 km de trilhos, conectando 14 municípios do Oeste Paulista.
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O processo ambiental tramita desde 2017 e já passou por diversas instâncias, incluindo o Núcleo de Apoio à Gestão de Incidentes e Emergências Ambientais e o Serviço de Planejamento e Análise de Dados.
No entanto, os laudos técnicos e relatórios permanecem sob sigilo, dificultando o acesso a detalhes específicos sobre o licenciamento.

Reativação do ramal ferroviário e concessão
A Rumo comprometeu-se, no âmbito da antecipação da concessão das ferrovias pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), a reativar o ramal.
O cronograma prevê a conclusão da limpeza e recuperação da malha entre Bauru e Tupã ainda em 2025, com término das obras até 2028.
O plano foi dividido em três fases: primeiro, a limpeza da vegetação; em seguida, a recuperação de infraestrutura — incluindo erosões, cortes e aterros; por fim, a restauração dos trilhos, dormentes e lastro de brita.
As intervenções começaram em junho de 2024.
Disputas judiciais e desafios operacionais
Mesmo com o ritmo acelerado, a execução enfrenta entraves judiciais.
Usuários da faixa de domínio, inclusive em Marília, tiveram que ser removidos por ordem judicial, gerando disputas que atrasam o projeto.
O ramal passará pelos seguintes municípios: Tupã, Iacri, Parapuã, Osvaldo Cruz, Inúbia Paulista, Lucélia, Adamantina, Flórida Paulista, Pacaembu, Irapuru, Junqueirópolis, Dracena, Ouro Verde e Panorama.
Impactos para a logística regional
A restauração dessa linha férrea poderá reduzir os custos e o tempo de transporte de grãos, insumos agrícolas e produtos industriais na região.
O modal ferroviário, reconhecido por sua eficiência e menor impacto ambiental em relação ao rodoviário, tende a desafogar as rodovias e otimizar o escoamento da produção do Oeste Paulista.
Apesar disso, não há informações públicas detalhadas sobre a capacidade anual de carga projetada, número de viagens ou estimativas de impacto econômico.
Os documentos ainda não estão disponíveis para avaliação externa.

Aspectos ambientais e licenciamento
Por envolver áreas urbanas e rurais, o ramal está sujeito a estudos de impacto ambiental.
A exigência de Licença de Instalação indica que há riscos significativos relacionados à reativação – como supressão de vegetação, interferência em áreas de preservação permanente, drenagem e solos.
Até o momento, os órgãos técnicos avaliaram a documentação.
Contudo, a falta de acesso aos relatórios e laudos impede conclusões sobre as medidas de mitigação ou compensação ambiental previstas.
Prazos e etapas do projeto ferroviário
A prioridade de reativação do ramal está atrelada a acordos firmados com a ANTT para antecipar a prorrogação da concessão da malha paulista.
Assim, a recuperação entre Bauru e Tupã até o final de 2025 faz parte das contrapartidas previstas no novo plano de concessão.
O cronograma final, com conclusão em 2028, foi reforçado pela Rumo ao Diário Tupã, que destacou que o retorno da operação ocorrerá após as etapas previstas.
E você, leitor: acredita que a reativação do ramal Tupã–Panorama será um motor de transformação para a logística do Oeste Paulista?
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