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Rússia avalia suspender gás para a Europa após disparada no preço da energia

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 04/03/2026 às 21:01
Rússia ameaça cortar gás da Europa após guerra do Irã elevar o preço da energia e pressionar o mercado global.
Foto: IA
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Rússia ameaça cortar gás da Europa após guerra do Irã elevar o preço da energia e pressionar o mercado global.

A Rússia pode interromper o fornecimento de gás para a Europa, alertou o presidente Vladimir Putin nesta quarta-feira (04/03/2023), em meio à disparada no preço da energia provocada pela escalada da guerra do Irã no Oriente Médio.

A declaração ocorreu durante entrevista à televisão estatal russa, enquanto o mercado energético global reage aos conflitos envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. Segundo o líder russo, a possibilidade também está relacionada aos planos da União Europeia de proibir totalmente a importação de gás russo nos próximos anos.

A crise energética ganhou força após ataques militares e tensões no Golfo Pérsico afetarem rotas estratégicas de transporte de petróleo e gás.

Como resultado, o fechamento do Estreito de Ormuz e a paralisação de instalações energéticas elevaram rapidamente os preços internacionais de combustíveis e pressionaram o mercado de energia da Europa.

Nesse cenário, Putin afirmou que Moscou pode redirecionar suas exportações para outros mercados mais lucrativos.

“Agora outros mercados estão se abrindo. E talvez seja mais vantajoso para nós parar de abastecer o mercado europeu neste momento. Para entrarmos nesses mercados que estão se abrindo e nos estabelecermos neles”, disse Putin, segundo uma transcrição divulgada pelo Kremlin.

Ainda assim, o presidente destacou que a possibilidade não representa uma decisão imediata.

“Isto não é uma decisão, é, neste caso, o que se chama de reflexão em voz alta. Vou certamente instruir o governo a trabalhar nesta questão em conjunto com as nossas empresas.”

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Guerra do Irã eleva preço da energia e impacta mercado global de gás

A escalada da guerra do Irã provocou uma reação imediata no mercado internacional de energia. Ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e o próprio Irã afetaram diretamente o fluxo de petróleo e gás no Oriente Médio, uma das regiões mais estratégicas para o abastecimento global.

Além disso, a navegação no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do gás natural liquefeito mundial — foi interrompida. A situação também levou à paralisação da produção de GNL do Catar e ao impacto em instalações energéticas na Arábia Saudita.

Putin afirmou que a escalada militar influenciou diretamente o aumento do preço da energia, tanto para petróleo quanto para gás.

Segundo ele, os consumidores europeus passaram a aceitar pagar valores mais altos para garantir fornecimento diante das incertezas.

“Surgiram clientes dispostos a comprar o mesmo gás natural a preços mais altos, neste caso devido aos acontecimentos no Oriente Médio, ao fechamento do Estreito de Ormuz e assim por diante”, disse Putin. “Isso é natural; não há nada aqui, não há agenda política – são apenas negócios.”

Rússia perdeu espaço no mercado de gás da Europa

Apesar da ameaça de interrupção, a Rússia já perdeu grande parte do mercado de gás da Europa desde o início da guerra na Ucrânia em 2022. Antes do conflito, Moscou era responsável por cerca de 40% do gás que chegava à União Europeia por gasodutos.

Atualmente, esse número caiu drasticamente para cerca de 6%, segundo dados da própria União Europeia.

A redução ocorreu porque países europeus buscaram diversificar fornecedores e reduzir a dependência energética da Rússia. Nesse processo, novos exportadores passaram a ocupar o espaço deixado por Moscou.

Entre eles estão:

  • Noruega
  • Estados Unidos
  • Argélia

Ao mesmo tempo, a gigante estatal russa Gazprom perdeu valor de mercado. Em 2007, a empresa era avaliada em mais de US$ 330 bilhões. Hoje, o valor gira em torno de US$ 40 bilhões.

Preço do gás na Europa dispara com crise no Oriente Médio

Enquanto isso, a escalada da guerra do Irã provocou um salto histórico no preço da energia na Europa.

Os preços de referência do gás natural no atacado na Holanda e no Reino Unido registraram alta superior a 50% após a intensificação dos ataques no Oriente Médio.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o gás chegou a 111,66 libras, acumulando alta superior a 60% em relação ao fechamento da semana anterior.

Parte da pressão ocorre porque muitos navios-tanque suspenderam o transporte de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz.

A QatarEnergy, maior produtora de gás natural do mundo, confirmou a paralisação das operações em algumas instalações após ataques militares.

“Devido a ataques militares às instalações operacionais da QatarEnergy na Cidade Industrial de Ras Laffan e na Cidade Industrial de Mesaieed, no Estado do Catar, a QatarEnergy interrompeu a produção de gás natural liquefeito (GNL) e produtos associados”, diz a nota.

Europa enfrenta risco de escassez de gás

A situação preocupa analistas do setor energético. Cerca de 20% do GNL mundial passa pelo Estreito de Ormuz, e qualquer interrupção prolongada pode provocar uma corrida global por novas fontes de abastecimento.

Ole Hvalbye, analista de commodities da SEB, alertou para o impacto direto no mercado europeu.

“Aproximadamente 8 a 10% das importações europeias de GNL estão indiretamente ligadas aos fluxos de Ormuz. Num cenário de interrupção, os compradores asiáticos licitariam agressivamente por cargas de GNL dos EUA, apertando o mercado na bacia do Atlântico e elevando drasticamente os preços europeus.”

Outro fator de preocupação é o nível de armazenamento de gás na Europa. Os estoques estão atualmente em cerca de 30% da capacidade, após um inverno rigoroso que esgotou parte das reservas.

Analistas afirmam que uma interrupção parcial no fluxo energético pode elevar ainda mais o custo da energia no continente.

Especialistas do Rabobank estimam que o preço de referência do gás europeu pode atingir 50 euros por megawatt-hora caso a crise se prolongue.

Rússia busca novos mercados para exportar gás

Diante da redução do mercado europeu e da instabilidade causada pela guerra do Irã, Moscou tem intensificado a busca por novos compradores.

A principal aposta da Rússia é a Ásia, especialmente a China, atualmente o maior importador de energia do mundo.

Mesmo assim, Putin insiste que o país continua sendo um fornecedor confiável.

“A Rússia sempre foi e continua sendo uma fornecedora de energia confiável para todos os nossos parceiros, incluindo, aliás, os europeus”, disse o presidente russo.

Segundo ele, Moscou continuará trabalhando com países que mantêm relações comerciais estáveis, incluindo nações da Europa Oriental como Eslováquia e Hungria.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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