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Rússia quer construir uma usina elétrica automatizada na Lua e pode se unir à China, que planeja uma estação de pesquisa e uma missão tripulada na superfície lunar, em uma aliança que desafia a liderança dos EUA no espaço

Escrito por Ana Alice
Publicado el 13/01/2026 a las 16:17
Actualizado el 02/02/2026 a las 19:32
Rússia planeja usina automatizada na Lua e amplia cooperação com a China, que prepara base científica e missão tripulada no satélite. (Imagem: Colagem/SpaceToday)
Rússia planeja usina automatizada na Lua e amplia cooperação com a China, que prepara base científica e missão tripulada no satélite. (Imagem: Colagem/SpaceToday)
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Rússia e China avançam em planos distintos e complementares para a Lua, envolvendo geração de energia, bases científicas e missões tripuladas, em um contexto de cooperação bilateral e disputa por protagonismo espacial nas próximas décadas.

A agência espacial russa Roscosmos declarou que trabalha em um plano para instalar na Lua uma unidade automatizada de geração de energia, citada por autoridades como uma usina de caráter nuclear, voltada a sustentar futuras operações no satélite natural da Terra.

A iniciativa é apresentada como parte do projeto da Estação Internacional de Pesquisa Lunar, conduzido em parceria com a China, enquanto Pequim mantém metas públicas de realizar uma missão tripulada e estruturar uma base científica permanente ao longo da próxima década.

De acordo com comunicados oficiais, a proposta russa envolve a criação de infraestrutura energética capaz de operar de forma autônoma na superfície lunar.

O fornecimento contínuo de eletricidade é apontado pela Roscosmos como um requisito técnico para missões de longa duração, sobretudo em ambientes onde a alternância entre períodos de luz e escuridão dificulta o uso exclusivo de painéis solares.

O que Moscou informa sobre a usina lunar

O plano foi mencionado publicamente pelo diretor-geral da Roscosmos, Yuri Borisov, em março de 2024.

Na ocasião, ele afirmou que Rússia e China avaliavam a instalação de uma unidade nuclear na Lua entre 2033 e 2035.

Segundo ele, a estrutura serviria para alimentar sistemas de suporte a pesquisas científicas e equipamentos robóticos.

O dirigente, porém, não detalhou o estágio exato de desenvolvimento do projeto.

Posteriormente, em dezembro de 2025, a Roscosmos informou ter firmado um contrato com a empresa NPO Lavochkin para avançar nos trabalhos de construção de uma usina de energia lunar russa.

O prazo estimado de conclusão foi indicado como até 2036.

No comunicado, a agência não apresentou especificações técnicas completas.

Ainda assim, reforçou que a geração de energia é tratada como elemento central da estratégia lunar do país.

As declarações oficiais indicam que a usina seria projetada para funcionar de forma automatizada, ao menos em uma fase inicial.

Essa característica é descrita pela agência como necessária para reduzir riscos operacionais e custos logísticos antes da presença contínua de astronautas.

A Roscosmos, no entanto, não divulgou informações sobre potência, localização exata ou modelo de reator.

Infraestrutura científica e planos de longo prazo na Lua

Além da geração de eletricidade, autoridades russas têm associado o projeto à intenção de estabelecer uma base científica permanente na Lua.

Em pronunciamentos institucionais, a Roscosmos afirma que a disponibilidade de energia permitiria manter equipamentos de comunicação, sensores e sistemas de monitoramento funcionando de forma contínua.

Esses elementos são apresentados como pré-requisitos para atividades científicas regulares e para o apoio a futuras missões tripuladas.

A agência, contudo, não divulgou um cronograma detalhado para a presença humana permanente.

As informações oficiais se limitam a indicar que o avanço da infraestrutura robótica precederia essa etapa.

As diferenças entre os prazos divulgados ao longo dos últimos anos sugerem ajustes internos de planejamento.

Enquanto declarações de 2024 mencionavam a janela entre 2033 e 2035 para a instalação da usina, o anúncio feito no fim de 2025 indicou 2036 como referência para a conclusão do projeto.

Não houve esclarecimento sobre se essa data corresponde ao início da operação ou apenas ao término da construção.

(Imagem: Diário da Região)
(Imagem: Diário da Região)

Programa lunar da China e missão tripulada

A China, por sua vez, mantém metas públicas para ampliar sua atuação na Lua.

Autoridades do programa espacial chinês já afirmaram que o país pretende realizar seu primeiro pouso tripulado no satélite antes de 2030.

Esse planejamento inclui o desenvolvimento de novos foguetes, módulos de pouso e trajes espaciais.

Paralelamente, Pequim participa do projeto da Estação Internacional de Pesquisa Lunar em parceria com a Rússia.

Segundo informações divulgadas por órgãos oficiais chineses, o objetivo é concluir até 2035 uma estrutura básica da estação.

Essa infraestrutura deve contar com módulos científicos distribuídos na superfície e em órbita lunar.

Apresentações técnicas associadas ao programa chinês indicam que a futura base pode utilizar uma combinação de fontes de energia.

Entre elas, são citados sistemas nucleares e painéis solares.

De acordo com especialistas ligados ao projeto, essa diversificação seria necessária para garantir fornecimento estável de energia em diferentes condições ambientais, especialmente em regiões próximas ao polo sul lunar.

(Imagem: SpaceToday)
(Imagem: SpaceToday)

Cooperação entre Rússia e China e cenário internacional

A cooperação entre Rússia e China no campo da exploração lunar é apresentada por ambas as partes como estratégica.

Comunicados da Roscosmos destacam que a parceria busca reunir experiências e capacidades técnicas complementares.

Entre os pontos citados estão sistemas energéticos, tecnologias de pouso e operação remota.

Esse movimento ocorre em um contexto de múltiplos programas lunares em andamento.

Os Estados Unidos mantêm o programa Artemis como principal iniciativa para o retorno de astronautas à Lua.

Ao mesmo tempo, acompanham os avanços de outros países.

Analistas ouvidos por veículos internacionais apontam que a sobreposição de cronogramas reflete a ampliação do interesse global pelo satélite, sem indicar necessariamente coordenação entre todos os projetos.

Apesar da denominação “internacional”, os detalhes sobre a participação de outros países na estação liderada por Rússia e China ainda não foram totalmente esclarecidos.

Até o momento, os anúncios oficiais se concentram na cooperação bilateral.

Os convites a parceiros externos permanecem genéricos, sem divulgação de acordos firmados com terceiros.

Com cronogramas que já passaram por revisões públicas e projetos em diferentes estágios de definição, o avanço dessas iniciativas tende a ser acompanhado por anúncios de missões preparatórias e testes de equipamentos.

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Carlos Moro
Carlos Moro
14/01/2026 08:16

Qual seria o conceito técnico dessa Usina Nuclear? Resfriamento, ok, o vácuo da conta, mas e o aquecimento e geração de energia? Aqui, usinas nucleares funcionam por geração térmica, usando água…. E lá?

Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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