Sabesp acelera novo sistema de transposição na Serra do Mar para bombear 2.500 litros por segundo ao Sistema Alto Tietê, após investir R$ 300 milhões, enquanto reservatórios da Grande São Paulo entram no nível mais baixo em uma década e plano de contingência amplia redução diária de pressão para consumidores.
A Sabesp começou em 1º de dezembro de 2025 a captar água na Serra do Mar para reforçar o Sistema Alto Tietê, justamente no momento em que o nível do Sistema Integrado Metropolitano atinge o patamar mais baixo em uma década e exige a aplicação das faixas mais duras do plano de contingência lançado em 24 de outubro de 2025. A companhia aposta que a nova obra, estimada em R$ 300 milhões, ajudará a segurar o abastecimento de milhões de moradores da Grande São Paulo em meio à falta de chuvas.
No fim da tarde de 10 de dezembro de 2025, os dados oficiais mostravam o volume útil do sistema em apenas 25 por cento, abaixo dos 28,7 por cento registrados quando a Arsesp anunciou o plano de emergência em outubro. A combinação de reservatórios em queda, pressão reduzida nas redes e reforço emergencial a partir da Serra do Mar evidencia que a Sabesp opera hoje em modo crise para evitar rodízio generalizado de água na capital e região metropolitana.
Sabesp abre duto da Serra do Mar para mandar 2.500 litros por segundo ao Alto Tietê

O novo sistema de transposição inaugurado em 1º de dezembro começa no ribeirão Sertãozinho, um dos afluentes do rio Itapanhaú, a cerca de 60 quilômetros da capital e próximo ao Parque Estadual da Serra do Mar.
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A Sabesp montou uma estrutura capaz de transportar até 2.500 litros por segundo diretamente para o Sistema Alto Tietê, responsável pelo abastecimento de aproximadamente 4 milhões de pessoas.
O trajeto da água percorre cerca de 9 quilômetros por meio de adutoras apoiadas em blocos de concreto.
O projeto inclui ainda um túnel de cerca de 500 metros escavado na montanha, nas proximidades da rodovia Mogi-Bertioga, solução adotada para evitar o soterramento dos dutos e preservar a vegetação nativa.
Segundo a companhia, o investimento de R$ 300 milhões vai permitir um aumento de cerca de 17 por cento no volume de água considerada «nova» que chega ao reservatório do Alto Tietê.
Na prática, a Sabesp tenta colocar mais água limpa na entrada do sistema ao mesmo tempo em que espreme a saída nas torneiras, com redução de pressão programada, para ganhar fôlego até que a chuva volte.
Reservatórios em queda e volume útil no menor nível em uma década
Em 24 de outubro de 2025, quando a Arsesp lançou o plano de contingência para reduzir o consumo, o volume útil do Sistema Integrado Metropolitano estava em 28,7 por cento.
Em 10 de dezembro, o índice recuou para 25 por cento, confirmando tendência de piora. Um infográfico divulgado pelas autoridades mostra que o nível dos reservatórios da região metropolitana de São Paulo é o mais baixo em dez anos.
O volume útil é a diferença entre o volume total de água armazenada e o chamado volume morto, que fica abaixo do ponto de captação normal e só pode ser retirado com bombeamento.
De acordo com os técnicos, a escassez atual é causada principalmente pela falta de chuva na região. Quanto mais o volume útil cai, mais perto o sistema chega da necessidade de usar o volume morto, operação mais cara, mais arriscada e dependente de equipamentos extras.
Quando o plano de contingência foi adotado, o Sistema Cantareira, principal fonte de água da região metropolitana que abastece cerca de 9 milhões de pessoas, já operava com 24,2 por cento do volume útil, o menor nível em nove anos.
Hoje esse indicador está em 19,9 por cento. Com o Cantareira tão baixo, a Sabesp precisa espremer ao máximo todos os demais mananciais e contar com a ajuda emergencial da Serra do Mar para manter o fornecimento.
Como funciona o plano de contingência da Sabesp e as faixas de risco
Desde o lançamento, o plano de contingência permanece na faixa 3. Nesse estágio, a Sabesp reduz a pressão da água na rede por 10 horas ao dia para diminuir o consumo e as perdas.
A elevação do corte para 12 horas será adotada se o nível do sistema integrado cair abaixo de 22,8 por cento.
As faixas do plano não são fixas e podem ser revistas, mas hoje estão assim definidas:
Faixa 1 (abaixo de 34,68 por cento): revisão das transposições de bacia e reforço das campanhas de uso consciente da água.
Faixa 2 (abaixo de 28,68 por cento): redução da pressão na rede de abastecimento por 8 horas noturnas.
Faixa 3 (abaixo de 22,68 por cento): redução de pressão por 10 horas diárias, estágio em vigor atualmente.
Faixa 4 (abaixo de 16,68 por cento): redução de pressão por 12 horas.
Faixa 5 (abaixo de 6,68 por cento): redução de pressão por 14 horas.
Faixa 6 (abaixo de 3,32 por cento negativos): redução de pressão por 16 horas, instalação de bombas para captar o volume morto e ligações emergenciais em hospitais, clínicas de hemodiálise, presídios e postos de bombeiros.
Faixa 7 (abaixo de 3,32 por cento negativos): adoção de rodízio no abastecimento, com cortes alternados de fornecimento entre bairros.
A Sabesp só muda de faixa, endurecendo as restrições, quando o nível do sistema fica abaixo do limite por 7 dias seguidos; para aliviar as medidas e voltar a uma faixa mais branda, o nível precisa ficar 14 dias consecutivos acima do limite.
Pressão mais baixa nas torneiras, risco de rodízio e corrida contra a chuva
Com a faixa 3 ativada e os reservatórios em queda, a rotina dos consumidores já sente o impacto.
Em vários bairros da Grande São Paulo, a redução de pressão por 10 horas ao dia faz a água demorar mais para subir caixas e chegar a andares mais altos, especialmente em imóveis sem reservatórios adequados.
A estratégia da Sabesp é espalhar o desconforto ao longo do dia para tentar evitar um cenário mais drástico de rodízio concentrado.
Se o Sistema Integrado Metropolitano romper a marca de 22,8 por cento e se aproximar das faixas 4 e 5, a redução de pressão poderá chegar a até 14 horas diárias.
Abaixo disso, a faixa 6 passa a exigir uso intenso do volume morto, com bombas extras e priorização de serviços essenciais.
Na última etapa, a faixa 7, o rodízio de abastecimento entra de vez em cena. É esse cenário de cortes alternados que a Sabesp tenta afastar com a combinação de obras de transposição, campanhas de economia e controle rígido da pressão na rede.
Para os próximos dias, a companhia e os órgãos reguladores seguem monitorando o comportamento da chuva e o reflexo direto nos reservatórios.
Enquanto a recuperação não vem, o recado institucional é claro: sem redução real do consumo nas casas, comércios e indústrias, nenhuma obra da Sabesp será suficiente para afastar o risco de falta de água em São Paulo.
E você, acha que a Sabesp está reagindo na hora certa ou o governo deveria ter adotado medidas mais duras de economia de água muito antes de os reservatórios chegarem ao nível mais baixo da década?
Sinceramente não entendo está questão de reservatórios baixos … Não muito distante temos em Juquitiba..rio com grande volume.de água correndo livremente para o mar ..porque não canalizar para uma das represas .. ?? Mas é melhor ficar citando a baixa nos reservatórios..
Falta planejamento e manutenção das redes de distribuição de água. Sanando metade do desperdício, seria suficiente. O desgoverno só sabe privatizar e criticar o governo federal. O litoral além de ficar sem água, vai pagar pedágios!
A falta de planejamento é absurda! O desgoverno atual que se vangloria de ter planejamento, não é verdade. Faz propaganda de obras, como sendo só do Estado, quando na realidade é do estado e a união. Privitaviza tudo! A Sabesp vai fazer o que agora, sem água? Quando terminar o mandato o estado estará nas mãos da iniciativa privada, não que isso seja ruim, mas, eles não vão trabalhar sem ganhar dinheiro! O que está acontecendo com Enel, é o que vai acontecer com a Sabesp amanhã!