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Sabesp corre para puxar 2.500 litros por segundo da Serra do Mar, gasta R$ 300 milhões e tenta segurar reservatórios no nível mais baixo em 10 anos antes da torneira de SP secar de vez

Publicado el 16/12/2025 a las 15:08
Sabesp amplia captação na Serra do Mar para sustentar o Sistema Alto Tietê e os reservatórios de São Paulo, reduz pressão da água e tenta conter a crise hídrica.
Sabesp amplia captação na Serra do Mar para sustentar o Sistema Alto Tietê e os reservatórios de São Paulo, reduz pressão da água e tenta conter a crise hídrica.
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Sabesp acelera novo sistema de transposição na Serra do Mar para bombear 2.500 litros por segundo ao Sistema Alto Tietê, após investir R$ 300 milhões, enquanto reservatórios da Grande São Paulo entram no nível mais baixo em uma década e plano de contingência amplia redução diária de pressão para consumidores.

A Sabesp começou em 1º de dezembro de 2025 a captar água na Serra do Mar para reforçar o Sistema Alto Tietê, justamente no momento em que o nível do Sistema Integrado Metropolitano atinge o patamar mais baixo em uma década e exige a aplicação das faixas mais duras do plano de contingência lançado em 24 de outubro de 2025. A companhia aposta que a nova obra, estimada em R$ 300 milhões, ajudará a segurar o abastecimento de milhões de moradores da Grande São Paulo em meio à falta de chuvas.

No fim da tarde de 10 de dezembro de 2025, os dados oficiais mostravam o volume útil do sistema em apenas 25 por cento, abaixo dos 28,7 por cento registrados quando a Arsesp anunciou o plano de emergência em outubro. A combinação de reservatórios em queda, pressão reduzida nas redes e reforço emergencial a partir da Serra do Mar evidencia que a Sabesp opera hoje em modo crise para evitar rodízio generalizado de água na capital e região metropolitana.

Sabesp abre duto da Serra do Mar para mandar 2.500 litros por segundo ao Alto Tietê

O novo sistema de transposição inaugurado em 1º de dezembro começa no ribeirão Sertãozinho, um dos afluentes do rio Itapanhaú, a cerca de 60 quilômetros da capital e próximo ao Parque Estadual da Serra do Mar.

A Sabesp montou uma estrutura capaz de transportar até 2.500 litros por segundo diretamente para o Sistema Alto Tietê, responsável pelo abastecimento de aproximadamente 4 milhões de pessoas.

O trajeto da água percorre cerca de 9 quilômetros por meio de adutoras apoiadas em blocos de concreto.

O projeto inclui ainda um túnel de cerca de 500 metros escavado na montanha, nas proximidades da rodovia Mogi-Bertioga, solução adotada para evitar o soterramento dos dutos e preservar a vegetação nativa.

Segundo a companhia, o investimento de R$ 300 milhões vai permitir um aumento de cerca de 17 por cento no volume de água considerada «nova» que chega ao reservatório do Alto Tietê.

Na prática, a Sabesp tenta colocar mais água limpa na entrada do sistema ao mesmo tempo em que espreme a saída nas torneiras, com redução de pressão programada, para ganhar fôlego até que a chuva volte.

Reservatórios em queda e volume útil no menor nível em uma década

Em 24 de outubro de 2025, quando a Arsesp lançou o plano de contingência para reduzir o consumo, o volume útil do Sistema Integrado Metropolitano estava em 28,7 por cento.

Em 10 de dezembro, o índice recuou para 25 por cento, confirmando tendência de piora. Um infográfico divulgado pelas autoridades mostra que o nível dos reservatórios da região metropolitana de São Paulo é o mais baixo em dez anos.

O volume útil é a diferença entre o volume total de água armazenada e o chamado volume morto, que fica abaixo do ponto de captação normal e só pode ser retirado com bombeamento.

De acordo com os técnicos, a escassez atual é causada principalmente pela falta de chuva na região. Quanto mais o volume útil cai, mais perto o sistema chega da necessidade de usar o volume morto, operação mais cara, mais arriscada e dependente de equipamentos extras.

Quando o plano de contingência foi adotado, o Sistema Cantareira, principal fonte de água da região metropolitana que abastece cerca de 9 milhões de pessoas, já operava com 24,2 por cento do volume útil, o menor nível em nove anos.

Hoje esse indicador está em 19,9 por cento. Com o Cantareira tão baixo, a Sabesp precisa espremer ao máximo todos os demais mananciais e contar com a ajuda emergencial da Serra do Mar para manter o fornecimento.

Como funciona o plano de contingência da Sabesp e as faixas de risco

Desde o lançamento, o plano de contingência permanece na faixa 3. Nesse estágio, a Sabesp reduz a pressão da água na rede por 10 horas ao dia para diminuir o consumo e as perdas.

A elevação do corte para 12 horas será adotada se o nível do sistema integrado cair abaixo de 22,8 por cento.

As faixas do plano não são fixas e podem ser revistas, mas hoje estão assim definidas:

Faixa 1 (abaixo de 34,68 por cento): revisão das transposições de bacia e reforço das campanhas de uso consciente da água.

Faixa 2 (abaixo de 28,68 por cento): redução da pressão na rede de abastecimento por 8 horas noturnas.

Faixa 3 (abaixo de 22,68 por cento): redução de pressão por 10 horas diárias, estágio em vigor atualmente.

Faixa 4 (abaixo de 16,68 por cento): redução de pressão por 12 horas.

Faixa 5 (abaixo de 6,68 por cento): redução de pressão por 14 horas.

Faixa 6 (abaixo de 3,32 por cento negativos): redução de pressão por 16 horas, instalação de bombas para captar o volume morto e ligações emergenciais em hospitais, clínicas de hemodiálise, presídios e postos de bombeiros.

Faixa 7 (abaixo de 3,32 por cento negativos): adoção de rodízio no abastecimento, com cortes alternados de fornecimento entre bairros.

A Sabesp só muda de faixa, endurecendo as restrições, quando o nível do sistema fica abaixo do limite por 7 dias seguidos; para aliviar as medidas e voltar a uma faixa mais branda, o nível precisa ficar 14 dias consecutivos acima do limite.

Pressão mais baixa nas torneiras, risco de rodízio e corrida contra a chuva

Com a faixa 3 ativada e os reservatórios em queda, a rotina dos consumidores já sente o impacto.

Em vários bairros da Grande São Paulo, a redução de pressão por 10 horas ao dia faz a água demorar mais para subir caixas e chegar a andares mais altos, especialmente em imóveis sem reservatórios adequados.

A estratégia da Sabesp é espalhar o desconforto ao longo do dia para tentar evitar um cenário mais drástico de rodízio concentrado.

Se o Sistema Integrado Metropolitano romper a marca de 22,8 por cento e se aproximar das faixas 4 e 5, a redução de pressão poderá chegar a até 14 horas diárias.

Abaixo disso, a faixa 6 passa a exigir uso intenso do volume morto, com bombas extras e priorização de serviços essenciais.

Na última etapa, a faixa 7, o rodízio de abastecimento entra de vez em cena. É esse cenário de cortes alternados que a Sabesp tenta afastar com a combinação de obras de transposição, campanhas de economia e controle rígido da pressão na rede.

Para os próximos dias, a companhia e os órgãos reguladores seguem monitorando o comportamento da chuva e o reflexo direto nos reservatórios.

Enquanto a recuperação não vem, o recado institucional é claro: sem redução real do consumo nas casas, comércios e indústrias, nenhuma obra da Sabesp será suficiente para afastar o risco de falta de água em São Paulo.

E você, acha que a Sabesp está reagindo na hora certa ou o governo deveria ter adotado medidas mais duras de economia de água muito antes de os reservatórios chegarem ao nível mais baixo da década?

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Celso
Celso
19/12/2025 21:40

Sinceramente não entendo está questão de reservatórios baixos … Não muito distante temos em Juquitiba..rio com grande volume.de água correndo livremente para o mar ..porque não canalizar para uma das represas .. ?? Mas é melhor ficar citando a baixa nos reservatórios..

Pedro
Pedro
19/12/2025 11:03

Falta planejamento e manutenção das redes de distribuição de água. Sanando metade do desperdício, seria suficiente. O desgoverno só sabe privatizar e criticar o governo federal. O litoral além de ficar sem água, vai pagar pedágios!

Pedro
Pedro
19/12/2025 10:59

A falta de planejamento é absurda! O desgoverno atual que se vangloria de ter planejamento, não é verdade. Faz propaganda de obras, como sendo só do Estado, quando na realidade é do estado e a união. Privitaviza tudo! A Sabesp vai fazer o que agora, sem água? Quando terminar o mandato o estado estará nas mãos da iniciativa privada, não que isso seja ruim, mas, eles não vão trabalhar sem ganhar dinheiro! O que está acontecendo com Enel, é o que vai acontecer com a Sabesp amanhã!

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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