Estudo internacional aponta que emissões não intencionais dos satélites interferem na radioastronomia e podem comprometer descobertas sobre o Universo
Pesquisadores da Curtin University, na Austrália, afirmam que os satélites da Starlink estão emitindo sinais de rádio não intencionais que interferem nas observações de radioastronomia. A descoberta foi publicada na revista Astronomy and Astrophysics e representa o maior estudo já feito sobre emissões de baixa frequência vindas de satélites.
O levantamento foi conduzido pelo Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia (ICRAR) e analisou dados de mais de 1,8 mil satélites da Starlink parte de uma frota que já ultrapassa 7 mil unidades em órbita baixa. Segundo os cientistas, até 30% das imagens astronômicas analisadas apresentaram sinais de interferência, dificultando a captação de ondas de rádio extremamente fracas vindas do espaço profundo.
O que o estudo descobriu
Os pesquisadores detectaram 112 mil emissões de rádio vindas dos satélites da SpaceX, muitas delas em frequências que deveriam ser protegidas para uso exclusivo da radioastronomia. Um exemplo é a faixa de 150,8 MHz, na qual 703 satélites foram identificados transmitindo sinais, apesar de não haver autorização para uso nessas bandas.
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A interferência não é proposital, mas causada por vazamentos de componentes eletrônicos a bordo. Isso impede que os astrônomos prevejam ou filtrem com facilidade os ruídos no momento das observações. O líder do estudo, Dylan Grigg, ressalta que a Starlink foi a principal fonte de interferência durante o período analisado, com 477 lançamentos apenas nos quatro meses de coleta de dados.
Por que isso preocupa a ciência
A radioastronomia depende de ambientes extremamente silenciosos para captar sinais cósmicos sutis. Esses dados são essenciais para responder questões fundamentais sobre a formação das primeiras estrelas, a natureza da matéria escura e a validade de teorias como a de Einstein.
O professor Steven Tingay lembra que o futuro radiotelescópio Square Kilometer Array (SKA), com estruturas na Austrália e na África do Sul, será o maior do mundo e poderá transformar a compreensão do Universo. No entanto, para isso, será preciso reduzir ao máximo qualquer interferência artificial.
E a SpaceX?
Os pesquisadores afirmam que a SpaceX não está violando as regulamentações atuais e que mantém diálogo aberto para encontrar soluções. Entre as propostas discutidas estão ajustes técnicos nos satélites e atualizações nas políticas internacionais para proteger bandas de frequência usadas pela ciência.
Os autores defendem que é possível conciliar os benefícios da conectividade global proporcionada por constelações como a Starlink com a preservação das pesquisas científicas mas para isso, será necessário um equilíbrio entre inovação e proteção das janelas de observação do cosmos.
E você, acha que empresas de satélites como a Starlink deveriam ter regras mais rígidas para evitar interferências científicas? Ou a prioridade deve ser expandir o acesso global à internet? Deixe sua opinião nos comentários.

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