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Satélites revelam que o Irã perde 1,7 bilhão de m³ de água subterrânea por ano e que áreas do país já afundam mais de 35 centímetros anuais

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 03/03/2026 a las 19:18
Água subterrânea no Irã entra em colapso quando satélites revelam subsidência extrema em Kerman e perda anual de 1,7 bilhão de m³, com risco de danos permanentes aos aquíferos.
Água subterrânea no Irã entra em colapso quando satélites revelam subsidência extrema em Kerman e perda anual de 1,7 bilhão de m³, com risco de danos permanentes aos aquíferos.
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A água subterrânea do Irã está sendo drenada em ritmo insustentável, e satélites mostram, com mais de 6.000 imagens entre 2014 e 2020, subsidência extrema em Kerman, pressão sobre aquíferos de reposição lentíssima e um problema nacional que já ameaça território, população e infraestrutura crítica em várias províncias do país.

A água subterrânea do Irã entrou em uma zona crítica, e o sinal mais duro dessa crise agora aparece no próprio relevo do país. Ao cruzar dados de satélites, mapas geológicos, informações sobre reservatórios e medições gravitacionais, pesquisadores concluíram que o território iraniano perde 1,7 bilhão de metros cúbicos por ano, em um ritmo considerado insustentável.

O efeito mais visível dessa drenagem é a subsidência do solo, que já atinge grandes áreas do Irã e, em pontos da província de Kerman, supera 35 centímetros anuais. Isso não significa apenas falta de água, mas compactação dos aquíferos, risco de perda permanente de capacidade de armazenamento e ameaça direta a milhões de pessoas e a estruturas essenciais, como aeroportos e ferrovias.

O que os satélites mediram sob o território iraniano

Água subterrânea no Irã entra em colapso quando satélites revelam subsidência extrema em Kerman e perda anual de 1,7 bilhão de m³, com risco de danos permanentes aos aquíferos.

A dimensão do problema foi detalhada por Mahmud Haghshenas Haghighi e Mahdi Motagh, ligados à Universidade Leibniz de Hannover e ao Centro Alemão de Pesquisa em Geociências.

Para medir a subsidência no Irã, eles usaram Radar de Abertura Sintética Interferométrica, o InSAR, com base em mais de 6.000 imagens do Sentinel-1 obtidas entre 2014 e 2020.

O resultado foi um mapa nacional com resolução de 100 metros, algo descrito como sem precedentes para o país.

Esse levantamento por satélites não foi lido isoladamente. Os autores compararam os dados com mapas geológicos, informações sobre reservatórios de água subterrânea e dados da missão GRACE.

Foi esse cruzamento que revelou uma tendência mais grave do que uma simples oscilação local: várias províncias iranianas caminham para esgotamento irreversível e danos permanentes aos aquíferos, com perdas que podem não ser recuperadas nem em prazos muito longos.

Kerman expõe a face mais extrema da subsidência

Água subterrânea no Irã entra em colapso quando satélites revelam subsidência extrema em Kerman e perda anual de 1,7 bilhão de m³, com risco de danos permanentes aos aquíferos.

A província de Kerman, no sudeste do Irã, aparece como o caso mais alarmante.

No distrito de Rafsanjan, centro da produção de pistache do país, os pesquisadores mediram taxas de subsidência que, em alguns pontos, ultrapassam 35 centímetros por ano.

Esse patamar coloca Kerman entre as áreas com afundamento mais severo observadas no mundo.

Mas Kerman não está sozinha. Os autores destacam que províncias como Teerã, Isfahan, Kerman e Khorasan Razavi concentram parcelas expressivas da população vivendo em áreas com risco de afundamento em diferentes graus.

Em algumas delas, mais de um quarto dos habitantes está exposto a esse processo.

Quando a subsidência atinge dezenas de centímetros por ano, o problema deixa de ser técnico e passa a ser territorial.

Por que a água subterrânea está sendo perdida em ritmo tão alto

Os pesquisadores apontam a agricultura irrigada insustentável como o principal motor dessa perda de água subterrânea no Irã.

Esse processo é agravado pelo crescimento populacional e pela industrialização, que ampliam a demanda hídrica e pressionam ainda mais os reservatórios subterrâneos.

O resultado é uma extração contínua muito acima da capacidade natural de reposição.

A escala da perda ajuda a medir a gravidade. O estudo fala em 1,7 bilhão de metros cúbicos por ano em um país com cerca de 84 milhões de habitantes.

A reposição de volumes desse tamanho poderia levar centenas ou até milhares de anos, se é que ainda seria possível em algumas áreas.

A subsidência, nesse contexto, funciona como a marca visível de um colapso invisível: o aquífero perde água, se compacta e deixa de ter a mesma capacidade de armazenar o que um dia armazenou.

O que está em risco quando os aquíferos começam a colapsar

O estudo estima que cerca de 3,5% da área territorial do Irã já é afetada pelo afundamento do solo, com impacto sobre milhões de pessoas e sobre infraestrutura crítica.

Aeroportos e ferrovias aparecem entre os sistemas ameaçados por essa deformação do terreno.

Em outras palavras, a crise da água subterrânea já não está restrita ao campo ou ao abastecimento local.

Ela alcança logística, mobilidade e segurança territorial.

O ponto mais grave é que nem toda perda será recuperável. Quando a compactação do aquífero avança demais, a capacidade de armazenamento pode ser danificada de forma permanente.

Isso significa que o Irã pode perder duas vezes: perde a água agora e perde também parte do espaço subterrâneo que permitiria guardar água no futuro.

Por isso, os autores defendem ação imediata e uma política coerente para a água subterrânea, tratando o problema como crise nacional, e não como soma de episódios regionais.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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