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Plano ousado da Shein para ampliar presença no Brasil e conquistar protagonismo na indústria têxtil latino-americana encontra resistência de empresários que rejeitam exigências de preços agressivos, prazos incompatíveis e adaptação forçada ao modelo produtivo de Guangdong

Escrito por Caio Aviz
Publicado el 28/02/2026 a las 17:14
Reunião entre executivos e fabricantes brasileiros dentro de fábrica têxtil durante negociação de produção local no Brasil
Executivos e fabricantes discutem contratos e custos em unidade têxtil no Brasil, em meio a negociações de produção local.
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Projeto lançado em 2023 previa US$ 150 milhões em investimentos e 100 mil empregos até 2026, mas reação das fábricas brasileiras e entraves estruturais reduziram o ritmo de expansão

Um ambicioso movimento estratégico colocou o Brasil no centro da expansão industrial da Shein em março de 2023. Naquele momento, a varejista chinesa anunciou US$ 150 milhões em investimentos e prometeu gerar 100 mil empregos até 2026. No entanto, ao longo de 2024, o plano começou a perder força diante de resistências internas do setor têxtil nacional.

Segundo levantamento publicado pela Reuters no fim de 2023, a meta inicial previa parcerias com 2 mil fábricas brasileiras. Entretanto, apenas 336 unidades firmaram acordos no primeiro ano. Assim, o número ficou muito abaixo do projetado, e o cronograma original passou a ser reavaliado.

Desde então, o projeto revelou as dificuldades de replicar no Brasil o modelo produtivo consolidado na China. Além disso, expôs o choque entre a estratégia de ultrabaixo custo e as condições estruturais da indústria brasileira.

Investigação sobre produção local expõe entraves estruturais

Inicialmente, a proposta era transformar o Brasil em polo de produção para abastecer a América Latina. Contudo, em comunicado posterior à imprensa, a própria Shein admitiu que o plano “não ocorreu conforme o esperado”.

De acordo com a empresa, a produção nacional precisou de tempo para amadurecer. Além disso, diferenças na infraestrutura industrial tornaram o avanço mais lento e desafiador. Consequentemente, custos logísticos e prazos impactaram o ritmo de expansão.

Enquanto isso, na província chinesa de Guangdong, cerca de 7 mil fábricas integradas operam próximas a fornecedores de tecidos e aviamentos. Dessa forma, o sistema garante agilidade e preços competitivos. No Brasil, porém, a dispersão geográfica das fábricas, a carga tributária e a legislação trabalhista criaram um cenário distinto.

Pilar Olivares/REUTERS

Indústria têxtil brasileira reage às exigências comerciais

Paralelamente, empresários nacionais passaram a questionar as condições impostas. Conforme relatos à Reuters em 2024, a varejista solicitava reduções de até 30% nos preços, além de prazos de entrega considerados incompatíveis com a estrutura local.

Fernando Pimentel, diretor da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), afirmou que trabalhar no Brasil é diferente de trabalhar na China. Segundo ele, o país possui marcos regulatórios e normas específicas, que impactam custos e operações. Assim, ele lamentou que o projeto não tenha avançado conforme planejado.

Enquanto isso, empresários do Nordeste relataram que, para atender às metas da Shein, seria necessário substituir tecidos e reduzir margens a níveis considerados insustentáveis. Portanto, diversos contratos foram encerrados poucos meses após o início das produções.

Brasil segue estratégico apesar do recuo produtivo

Ainda assim, apesar da desaceleração industrial, o Brasil permanece relevante para a companhia. Atualmente, o país é o segundo maior mercado da Shein, atrás apenas dos Estados Unidos. Além disso, o marketplace brasileiro reúne mais de 45 mil vendedores ativos.

Assim, embora o plano de produção local tenha sido redimensionado, a presença comercial continua robusta. Ao mesmo tempo, o episódio evidencia as limitações do modelo de ultrabaixo custo fora da China e reforça a importância da adaptação às condições regulatórias e estruturais brasileiras.

Diante desse cenário, a questão central permanece: a Shein deve insistir na replicação do modelo chinês ou adaptar sua estratégia à realidade industrial do Brasil para garantir expansão sustentável?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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