Com 73,5 milhões de toneladas, portos do Paraná crescem 10% e viram motor da exportação, importação e da economia brasileira.
Os portos do Paraná encerraram 2025 com a movimentação de 73,5 milhões de toneladas, somando exportação e importação, resultado que representa crescimento de 10,1% em relação a 2024.
O avanço, registrado ao longo do ano em terminais como Paranaguá e Antonina, consolidou o complexo como o que mais cresceu proporcionalmente entre os principais portos do Brasil.
O desempenho reflete mudanças operacionais, investimentos em infraestrutura e a força da economia paranaense no comércio exterior.
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De acordo com dados do Comex Stat, divulgados pela autoridade portuária, o salto ocorreu em um contexto de forte demanda do agronegócio e de reorganização logística.
Assim, o Estado ampliou sua relevância estratégica tanto para exportar commodities quanto para garantir a entrada de insumos essenciais à produção nacional.
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Portos do Paraná lideram crescimento no cenário nacional
O desempenho de 2025 colocou os portos do Paraná no topo do ranking de crescimento percentual do país. Em 2024, a movimentação havia sido de 66,7 milhões de toneladas.
Agora, o novo patamar confirma a capacidade de adaptação do complexo portuário a um ambiente econômico mais competitivo.
Além disso, o crescimento ocorreu de forma equilibrada entre diferentes tipos de carga, reforçando a diversificação da pauta logística do Estado.
Isso fortalece a economia regional e amplia a segurança das cadeias de exportação e importação.

Agronegócio puxa exportação e fortalece a economia do Paraná
Entre os produtos embarcados para o exterior, o milho se destacou como o principal vetor de crescimento.
As exportações saltaram de 1,07 milhão de toneladas em 2024 para 5,09 milhões de toneladas em 2025, uma alta expressiva de 375%. O resultado reflete tanto a safra robusta quanto a maior eficiência logística.
A soja manteve papel central na exportação, com 14,6 milhões de toneladas, crescimento de 11% na comparação anual.
Já o farelo de soja atingiu 6,5 milhões de toneladas, avanço de 5%, confirmando a importância do Paraná no processamento e escoamento de derivados agrícolas.
Óleos vegetais, açúcar e celulose ganham espaço nos portos do Paraná
Outro destaque foi o aumento de 32% na movimentação de óleos vegetais, mantendo o Porto de Paranaguá como o principal ponto de saída desse produto no país.
Esse desempenho reforça a competitividade do terminal em cargas de maior valor agregado.
Além disso, a celulose registrou crescimento de 16%, enquanto o açúcar ensacado avançou 15%.
Esses números indicam uma pauta de exportação mais diversificada e menos dependente de um único produto, o que contribui para maior estabilidade econômica.
Madeira e mercado externo enfrentam incertezas
A exportação de madeira totalizou 1,6 milhão de toneladas em 2025, variação de 0,24% frente ao ano anterior.
Os Estados Unidos permaneceram entre os principais destinos do produto. Ao longo do ano, o setor enfrentou instabilidade causada por incertezas tarifárias no mercado norte-americano.
Apesar disso, a confirmação de que a madeira ficaria fora das tarifas anunciadas pelo governo dos EUA permitiu a manutenção do fluxo regular de embarques.
Assim, os portos do Paraná conseguiram preservar sua participação nesse segmento estratégico.
Importação de fertilizantes bate recorde histórico
No sentido inverso do comércio exterior, a importação também teve papel relevante. Os fertilizantes lideraram o volume desembarcado, com 11,61 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 4% e novo recorde histórico.
Paranaguá e Antonina responderam por mais de 25% do consumo nacional do insumo, evidenciando a importância do Paraná para a segurança do agronegócio brasileiro.
O grupo de cereais, que inclui trigo, malte e cevada, também atingiu volume recorde, com 1,10 milhão de toneladas.
Cargas conteinerizadas e proteína animal ampliam participação
As cargas conteinerizadas alcançaram 1,66 milhão de TEUs em 2025, aumento de 7% em relação ao ano anterior.
Com isso, o complexo paranaense concentrou 34% das exportações brasileiras de proteína animal congelada.
A carne de frango manteve volume estável, com 2,8 milhões de toneladas, mesmo após interrupções temporárias provocadas por restrições sanitárias.
Já a carne bovina apresentou crescimento expressivo de 46,5%, totalizando 1,2 milhão de toneladas exportadas.
Investimentos e infraestrutura explicam avanço dos portos do Paraná
Segundo o diretor-presidente Luiz Fernando Garcia, o resultado vai além de um novo recorde. “Não é simplesmente um novo recorde. É uma conquista que reflete em toda a cadeia econômica do nosso estado”, afirmou.
Entre as principais intervenções estão a conclusão da derrocagem da Pedra da Palangana e as dragagens que elevaram o calado operacional para 13,3 metros. Com isso, os navios passaram a embarcar mais carga por escala, aumentando a eficiência da exportação.
Em dezembro, o Porto de Paranaguá registrou o maior embarque de granel vegetal sólido em um único navio: 77 mil toneladas de milho.
A expectativa é que, com a concessão do canal de acesso, a profundidade alcance 15,5 metros, permitindo até 14 mil toneladas adicionais por embarcação.
Novos projetos reforçam papel dos portos na economia
O complexo ferroviário Moegão já ultrapassou 80% de execução e deve ser concluído até fevereiro.
O investimento de R$ 650 milhões ampliará a capacidade anual de recepção para até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos.
Além disso, projetos como o Píer em “T” e o Píer em “F” somam bilhões em investimentos privados.
Desde 2019, nove leilões garantiram R$ 5,1 bilhões para modernizar os portos do Paraná, consolidando o Estado como um dos principais eixos logísticos da economia brasileira.

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