Um ano após Trump voltar à Casa Branca, Davos 2026 mostra crescimento econômico, mas cooperação global em queda livre.
Davos 2026 começa nesta semana em um cenário marcado por um contraste evidente. A economia global segue mostrando resiliência nos indicadores, mas a confiança entre países, empresas e governos apresenta sinais claros de desgaste.
É nesse contexto que o Fórum Econômico Mundial reúne, entre 19 e 23 de janeiro, líderes políticos, empresariais e institucionais em Davos, na Suíça, exatamente um ano após o retorno de trump à Casa Branca.
O encontro ocorre para discutir como crescer, cooperar e investir em um mundo mais fragmentado, com menos previsibilidade e maior disputa por poder econômico.
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Economia global resiste, mas cooperação perde força
Os números que embasam os debates de Davos 2026 indicam que o motor da economia global continua funcionando.
Crescimento, investimentos e inovação seguem ativos em várias regiões. No entanto, o ambiente político e institucional que sustenta essa engrenagem mostra sinais de esgotamento.
A percepção predominante entre líderes empresariais é de que o mundo se tornou menos colaborativo.
Segundo levantamento apresentado pelo World Economic Forum, 85% dos membros de conselhos empresariais afirmam que há “menos” ou “muito menos” cooperação internacional em comércio, capital e inovação do que há um ano.
Veja mais: Relações comerciais EUA-UE entram em alerta com novas tensões geopolíticas
Quando o tema é clima, o cenário é ainda mais pessimista. Para 87% dos executivos ouvidos, a cooperação global retrocedeu, um dado que preocupa diretamente quem decide onde e como investir.
O fator Trump e a nova dinâmica global
O aniversário de um ano do retorno de Donald Trump ao poder adiciona um componente simbólico e prático ao Fórum Econômico Mundial.
O presidente dos Estados Unidos é a principal atração de Davos 2026 e personifica, para muitos participantes, a mudança nas engrenagens da governança internacional.
Ainda assim, o relatório oficial do fórum evita atribuir a crise de confiança exclusivamente a Trump.
O documento descreve o momento atual como uma “nova era global”, marcada por fragmentação contínua, desconfiança crescente e recordes de deslocamentos forçados.
Segundo o texto, a erosão do sistema multilateral vem se aprofundando há pelo menos 15 anos. Desde a crise financeira de 2008, a insatisfação com as regras globais aumentou, agravada por choques sucessivos como a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia, os conflitos no Oriente Médio, a crise energética e o avanço do protecionismo.
Davos 2026 aposta em pragmatismo, não no fim da globalização
Apesar do diagnóstico duro, Davos 2026 não parte da premissa de que a globalização acabou. A leitura predominante é de transformação.
O relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que a cooperação não desapareceu, mas se tornou mais seletiva e pragmática.
Sai o ideal de um mundo sem fronteiras. Entra uma lógica de colaboração “onde e quando” há interesse estratégico.
Esse pragmatismo, visto por alguns como realista e por outros como cínico, deve orientar boa parte das discussões ao longo do encontro.
É com essa abordagem que líderes tentarão avançar em soluções para crises que, apesar das barreiras políticas, continuam ultrapassando fronteiras nacionais.
O que é o Fórum Econômico Mundial e por que ele importa
Criado há mais de cinco décadas, o Fórum Econômico Mundial se consolidou como o principal espaço informal de diálogo entre governos, empresas e organizações internacionais.
Embora não produza decisões vinculantes, Davos funciona como um termômetro do ano econômico.
Ali surgem sinais antecipados sobre comércio, investimentos, política industrial, tecnologia, inovação e cooperação internacional.
Em 2026, o evento ocorre sob o tema “A Spirit of Dialogue”, em um ambiente de normas contestadas e alianças sob pressão.
Agenda de Davos 2026: tensões, transição e tecnologia
A programação de Davos 2026 inclui debates sobre geopolítica, crescimento econômico, comércio internacional, segurança energética, transição climática e inteligência artificial.
O foco central será como reconstruir algum grau de cooperação econômica em meio a tarifas, disputas estratégicas e menor previsibilidade regulatória.
Também ganham destaque temas como mercado de trabalho, requalificação profissional, produtividade, bem-estar social e financiamento da transição energética, além do uso sustentável de recursos naturais.
Quem participa de Davos 2026
A edição deste ano deve reunir cerca de 3.000 participantes de mais de 130 países. São esperados aproximadamente 400 líderes políticos, incluindo quase 65 chefes de Estado e de governo e seis representantes do G7.
Entre os nomes confirmados estão Ursula von der Leyen, Javier Milei, Volodymyr Zelenskyy, Keir Starmer e Mark Carney.
O fórum também reúne líderes de organismos multilaterais, como Kristalina Georgieva, Ngozi Okonjo-Iweala e Ajay Banga, além de cerca de 850 CEOs globais.
Expectativa para o discurso de Trump e o papel da Europa
O discurso de trump é um dos momentos mais aguardados de Davos 2026. Governos europeus, investidores e mercados buscam sinais sobre os próximos passos da política comercial americana, especialmente após ameaças de novas tarifas ligadas a tensões recentes com a Europa.
A expectativa é que Trump reforce o uso de tarifas como instrumento de pressão. O tom adotado em Davos será interpretado como indicativo de abertura ao diálogo ou de uma postura mais confrontacional ao longo de 2026.
Enquanto isso, a União Europeia chega ao fórum discutindo possíveis contramedidas, incluindo tarifas retaliatórias e o uso do Instrumento Anti-Coerção.
Davos, portanto, volta a cumprir seu papel histórico: menos como espaço de consenso e mais como palco de leitura antecipada dos rumos da economia global.

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