1. Início
  2. / Economia
  3. / Efeito Trump domina Davos 2026 e aprofunda rachaduras da economia global
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Efeito Trump domina Davos 2026 e aprofunda rachaduras da economia global

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 19/01/2026 às 09:07
Atualizado em 19/01/2026 às 09:28
Um ano após Trump voltar à Casa Branca, Davos 2026 mostra crescimento econômico, mas cooperação global em queda livre.
Foto: IA
  • Reação
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Um ano após Trump voltar à Casa Branca, Davos 2026 mostra crescimento econômico, mas cooperação global em queda livre.

Davos 2026 começa nesta semana em um cenário marcado por um contraste evidente. A economia global segue mostrando resiliência nos indicadores, mas a confiança entre países, empresas e governos apresenta sinais claros de desgaste.

É nesse contexto que o Fórum Econômico Mundial reúne, entre 19 e 23 de janeiro, líderes políticos, empresariais e institucionais em Davos, na Suíça, exatamente um ano após o retorno de trump à Casa Branca.

O encontro ocorre para discutir como crescer, cooperar e investir em um mundo mais fragmentado, com menos previsibilidade e maior disputa por poder econômico.

Veja mais: Terras raras e IA colocam Brasil no centro da disputa entre China e EUA, mas país perde chance histórica

Economia global resiste, mas cooperação perde força

Os números que embasam os debates de Davos 2026 indicam que o motor da economia global continua funcionando.

Crescimento, investimentos e inovação seguem ativos em várias regiões. No entanto, o ambiente político e institucional que sustenta essa engrenagem mostra sinais de esgotamento.

A percepção predominante entre líderes empresariais é de que o mundo se tornou menos colaborativo.

Segundo levantamento apresentado pelo World Economic Forum, 85% dos membros de conselhos empresariais afirmam que há “menos” ou “muito menos” cooperação internacional em comércio, capital e inovação do que há um ano.

Veja mais: Relações comerciais EUA-UE entram em alerta com novas tensões geopolíticas

Quando o tema é clima, o cenário é ainda mais pessimista. Para 87% dos executivos ouvidos, a cooperação global retrocedeu, um dado que preocupa diretamente quem decide onde e como investir.

O fator Trump e a nova dinâmica global

O aniversário de um ano do retorno de Donald Trump ao poder adiciona um componente simbólico e prático ao Fórum Econômico Mundial.

O presidente dos Estados Unidos é a principal atração de Davos 2026 e personifica, para muitos participantes, a mudança nas engrenagens da governança internacional.

Ainda assim, o relatório oficial do fórum evita atribuir a crise de confiança exclusivamente a Trump.

O documento descreve o momento atual como uma “nova era global”, marcada por fragmentação contínua, desconfiança crescente e recordes de deslocamentos forçados.

Segundo o texto, a erosão do sistema multilateral vem se aprofundando há pelo menos 15 anos. Desde a crise financeira de 2008, a insatisfação com as regras globais aumentou, agravada por choques sucessivos como a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia, os conflitos no Oriente Médio, a crise energética e o avanço do protecionismo.

Davos 2026 aposta em pragmatismo, não no fim da globalização

Apesar do diagnóstico duro, Davos 2026 não parte da premissa de que a globalização acabou. A leitura predominante é de transformação.

O relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que a cooperação não desapareceu, mas se tornou mais seletiva e pragmática.

Sai o ideal de um mundo sem fronteiras. Entra uma lógica de colaboração “onde e quando” há interesse estratégico.

Esse pragmatismo, visto por alguns como realista e por outros como cínico, deve orientar boa parte das discussões ao longo do encontro.

É com essa abordagem que líderes tentarão avançar em soluções para crises que, apesar das barreiras políticas, continuam ultrapassando fronteiras nacionais.

O que é o Fórum Econômico Mundial e por que ele importa

Criado há mais de cinco décadas, o Fórum Econômico Mundial se consolidou como o principal espaço informal de diálogo entre governos, empresas e organizações internacionais.

Embora não produza decisões vinculantes, Davos funciona como um termômetro do ano econômico.

Ali surgem sinais antecipados sobre comércio, investimentos, política industrial, tecnologia, inovação e cooperação internacional.

Em 2026, o evento ocorre sob o tema “A Spirit of Dialogue”, em um ambiente de normas contestadas e alianças sob pressão.

Agenda de Davos 2026: tensões, transição e tecnologia

A programação de Davos 2026 inclui debates sobre geopolítica, crescimento econômico, comércio internacional, segurança energética, transição climática e inteligência artificial.

O foco central será como reconstruir algum grau de cooperação econômica em meio a tarifas, disputas estratégicas e menor previsibilidade regulatória.

Também ganham destaque temas como mercado de trabalho, requalificação profissional, produtividade, bem-estar social e financiamento da transição energética, além do uso sustentável de recursos naturais.

Quem participa de Davos 2026

A edição deste ano deve reunir cerca de 3.000 participantes de mais de 130 países. São esperados aproximadamente 400 líderes políticos, incluindo quase 65 chefes de Estado e de governo e seis representantes do G7.

Entre os nomes confirmados estão Ursula von der Leyen, Javier Milei, Volodymyr Zelenskyy, Keir Starmer e Mark Carney.

O fórum também reúne líderes de organismos multilaterais, como Kristalina Georgieva, Ngozi Okonjo-Iweala e Ajay Banga, além de cerca de 850 CEOs globais.

Expectativa para o discurso de Trump e o papel da Europa

O discurso de trump é um dos momentos mais aguardados de Davos 2026. Governos europeus, investidores e mercados buscam sinais sobre os próximos passos da política comercial americana, especialmente após ameaças de novas tarifas ligadas a tensões recentes com a Europa.

A expectativa é que Trump reforce o uso de tarifas como instrumento de pressão. O tom adotado em Davos será interpretado como indicativo de abertura ao diálogo ou de uma postura mais confrontacional ao longo de 2026.

Enquanto isso, a União Europeia chega ao fórum discutindo possíveis contramedidas, incluindo tarifas retaliatórias e o uso do Instrumento Anti-Coerção.

Davos, portanto, volta a cumprir seu papel histórico: menos como espaço de consenso e mais como palco de leitura antecipada dos rumos da economia global.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x