Grupo Cazanga cria a BioCAZ, investe R$ 80 milhões em bioinsumos e aposta em fábricas para crescer na agricultura.
O Grupo Cazanga anunciou um investimento de R$ 80 milhões para entrar de forma estruturada no mercado de bioinsumos, por meio da criação da empresa BioCAZ, ampliando sua atuação na agricultura.
A iniciativa, em implantação desde 2023, prevê a construção de fábricas em Minas Gerais, início das operações em 2025 e expectativa de alcançar um faturamento bruto acumulado de R$ 400 milhões nos próximos cinco anos.
O movimento ocorre em um momento de expansão do uso de soluções biológicas no campo, impulsionado pela busca por produtividade, sustentabilidade e eficiência no controle de pragas e doenças.
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A nova operação marca a diversificação estratégica do grupo, tradicionalmente ligado à mineração de calcário, para um dos segmentos que mais crescem no agronegócio brasileiro.
A entrada no mercado de bioinsumos também reflete a experiência prática dos controladores como produtores rurais e a visão de longo prazo adotada pelo negócio.
BioCAZ nasce da vivência no campo e de planejamento estratégico
A BioCAZ foi concebida a partir da experiência dos irmãos Bruno e Bernardo Melgaço Vaz, produtores rurais com atuação em Minas Gerais e Mato Grosso.
Ambos representam a segunda geração do Grupo Cazanga, fundado em 1978, e acumulam vivência nas culturas de soja, milho e na pecuária.
O projeto começou a ser estruturado entre o fim de 2022 e ao longo de 2023, com apoio de consultorias especializadas.
Desde então, a iniciativa entrou na fase de implantação industrial, com foco em construir uma base sólida antes da expansão comercial.
A proposta é crescer de forma gradual, validando tecnologias e modelos de negócio antes de avançar em escala.
Fábricas em Minas Gerais concentram produção de bioinsumos
As duas fábricas da BioCAZ estão sendo instaladas no município de Arcos, em Minas Gerais, e terão funções complementares.
A primeira unidade será dedicada à multiplicação de microrganismos à base de bactérias, com capacidade instalada de 1 milhão de litros para inoculantes e mais 1 milhão de litros para defensivos biológicos. A previsão é que essa planta entre em operação em janeiro.
Já a segunda fábrica será voltada à produção de fungos, com capacidade estimada em 200 toneladas, e inauguração prevista para março.
Segundo Bernardo, a estratégia considera fases distintas de crescimento.
“A gente está pensando em dois momentos: um momento de start, com essa capacidade instalada, e depois a validação e o escalonamento das teses”, explicou.
Projeções financeiras e desafio de ganhar escala
O plano de negócios da BioCAZ prevê um faturamento bruto acumulado de aproximadamente R$ 400 milhões em cinco anos.
No primeiro ano de operação, a expectativa é gerar cerca de R$ 20 milhões em receita, com crescimento gradual até atingir aproximadamente R$ 150 milhões no quinto ano.
Apesar do potencial do mercado, o início da operação é visto como desafiador.
“Esse primeiro ano é um ano desafiador, em que a gente vai precisar conseguir alocar as vendas para ganhar escala. Esse talvez seja o nosso maior desafio”, afirmou Bernardo.
Estrutura de custos e fontes de financiamento
Além do investimento em ativos industriais, o projeto envolve uma estrutura operacional relevante. De acordo com Márcio Oshiro, diretor-executivo da BioCAZ, as despesas operacionais devem alcançar entre R$ 20 milhões e R$ 22 milhões em 2026.
“A parte de Opex [despesa operacional] deve girar em 2026 entre R$ 20 milhões e R$ 22 milhões, além dos R$ 80 milhões de CapEx [despesas de capital]”, afirma.
Do total investido, cerca de metade vem de financiamentos junto a órgãos de fomento à inovação, enquanto o restante é composto por recursos próprios do Grupo Cazanga.
Portfólio atende diferentes culturas da agricultura brasileira
O portfólio da BioCAZ será formado por produtos de biotecnologia desenvolvidos a partir de bactérias e fungos.
As soluções são voltadas tanto ao controle de pragas e doenças — como cigarrinhas, mofo-branco e nematoides — quanto ao aumento de produtividade das lavouras.
As aplicações incluem culturas estratégicas da agricultura nacional, como soja, milho, cana-de-açúcar, café, algodão e feijão.
A empresa pretende atender produtores rurais, revendas, cooperativas e também outras indústrias do setor.
Pesquisa, inovação e visão de longo prazo
Atualmente, sete produtos estão em desenvolvimento e devem compor o pipeline da empresa ao longo dos próximos cinco anos.
Entre eles, estão dois inoculantes à base de bactérias e três soluções formuladas com fungos. Parte dessas tecnologias ainda passará por testes de campo e etapas regulatórias.
Para acelerar a inovação, a BioCAZ firmou parcerias com instituições como Embrapa Agrobiologia, USP/Esalq e Instituto Biológico, além de startups e empresas privadas.
Há também pesquisas voltadas à mitigação de estresses climáticos, como déficit hídrico, e à melhoria da solubilização de nutrientes no solo.
Mesmo diante de um cenário de crédito mais cauteloso, o grupo mantém uma estratégia de longo prazo.
“Não deixa de ser um ano com cautela com crédito, mas o agricultor continua plantando e continua precisando tratar a lavoura”, disse Bruno. Já Bernardo reforça: “Eu não penso no agora, eu penso no que esse negócio vai ser daqui a 5, 10 anos. Esse tem sido o nosso pensamento, de longo prazo mesmo”.

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