Singapura aprovou um pacote de US$ 8 bilhões para remodelar o Marina Bay Sands, criar a torre IR2 de 55 andares, somar 570 suítes, 23 mansões, arena para 15.000 pessoas e novo cassino, elevando o foco nos ultra ricos e enfrentando críticas ao novo desenho do skyline de Singapura hoje.
Singapura decidiu colocar US$ 8 bilhões no Marina Bay Sands para reposicionar seu edifício mais icônico como um ímã para os hóspedes mais ricos do mundo, com uma quarta torre, arena e cassino, e com ambição explícita de competir com Dubai, Hong Kong e Bangkok.
O projeto não é apenas “mais quartos”. É uma mudança de estratégia, saindo do turismo de luxo tradicional e mirando os ultra ricos, o público de jatos particulares, compras sem olhar preço e demanda por experiências exclusivas, em um mercado asiático em expansão e cada vez mais disputado.
Um símbolo construído para impressionar desde 2010

Quando o Marina Bay Sands abriu as portas em 2010, ele não foi tratado como um hotel com cassino comum.
-
Basta mistura cimento e resina acrílica e surge uma tinta emborrachada que promete impermeabilizar lajes, pisos e calçadas: fórmula simples com pigmento, secagem em 24 horas e até duas demãos extras de resina para reforçar a resistência à água.
-
Brasileiro constrói casa com pedras e leva 20 anos erguendo sozinho nas montanhas de SC: mais de 2.000 rochas talhadas à mão, 5 milhões de marretadas e dois andares sem engenheiro impressionam visitantes
-
China constrói gigantesca árvore de aço de 57 metros em Xi’an inspirada nas árvores ginkgo da antiga Rota da Seda, estrutura monumental criada para se tornar um novo marco arquitetônico e simbolizar séculos de comércio, cultura e conexão entre Europa e Ásia
-
Sem máquinas e usando técnicas artesanais, homem constrói uma casa de madeira com energia solar e mostra na prática como funciona uma construção sustentável
Ele nasceu como uma declaração de intenções de Singapura, erguido em terrenos aterrados na Marina Bay e desenhado para ser reconhecido instantaneamente em qualquer foto do mundo.
O conjunto original ficou famoso por três torres conectadas no topo pelo SkyPark, uma estrutura que virou cartão postal: uma plataforma que lembra uma prancha de surfe com piscina infinita e um mirante em balanço que se tornou um dos pontos mais visitados, inclusive por pessoas que não estão hospedadas no hotel.
O edifício foi pensado para ser destino por si só, não apenas hospedagem.
O tamanho do complexo original e o “efeito dominó” no mercado

A escala do Marina Bay Sands já nasceu fora do padrão. O complexo original reuniu 2.560 quartos, um cassino, centro de convenções, shopping com dois cinemas e um museu em formato de flor de lótus, o Museu de Arte e Ciência, descrito como uma obra arquitetônica por si só.
Esse museu foi concebido com dois espaços de exposição, um dentro da estrutura em formato de flor e outro subterrâneo, em galerias abaixo de um jardim de nenúfares.
O resultado foi um resort que, ao inaugurar, não apenas deu certo: dominou o mercado e começou a gerar bilhões em receita em poucos anos.
A avaliação citada aponta que o Marina Bay Sands provavelmente é o cassino mais lucrativo do mundo e a liderança da empresa por trás do projeto o descreveu como o resort de maior sucesso da história.
Na prática, o empreendimento colocou Singapura no mapa como destino dos ultra ricos, um papel que o país demonstra interesse em fortalecer.
Por que expandir algo que já lidera em 2024
A expansão parece contraintuitiva à primeira vista porque o Marina Bay Sands já estava no topo. Em 2024, o resort liderou gráficos de marcas globais de cassino mais valiosas. Ainda assim, o contexto mudou.
O mercado turístico da Ásia está em expansão e a previsão apresentada é de continuidade na próxima década, com crescimento médio de 6,7% ao ano. Com mais dinheiro circulando, mais países competem pela receita e pelo título de principal base de operações na Ásia, buscando ser o “ponto de entrada” entre Oriente e Ocidente.
Dubai constrói mega resorts, Hong Kong ampliou o aeroporto e Bangkok está construindo em grande escala. Nesse cenário, a resposta escolhida foi direta: construir mais, elevar o padrão e proteger a posição de vitrine premium.
Singapura decide gastar mais do que os rivais
A estratégia ganha ainda mais peso quando comparada aos concorrentes. O Atlantis The Royal, em Dubai, inaugurado em 2023, custou mais de US$ 1,5 bilhão. Já as fases 3 e 4 do Galaxy Macau custaram juntas até US$ 6,4 bilhões.
Ao anunciar US$ 8 bilhões para modernizar o Marina Bay Sands, Singapura sinaliza que pretende ultrapassar os outros pelo volume de investimento e pelo grau de ambição. A lógica repetida do projeto é simples: maior e melhor.
A engenharia por trás do Marina Bay Sands e por que ele custa caro
O Marina Bay Sands original exigiu soluções de engenharia que ajudam a explicar tanto a fama quanto os custos.
A construção demandou escavação de 18 metros de profundidade, quase seis andares abaixo da superfície, em um terreno de lama, antes de erguer torres com curvas únicas.
O SkyPark, que conecta as três torres, tem mais de 340 metros de comprimento, maior do que a altura da Torre Eiffel. Ele é formado por 14 segmentos de aço construídos fora do local. Dois dos maiores segmentos, juntos, formam o balanço de 66,5 metros que se projeta além da borda do edifício.
A operação de colocar esses segmentos no alto e fixá-los nas torres foi descrita como uma façanha em si. Foram necessárias mais de 16 horas seguidas apenas para elevar as peças até aquela altura.
E a piscina infinita no topo não é um simples “luxo estético”: ela precisa permanecer nivelada mesmo com o movimento das torres.
As torres balançam com o vento e se movem com o tempo por acomodação do terreno. Por isso, o SkyPark conta com 500 macacos hidráulicos fazendo microajustes para manter a piscina sempre perfeitamente nivelada.
Toda essa engenharia se refletiu no preço: na inauguração, o Marina Bay Sands foi o cassino independente mais caro já construído, com custo de US$ 5,7 bilhões, ou cerca de US$ 8,5 bilhões em valores atuais segundo a estimativa citada.
A quarta torre IR2: o que muda na prática
A nova fase tem nome de trabalho: IR2, abreviação de Integrated Resort 2, um conceito de “tudo em um só lugar”, combinando hotel com cassino, convenções, feiras, varejo e entretenimento integrado.
A IR2 terá 55 andares e vai adicionar 570 suítes de luxo. A proposta divulgada pelo Marina Bay Sands é que essas suítes sejam mais sofisticadas e mais privativas do que as das outras torres.
A mudança central é de público alvo: de turistas ricos para ultra ricos, o tipo de hóspede que compra tempo, exclusividade e acesso.
Além das 570 suítes, a torre inclui 23 suítes gigantes chamadas de “mansões”.
Também haverá um cassino próprio e uma arena de entretenimento para 15.000 pessoas, além de novos espaços para convenções e exposições.
Design da torre: asas curvas, rotação e vistas calculadas
O formato da IR2 é descrito como incomum.
Ela terá asas curvas que se elevam do topo à base e toda a torre ficará girada 45 graus em relação aos edifícios existentes.
Essa curva e a orientação foram pensadas para oferecer vistas tanto da Marina Bay quanto do Estreito de Singapura.
A fachada exibirá terraços ajardinados que crescem à medida que a torre sobe, criando um efeito visual de camadas de verde e volumes escalonados.
No topo, a torre será coroada pelo SkyLoop, com mais de 7.000 metros quadrados, descrito como decks sobrepostos em formato de bumerangue, curvados em direções opostas e encaixados entre si.
Esses decks são compostos por painéis que lembram escamas de peixe, e cada painel será iluminado individualmente para fazer a superfície brilhar à noite.
A ideia é produzir um novo ícone luminoso no horizonte de Singapura.
A arena e o “efeito Las Vegas” no coração de Singapura
A arena tenta se destacar por associação direta com grandes projetos internacionais.
Ela está sendo projetada pelos mesmos arquitetos que criaram a Sphere, em Las Vegas, um detalhe usado para sugerir que a IR2 quer operar no mesmo patamar de espetáculos e experiências.
A promessa é criar um espaço para 15.000 pessoas assistirem a shows com o horizonte de Singapura como pano de fundo, transformando a arena em mais um motor de fluxo, consumo e permanência dentro do complexo.
Como a IR2 vai se encaixar com as três torres originais
O objetivo declarado é que a IR2 funcione como um ícone independente que complemente as três torres originais, encaixando e se destacando ao mesmo tempo. Uma característica em comum será a fachada curva em prata e vidro.
As semelhanças entre o SkyPark e o novo SkyLoop também foram pensadas para “unificar” o conjunto visual, evitando que a nova torre pareça um corpo estranho completo.
Ambos os projetos são atribuídos à visão do mesmo arquiteto, Moshe Safdie, descrito como alguém que busca criar edifícios que se tornem destinos por si só.
Nesse pacote de referências, aparece também outro ícone associado a Safdie em Singapura: o Jewel, ligado ao aeroporto, descrito como shopping e centro de entretenimento que abriga a cachoeira interna mais alta do mundo.
A expansão do Marina Bay Sands estaria sendo trabalhada há vários anos dentro dessa mesma lógica de “arquitetura destino”.
Mudanças desde 2019: localização, funcionalidade e o salto do preço
O projeto original revelado em 2019 colocava a quarta torre bem ao lado das outras três e previa mais suítes menores. Esses planos ficaram inalterados por alguns anos.
Conforme a decisão de construir se aproximou, a equipe propôs uma troca de localização entre torre e arena, apresentada como escolha prática e de design.
A mudança teria facilitado o acesso às novas estruturas, reorganizando a lógica de circulação e chegada.
Mas a mudança mais sensível foi o preço.
Em 2019, a expansão era citada em US$ 3,3 bilhões. Agora, o número divulgado é US$ 8 bilhões.
Parte disso foi atribuída a aumento de custos de materiais e mão de obra desde a pandemia e à inflação, além do encarecimento causado pela guinada para suítes de ultra luxo.
O início das obras, o calendário e a promessa de entrega
A construção da IR2 teve início com a cerimônia de lançamento da pedra fundamental em julho de 2025. Foi ali que mais pessoas começaram a notar o projeto e discutir seu design.
A previsão apresentada é de inauguração em janeiro de 2031.
Ou seja, trata-se de um plano de médio prazo com impacto prolongado, tanto pela obra em si quanto pelo reposicionamento do turismo de alto padrão que Singapura quer consolidar.
A controvérsia: estética, simetria e reação do público
As reações ao projeto foram descritas como mistas. Parte dos críticos online acredita que a quarta torre vai se destacar demais e quebrar a simetria do conjunto original.
Houve até comparações depreciativas, como a de que a torre pareceria um “desumidificador gigante”.
Em resposta, o arquiteto argumentou que, no fim, as pessoas sentirão que a nova estrutura “sempre esteve ali” e defendeu a ideia de que a soma dos dois conjuntos, o original e o novo, será maior do que a soma de partes isoladas.
O debate virou um choque entre preservação do ícone e ambição por um novo ícone.
O pano de fundo maior: a transformação contínua da costa sul
A expansão do Marina Bay Sands aparece como parte de um pacote mais amplo, chamado de Grande Orla Sul, descrito como um plano de várias décadas para realocar portos e transformar a costa sul de Singapura em área imobiliária premium, voltada para morar, trabalhar e gastar.
Nesse contexto, a expansão contínua vira uma política de identidade: a ideia de que o país está sempre em construção.
Um pronunciamento de 2024 resumiu essa mentalidade com uma frase direta: “Nunca terminamos de construir Singapura.”
O que está realmente em jogo com essa aposta bilionária
O Marina Bay Sands já foi símbolo de uma era, quando Singapura mostrou ao mundo que poderia criar um megaprojeto reconhecido instantaneamente e financeiramente dominante.
Agora, a IR2 tenta repetir o efeito com outra ambição: elevar o teto do luxo, atrair os hóspedes mais ricos do planeta e manter Singapura como porta de entrada privilegiada entre Ásia e Ocidente.
Ao mesmo tempo, o país aceita o custo da controvérsia: mexer no principal cartão postal, arriscar críticas sobre o desenho e apostar que, quando a obra estiver pronta, o novo conjunto será visto como inevitável, não como erro.
Na sua opinião, Singapura acerta ao redesenhar seu maior símbolo para perseguir os ultra ricos, ou essa quarta torre pode enfraquecer a identidade do Marina Bay Sands no horizonte do país?

I’m sure it’s the best strategy to build IR2 now ; to complement T5 Changi Airport. Focus towards UHNWIs ✍️