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Singapura decide investir US$ 8 bilhões no Marina Bay Sands, erguer uma quarta torre com arena e cassino, mirar bilionários globais, competir com Dubai e Hong Kong, e aceitar críticas ao redesenhar edifício símbolo do país

Publicado em 17/01/2026 às 23:49
Atualizado em 17/01/2026 às 23:52
Singapura investe no Marina Bay Sands com quarta torre, arena e cassino para atrair ultra ricos e reforçar sua posição global no turismo de luxo.
Singapura investe no Marina Bay Sands com quarta torre, arena e cassino para atrair ultra ricos e reforçar sua posição global no turismo de luxo.
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Singapura aprovou um pacote de US$ 8 bilhões para remodelar o Marina Bay Sands, criar a torre IR2 de 55 andares, somar 570 suítes, 23 mansões, arena para 15.000 pessoas e novo cassino, elevando o foco nos ultra ricos e enfrentando críticas ao novo desenho do skyline de Singapura hoje.

Singapura decidiu colocar US$ 8 bilhões no Marina Bay Sands para reposicionar seu edifício mais icônico como um ímã para os hóspedes mais ricos do mundo, com uma quarta torre, arena e cassino, e com ambição explícita de competir com Dubai, Hong Kong e Bangkok.

O projeto não é apenas “mais quartos”. É uma mudança de estratégia, saindo do turismo de luxo tradicional e mirando os ultra ricos, o público de jatos particulares, compras sem olhar preço e demanda por experiências exclusivas, em um mercado asiático em expansão e cada vez mais disputado.

Um símbolo construído para impressionar desde 2010

Quando o Marina Bay Sands abriu as portas em 2010, ele não foi tratado como um hotel com cassino comum.

Ele nasceu como uma declaração de intenções de Singapura, erguido em terrenos aterrados na Marina Bay e desenhado para ser reconhecido instantaneamente em qualquer foto do mundo.

O conjunto original ficou famoso por três torres conectadas no topo pelo SkyPark, uma estrutura que virou cartão postal: uma plataforma que lembra uma prancha de surfe com piscina infinita e um mirante em balanço que se tornou um dos pontos mais visitados, inclusive por pessoas que não estão hospedadas no hotel.

O edifício foi pensado para ser destino por si só, não apenas hospedagem.

O tamanho do complexo original e o “efeito dominó” no mercado

A escala do Marina Bay Sands já nasceu fora do padrão. O complexo original reuniu 2.560 quartos, um cassino, centro de convenções, shopping com dois cinemas e um museu em formato de flor de lótus, o Museu de Arte e Ciência, descrito como uma obra arquitetônica por si só.

Esse museu foi concebido com dois espaços de exposição, um dentro da estrutura em formato de flor e outro subterrâneo, em galerias abaixo de um jardim de nenúfares.

O resultado foi um resort que, ao inaugurar, não apenas deu certo: dominou o mercado e começou a gerar bilhões em receita em poucos anos.

A avaliação citada aponta que o Marina Bay Sands provavelmente é o cassino mais lucrativo do mundo e a liderança da empresa por trás do projeto o descreveu como o resort de maior sucesso da história.

Na prática, o empreendimento colocou Singapura no mapa como destino dos ultra ricos, um papel que o país demonstra interesse em fortalecer.

Por que expandir algo que já lidera em 2024

A expansão parece contraintuitiva à primeira vista porque o Marina Bay Sands já estava no topo. Em 2024, o resort liderou gráficos de marcas globais de cassino mais valiosas. Ainda assim, o contexto mudou.

O mercado turístico da Ásia está em expansão e a previsão apresentada é de continuidade na próxima década, com crescimento médio de 6,7% ao ano. Com mais dinheiro circulando, mais países competem pela receita e pelo título de principal base de operações na Ásia, buscando ser o “ponto de entrada” entre Oriente e Ocidente.

Dubai constrói mega resorts, Hong Kong ampliou o aeroporto e Bangkok está construindo em grande escala. Nesse cenário, a resposta escolhida foi direta: construir mais, elevar o padrão e proteger a posição de vitrine premium.

Singapura decide gastar mais do que os rivais

A estratégia ganha ainda mais peso quando comparada aos concorrentes. O Atlantis The Royal, em Dubai, inaugurado em 2023, custou mais de US$ 1,5 bilhão. Já as fases 3 e 4 do Galaxy Macau custaram juntas até US$ 6,4 bilhões.

Ao anunciar US$ 8 bilhões para modernizar o Marina Bay Sands, Singapura sinaliza que pretende ultrapassar os outros pelo volume de investimento e pelo grau de ambição. A lógica repetida do projeto é simples: maior e melhor.

A engenharia por trás do Marina Bay Sands e por que ele custa caro

O Marina Bay Sands original exigiu soluções de engenharia que ajudam a explicar tanto a fama quanto os custos.

A construção demandou escavação de 18 metros de profundidade, quase seis andares abaixo da superfície, em um terreno de lama, antes de erguer torres com curvas únicas.

O SkyPark, que conecta as três torres, tem mais de 340 metros de comprimento, maior do que a altura da Torre Eiffel. Ele é formado por 14 segmentos de aço construídos fora do local. Dois dos maiores segmentos, juntos, formam o balanço de 66,5 metros que se projeta além da borda do edifício.

A operação de colocar esses segmentos no alto e fixá-los nas torres foi descrita como uma façanha em si. Foram necessárias mais de 16 horas seguidas apenas para elevar as peças até aquela altura.

E a piscina infinita no topo não é um simples “luxo estético”: ela precisa permanecer nivelada mesmo com o movimento das torres.

As torres balançam com o vento e se movem com o tempo por acomodação do terreno. Por isso, o SkyPark conta com 500 macacos hidráulicos fazendo microajustes para manter a piscina sempre perfeitamente nivelada.

Toda essa engenharia se refletiu no preço: na inauguração, o Marina Bay Sands foi o cassino independente mais caro já construído, com custo de US$ 5,7 bilhões, ou cerca de US$ 8,5 bilhões em valores atuais segundo a estimativa citada.

A quarta torre IR2: o que muda na prática

A nova fase tem nome de trabalho: IR2, abreviação de Integrated Resort 2, um conceito de “tudo em um só lugar”, combinando hotel com cassino, convenções, feiras, varejo e entretenimento integrado.

A IR2 terá 55 andares e vai adicionar 570 suítes de luxo. A proposta divulgada pelo Marina Bay Sands é que essas suítes sejam mais sofisticadas e mais privativas do que as das outras torres.

A mudança central é de público alvo: de turistas ricos para ultra ricos, o tipo de hóspede que compra tempo, exclusividade e acesso.

Além das 570 suítes, a torre inclui 23 suítes gigantes chamadas de “mansões”.

Também haverá um cassino próprio e uma arena de entretenimento para 15.000 pessoas, além de novos espaços para convenções e exposições.

Design da torre: asas curvas, rotação e vistas calculadas

O formato da IR2 é descrito como incomum.

Ela terá asas curvas que se elevam do topo à base e toda a torre ficará girada 45 graus em relação aos edifícios existentes.

Essa curva e a orientação foram pensadas para oferecer vistas tanto da Marina Bay quanto do Estreito de Singapura.

A fachada exibirá terraços ajardinados que crescem à medida que a torre sobe, criando um efeito visual de camadas de verde e volumes escalonados.

No topo, a torre será coroada pelo SkyLoop, com mais de 7.000 metros quadrados, descrito como decks sobrepostos em formato de bumerangue, curvados em direções opostas e encaixados entre si.

Esses decks são compostos por painéis que lembram escamas de peixe, e cada painel será iluminado individualmente para fazer a superfície brilhar à noite.

A ideia é produzir um novo ícone luminoso no horizonte de Singapura.

A arena e o “efeito Las Vegas” no coração de Singapura

A arena tenta se destacar por associação direta com grandes projetos internacionais.

Ela está sendo projetada pelos mesmos arquitetos que criaram a Sphere, em Las Vegas, um detalhe usado para sugerir que a IR2 quer operar no mesmo patamar de espetáculos e experiências.

A promessa é criar um espaço para 15.000 pessoas assistirem a shows com o horizonte de Singapura como pano de fundo, transformando a arena em mais um motor de fluxo, consumo e permanência dentro do complexo.

Como a IR2 vai se encaixar com as três torres originais

O objetivo declarado é que a IR2 funcione como um ícone independente que complemente as três torres originais, encaixando e se destacando ao mesmo tempo. Uma característica em comum será a fachada curva em prata e vidro.

As semelhanças entre o SkyPark e o novo SkyLoop também foram pensadas para “unificar” o conjunto visual, evitando que a nova torre pareça um corpo estranho completo.

Ambos os projetos são atribuídos à visão do mesmo arquiteto, Moshe Safdie, descrito como alguém que busca criar edifícios que se tornem destinos por si só.

Nesse pacote de referências, aparece também outro ícone associado a Safdie em Singapura: o Jewel, ligado ao aeroporto, descrito como shopping e centro de entretenimento que abriga a cachoeira interna mais alta do mundo.

A expansão do Marina Bay Sands estaria sendo trabalhada há vários anos dentro dessa mesma lógica de “arquitetura destino”.

Mudanças desde 2019: localização, funcionalidade e o salto do preço

Vídeo do YouTube

O projeto original revelado em 2019 colocava a quarta torre bem ao lado das outras três e previa mais suítes menores. Esses planos ficaram inalterados por alguns anos.

Conforme a decisão de construir se aproximou, a equipe propôs uma troca de localização entre torre e arena, apresentada como escolha prática e de design.

A mudança teria facilitado o acesso às novas estruturas, reorganizando a lógica de circulação e chegada.

Mas a mudança mais sensível foi o preço.

Em 2019, a expansão era citada em US$ 3,3 bilhões. Agora, o número divulgado é US$ 8 bilhões.

Parte disso foi atribuída a aumento de custos de materiais e mão de obra desde a pandemia e à inflação, além do encarecimento causado pela guinada para suítes de ultra luxo.

O início das obras, o calendário e a promessa de entrega

A construção da IR2 teve início com a cerimônia de lançamento da pedra fundamental em julho de 2025. Foi ali que mais pessoas começaram a notar o projeto e discutir seu design.

A previsão apresentada é de inauguração em janeiro de 2031.

Ou seja, trata-se de um plano de médio prazo com impacto prolongado, tanto pela obra em si quanto pelo reposicionamento do turismo de alto padrão que Singapura quer consolidar.

A controvérsia: estética, simetria e reação do público

As reações ao projeto foram descritas como mistas. Parte dos críticos online acredita que a quarta torre vai se destacar demais e quebrar a simetria do conjunto original.

Houve até comparações depreciativas, como a de que a torre pareceria um “desumidificador gigante”.

Em resposta, o arquiteto argumentou que, no fim, as pessoas sentirão que a nova estrutura “sempre esteve ali” e defendeu a ideia de que a soma dos dois conjuntos, o original e o novo, será maior do que a soma de partes isoladas.

O debate virou um choque entre preservação do ícone e ambição por um novo ícone.

O pano de fundo maior: a transformação contínua da costa sul

A expansão do Marina Bay Sands aparece como parte de um pacote mais amplo, chamado de Grande Orla Sul, descrito como um plano de várias décadas para realocar portos e transformar a costa sul de Singapura em área imobiliária premium, voltada para morar, trabalhar e gastar.

Nesse contexto, a expansão contínua vira uma política de identidade: a ideia de que o país está sempre em construção.

Um pronunciamento de 2024 resumiu essa mentalidade com uma frase direta: “Nunca terminamos de construir Singapura.”

O que está realmente em jogo com essa aposta bilionária

O Marina Bay Sands já foi símbolo de uma era, quando Singapura mostrou ao mundo que poderia criar um megaprojeto reconhecido instantaneamente e financeiramente dominante.

Agora, a IR2 tenta repetir o efeito com outra ambição: elevar o teto do luxo, atrair os hóspedes mais ricos do planeta e manter Singapura como porta de entrada privilegiada entre Ásia e Ocidente.

Ao mesmo tempo, o país aceita o custo da controvérsia: mexer no principal cartão postal, arriscar críticas sobre o desenho e apostar que, quando a obra estiver pronta, o novo conjunto será visto como inevitável, não como erro.

Na sua opinião, Singapura acerta ao redesenhar seu maior símbolo para perseguir os ultra ricos, ou essa quarta torre pode enfraquecer a identidade do Marina Bay Sands no horizonte do país?

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Sani
Sani
19/01/2026 09:47

I’m sure it’s the best strategy to build IR2 now ; to complement T5 Changi Airport. Focus towards UHNWIs ✍️

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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