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Elon Musk não para e mira nova fronteira militar: SpaceX e xAI entram na disputa secreta do Pentágono por enxame de drones autônomos controlados por voz

Publicado em 17/02/2026 às 14:11
Atualizado em 17/02/2026 às 14:12
Elon Musk, Musk, Drones, SpaceX
Imagem: Ilustração artística feita por IA
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Projeto de US$ 100 milhões prevê desenvolvimento em cinco fases, envolvendo software de comandos de voz, testes em campo e uso ofensivo, enquanto especialistas alertam para riscos e limites operacionais

A entrada simultânea de duas empresas ligadas a Elon Musk em uma nova e sigilosa licitação do Pentágono adicionou uma camada extra de atenção ao debate sobre inteligência artificial aplicada à guerra.

A SpaceX e a xAI, subsidiária integral criada por Musk, estão entre os participantes selecionados para disputar o contrato de US$ 100 milhões lançado em janeiro, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

Disputa silenciosa por tecnologia sensível

O projeto tem duração prevista de seis meses e busca desenvolver tecnologia avançada de enxame de drones autônomos controlados por voz.

A proposta central envolve a conversão de comandos de voz em instruções digitais capazes de coordenar múltiplos drones simultaneamente, em operações no ar e no mar.

Embora voar vários drones ao mesmo tempo já seja tecnicamente viável, o desenvolvimento de software que os faça atuar como um enxame, com deslocamento autônomo em direção a um alvo, ainda é considerado um desafio.

As fontes afirmam que a licitação será conduzida em fases, com progressão baseada no desempenho e no interesse dos participantes.

A iniciativa foi lançada em conjunto pela Defense Innovation Unit e pelo Defense Autonomous Warfare Group, conhecido como DAWG.

Nenhuma das instituições respondeu aos pedidos de comentário. O US Special Operations Command, responsável pelo DAWG, também se recusou a comentar.

Movimento inédito e potencialmente controverso de Elon Musk

A presença da SpaceX e da xAI nessa frente de desenvolvimento de armas com IA representa um passo inédito para as empresas de Elon Musk.

O empresário já se manifestou publicamente em favor de restrições à criação de novas ferramentas destinadas a matar pessoas. Ainda assim, é reconhecido como entusiasta do avanço da inteligência artificial.

SpaceX e xAI não responderam aos pedidos de comentário sobre sua participação. A ausência de posicionamento oficial intensificou especulações dentro do setor de defesa e entre observadores do mercado de tecnologia.

Cinco fases e foco ofensivo

Segundo o anúncio feito em janeiro por um representante do Departamento de Defesa, o projeto será desenvolvido em cinco fases.

A primeira etapa será dedicada exclusivamente à criação do software, antes da utilização de plataformas reais.

Em seguida, estão previstos testes em campo e avanços em recursos descritos como consciência situacional e compartilhamento relacionados a alvos.

A fase final contempla operações desde o lançamento até a finalização.

No comunicado, o Departamento de Defesa destacou que os drones terão uso ofensivo. Também enfatizou que a interação homem-máquina impactará diretamente a letalidade e a eficácia desses sistemas.

Credenciais de segurança e contratações estratégicas

A xAI iniciou recentemente uma ofensiva de contratações para recrutar engenheiros baseados em Washington ou na Costa Oeste com credencial de segurança ativa dos EUA nos níveis secret ou top secret.

De acordo com informações disponíveis no site da empresa, a companhia procura profissionais com experiência em agências governamentais, DoD ou contratantes federais em projetos de IA, software ou dados. Um dos anúncios menciona prazo de conclusão do processo seletivo em até uma semana.

Em dezembro, a xAI informou ter firmado contratos com o Pentágono para integrar seu chatbot Grok a sistemas governamentais, com o objetivo de capacitar militares e civis.

A empresa já havia fechado um contrato de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa para integrar suas soluções a sistemas militares.

Elon Musk: SpaceX e o histórico no setor de defesa

Embora contratada de defesa há anos, a SpaceX concentrou seus esforços principalmente em foguetes reutilizáveis e satélites voltados à exploração espacial, comunicações militares e sistemas de inteligência.

A empresa fornece foguetes ao lado de Boeing Co. e Lockheed Martin Corp. para o lançamento dos satélites mais sensíveis do Pentágono.

Até aqui, não era reconhecida por desenvolver software voltado a armas ofensivas.

Empresas de Elon Musk: Fusão bilionária amplia escopo

Fundada por Elon Musk em 2023, a xAI controla sua startup de IA, a rede social X e o chatbot Grok. Há poucas semanas, a empresa concordou em se fundir com a SpaceX em um acordo avaliado em US$ 1,25 trilhão.

A companhia carrega bilhões de dólares em dívida, enfrenta concorrentes capitalizados e maior escrutínio regulatório após seu chatbot divulgar imagens sexualizadas. Também gera receita significativamente menor que a SpaceX.

Ao anunciar a fusão, Musk afirmou que a aquisição criaria o mais ambicioso mecanismo de inovação verticalmente integrado na Terra e fora dela, reunindo IA, foguetes, internet via satélite, comunicações diretas com dispositivos móveis e a principal plataforma global de informação em tempo real e liberdade de expressão. O comunicado não mencionou integração das empresas em projetos de armas.

OpenAI adota postura restritiva

A OpenAI apoia uma proposta apresentada pela Applied Intuition, segundo a Bloomberg. De acordo com o documento analisado pela Bloomberg, a OpenAI limitará sua participação ao elemento de controle de missão, convertendo comandos de voz e outras instruções em comandos digitais.

Sua tecnologia não será usada na operação do enxame de drones, na integração de armas ou na definição de alvos.

Um porta-voz afirmou que ferramentas de código aberto foram incluídas em propostas de duas empresas parceiras e que qualquer uso estará alinhado à política de utilização da companhia.

Preocupações internas e debate ético

A perspectiva de integrar chatbots e comandos de voz convertidos em texto a plataformas de armas tem provocado preocupação até mesmo entre integrantes da área de defesa.

Fontes relatam que será crucial limitar o uso de IA generativa à tradução de comandos, evitando que ela controle o comportamento dos drones.

Alguns envolvidos expressaram receio quanto aos riscos de usar IA generativa para transformar comandos de voz em decisões operacionais sem supervisão humana.

Modelos de linguagem de grande escala, que sustentam chatbots, estão sujeitos a vieses e às chamadas alucinações, quando geram respostas sem base factual.

Historicamente, contratos de defesa já causaram tensões em empresas de tecnologia. Em 2018, funcionários do Google protestaram contra o Projeto Maven, iniciativa do Pentágono que previa uso de IA para analisar imagens de drones.

Hoje, o debate ressurge em um cenário onde inovação tecnológica, interesses militares e preocupações éticas caminham lado a lado.

Artigo feito com base em dados de um artigo do Infomoney.

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Romário Pereira de Carvalho

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