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Criado em 1999, o site Submarino virou referência no e-commerce brasileiro, faturou milhões, abriu capital, enfrentou gigantes globais como Amazon e Mercado Livre e foi encerrado após a crise da Americanas

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 23/12/2025 às 08:06
O Submarino, site que ajudou a popularizar o e-commerce no Brasil, foi encerrado após 25 anos. Entenda como o mercado mudou e por que a marca foi incorporada.
O Submarino, site que ajudou a popularizar o e-commerce no Brasil, foi encerrado após 25 anos. Entenda como o mercado mudou e por que a marca foi incorporada.
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O Submarino, site que ajudou a popularizar o e-commerce no Brasil, foi encerrado após 25 anos. Entenda como o mercado mudou e por que a marca foi incorporada.

O Submarino, site que marcou o início das compras online no Brasil, encerrou sua trajetória como marca independente em 2024, após mais de duas décadas de atuação.

Criado em 1999, o site foi incorporado definitivamente à plataforma Americanas como parte de uma reestruturação empresarial que refletiu mudanças profundas no mercado digital.

O que começou como inovação e referência acabou sendo absorvido pela própria evolução do e-commerce, em um processo que envolve concorrência global, fusões e crise financeira.

Submarino surgiu quando comprar pela internet ainda era novidade

No fim dos anos 1990, comprar pela internet ainda causava desconfiança no Brasil.

Foi nesse cenário que o site Submarino surgiu, fundado por Antônio Bonchristiano, Marcelo Ballona e Flávio Jansen.

A empresa nasceu a partir da aquisição da Booknet, considerada a primeira livraria virtual do país.

A partir daí, o Submarino ampliou rapidamente seu catálogo, passando a vender livros, CDs, DVDs, brinquedos e eletrônicos.

O nome escolhido tinha um objetivo estratégico: “Submarino” podia ser escrito da mesma forma em português e espanhol, facilitando uma possível expansão internacional.

Crescimento rápido transformou o site em referência nacional

O crescimento do Submarino foi acelerado. Logo no primeiro mês de operação, o site faturou cerca de R$ 1 milhão, um número expressivo para a época.

Quatro anos após a fundação, a plataforma já havia alcançado a marca de 1 milhão de clientes cadastrados.

Assim, o Submarino se consolidou como um dos principais símbolos do comércio eletrônico brasileiro no início dos anos 2000.

Esse sucesso levou a empresa a abrir capital na Bolsa de Valores, levantando aproximadamente R$ 472 milhões em seu IPO, o que reforçou sua posição de destaque no mercado digital.

A entrada da Americanas mudou o papel do Submarino

Em 2006, o site Submarino foi adquirido pelo grupo Americanas. A partir desse movimento, passou a integrar a B2W Digital, que também controlava outras marcas relevantes do e-commerce.

Com o tempo, os fundadores deixaram a operação, e o Submarino passou a atuar dentro de uma estrutura corporativa maior.

Ainda assim, a marca continuou ativa e reconhecida pelos consumidores por muitos anos.

No entanto, o mercado digital começou a mudar de forma acelerada, com o surgimento e fortalecimento de grandes marketplaces globais.

Concorrência global reduziu espaço do site Submarino

A partir da década de 2010, o Brasil passou a receber gigantes do comércio eletrônico, como Amazon, Mercado Livre, Shopee e AliExpress.

Esses players operam com modelos mais agressivos de preço, logística e marketplace.

Nesse novo cenário, manter vários sites com a mesma estrutura dentro de um único grupo passou a ser menos eficiente.

Aos poucos, a estratégia da empresa começou a priorizar a marca Americanas como plataforma central.

Em 2021, a fusão entre B2W e Lojas Americanas acelerou esse processo de unificação das operações digitais.

Crise financeira acelerou o fim da marca

A crise enfrentada pela Americanas em 2023, após a revelação de inconsistências contábeis que somaram cerca de R$ 25 bilhões, teve impacto direto na estratégia digital do grupo.

Com a necessidade de reduzir custos e simplificar operações, a empresa decidiu encerrar marcas secundárias.

Em julho de 2024, foi anunciado oficialmente que os sites Submarino e Shoptime deixariam de operar de forma independente.

Desde então, suas estruturas foram incorporadas ao site da Americanas, concentrando ofertas, logística e atendimento em uma única plataforma.

O legado do Submarino no e-commerce brasileiro

Mesmo fora do ar como site próprio, o Submarino permanece como um dos nomes mais importantes da história do comércio eletrônico no Brasil. Para muitos consumidores, foi o primeiro contato com compras online.

A marca ajudou a criar confiança no e-commerce, popularizou promoções digitais e contribuiu para a mudança de hábitos de consumo no país.

Seu desaparecimento não representa apenas o fim de um site, mas simboliza como a inovação digital é cíclica: quem lidera em um momento pode ser superado pela própria evolução do mercado.

A trajetória do Submarino mostra que pioneirismo não garante permanência. Em um setor altamente competitivo, escala, logística e adaptação constante se tornaram fatores decisivos.

Enquanto isso, a consolidação de grandes plataformas indica um mercado cada vez mais concentrado, com menos marcas independentes e maior dependência de marketplaces globais.

Vídeo do YouTube

Assim, o fim do site Submarino marca não apenas o encerramento de uma empresa, mas uma mudança definitiva na forma como o Brasil compra, vende e consome no ambiente digital.

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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