O Submarino, site que ajudou a popularizar o e-commerce no Brasil, foi encerrado após 25 anos. Entenda como o mercado mudou e por que a marca foi incorporada.
O Submarino, site que marcou o início das compras online no Brasil, encerrou sua trajetória como marca independente em 2024, após mais de duas décadas de atuação.
Criado em 1999, o site foi incorporado definitivamente à plataforma Americanas como parte de uma reestruturação empresarial que refletiu mudanças profundas no mercado digital.
O que começou como inovação e referência acabou sendo absorvido pela própria evolução do e-commerce, em um processo que envolve concorrência global, fusões e crise financeira.
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Submarino surgiu quando comprar pela internet ainda era novidade
No fim dos anos 1990, comprar pela internet ainda causava desconfiança no Brasil.
Foi nesse cenário que o site Submarino surgiu, fundado por Antônio Bonchristiano, Marcelo Ballona e Flávio Jansen.
A empresa nasceu a partir da aquisição da Booknet, considerada a primeira livraria virtual do país.
A partir daí, o Submarino ampliou rapidamente seu catálogo, passando a vender livros, CDs, DVDs, brinquedos e eletrônicos.
O nome escolhido tinha um objetivo estratégico: “Submarino” podia ser escrito da mesma forma em português e espanhol, facilitando uma possível expansão internacional.
Crescimento rápido transformou o site em referência nacional
O crescimento do Submarino foi acelerado. Logo no primeiro mês de operação, o site faturou cerca de R$ 1 milhão, um número expressivo para a época.
Quatro anos após a fundação, a plataforma já havia alcançado a marca de 1 milhão de clientes cadastrados.
Assim, o Submarino se consolidou como um dos principais símbolos do comércio eletrônico brasileiro no início dos anos 2000.
Esse sucesso levou a empresa a abrir capital na Bolsa de Valores, levantando aproximadamente R$ 472 milhões em seu IPO, o que reforçou sua posição de destaque no mercado digital.
A entrada da Americanas mudou o papel do Submarino
Em 2006, o site Submarino foi adquirido pelo grupo Americanas. A partir desse movimento, passou a integrar a B2W Digital, que também controlava outras marcas relevantes do e-commerce.
Com o tempo, os fundadores deixaram a operação, e o Submarino passou a atuar dentro de uma estrutura corporativa maior.
Ainda assim, a marca continuou ativa e reconhecida pelos consumidores por muitos anos.
No entanto, o mercado digital começou a mudar de forma acelerada, com o surgimento e fortalecimento de grandes marketplaces globais.
Concorrência global reduziu espaço do site Submarino
A partir da década de 2010, o Brasil passou a receber gigantes do comércio eletrônico, como Amazon, Mercado Livre, Shopee e AliExpress.
Esses players operam com modelos mais agressivos de preço, logística e marketplace.
Nesse novo cenário, manter vários sites com a mesma estrutura dentro de um único grupo passou a ser menos eficiente.
Aos poucos, a estratégia da empresa começou a priorizar a marca Americanas como plataforma central.
Em 2021, a fusão entre B2W e Lojas Americanas acelerou esse processo de unificação das operações digitais.
Crise financeira acelerou o fim da marca
A crise enfrentada pela Americanas em 2023, após a revelação de inconsistências contábeis que somaram cerca de R$ 25 bilhões, teve impacto direto na estratégia digital do grupo.
Com a necessidade de reduzir custos e simplificar operações, a empresa decidiu encerrar marcas secundárias.
Em julho de 2024, foi anunciado oficialmente que os sites Submarino e Shoptime deixariam de operar de forma independente.
Desde então, suas estruturas foram incorporadas ao site da Americanas, concentrando ofertas, logística e atendimento em uma única plataforma.
O legado do Submarino no e-commerce brasileiro
Mesmo fora do ar como site próprio, o Submarino permanece como um dos nomes mais importantes da história do comércio eletrônico no Brasil. Para muitos consumidores, foi o primeiro contato com compras online.
A marca ajudou a criar confiança no e-commerce, popularizou promoções digitais e contribuiu para a mudança de hábitos de consumo no país.
Seu desaparecimento não representa apenas o fim de um site, mas simboliza como a inovação digital é cíclica: quem lidera em um momento pode ser superado pela própria evolução do mercado.
A trajetória do Submarino mostra que pioneirismo não garante permanência. Em um setor altamente competitivo, escala, logística e adaptação constante se tornaram fatores decisivos.
Enquanto isso, a consolidação de grandes plataformas indica um mercado cada vez mais concentrado, com menos marcas independentes e maior dependência de marketplaces globais.
Assim, o fim do site Submarino marca não apenas o encerramento de uma empresa, mas uma mudança definitiva na forma como o Brasil compra, vende e consome no ambiente digital.

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