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Submarino nuclear USS Triton, de 136 metros e dois reatores, deu a volta ao planeta submerso por 60 dias, percorreu 26.723 milhas náuticas a 18 nós e marcou a Guerra Fria com a Operation Sandblast

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 15/02/2026 a las 14:46
Actualizado el 15/02/2026 a las 14:48
Submarino nuclear USS Triton deu a volta ao mundo submerso por 60 dias na Operation Sandblast e marcou a Guerra Fria.
Submarino nuclear USS Triton deu a volta ao mundo submerso por 60 dias na Operation Sandblast e marcou a Guerra Fria.
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Feito silencioso em plena Guerra Fria, com rota medida no Atlântico Equatorial e navegação sem céu visível, reuniu resistência humana, precisão técnica e demonstração estratégica.

O submarino nuclear norte-americano USS Triton completou a primeira circunavegação do planeta mantendo-se submerso durante 60 dias e 21 horas, ao longo da Operation Sandblast, e percorreu 26.723 milhas náuticas com velocidade média de 18 nós, segundo registros históricos do período.

O trajeto começou e terminou nas Rochas de São Pedro e São Paulo, no Atlântico Equatorial, um ponto de referência remoto usado para marcar com precisão a partida e a chegada da viagem submersa.

O giro ocorreu entre 24 de fevereiro e 25 de abril de 1960, sob o comando do capitão Edward L. Beach Jr.

Operation Sandblast e a lógica da pirâmide invertida

A proposta da missão era simples no enunciado e dura na execução: seguir um roteiro de circunavegação sem depender de portos, reabastecimento ou ventilação externa, sustentando navegação e rotina dentro de um casco fechado.

Nesse cenário, qualquer necessidade de emergir reduziria o valor central do experimento.

Dois reatores nucleares e autonomia submersa

O Triton foi projetado para longas permanências no mar e reunia, no fim dos anos 1950, uma combinação rara de porte e potência, com 447,5 pés de comprimento, o equivalente a cerca de 136,4 metros.

A embarcação também carregava uma característica incomum fora da União Soviética: dois reatores nucleares, descritos em materiais de referência como um ganho de disponibilidade e redundância.

A opção por dois reatores não era um detalhe de engenharia para coleção: ela ajudava a sustentar velocidade e autonomia em uma travessia que pretendia manter continuidade submersa, com margem para lidar com falhas e manutenções sem recorrer à superfície.

Submarino nuclear USS Triton deu a volta ao mundo submerso por 60 dias na Operation Sandblast e marcou a Guerra Fria.
Submarino nuclear USS Triton deu a volta ao mundo submerso por 60 dias na Operation Sandblast e marcou a Guerra Fria.

Na prática, a missão testava a combinação entre propulsão, confiabilidade e habitabilidade.

Por que a circunavegação submersa virou símbolo da Guerra Fria

A Operation Sandblast foi executada em um contexto de disputa tecnológica e estratégica, quando demonstrar alcance e permanência submersa tinha peso político e militar, além do interesse científico.

Registros históricos descrevem a operação como vitrine da capacidade de submarinos nucleares para missões de longo alcance, independentes de apoio externo e, em tese, discretas.

Ao mesmo tempo, o roteiro buscou dialogar com a memória das grandes navegações, ao seguir, de forma geral, a trilha associada à primeira circunavegação do globo atribuída à expedição iniciada por Fernão de Magalhães e concluída por Juan Sebastián Elcano.

A diferença é que, em 1960, a orientação dependia de instrumentos e rotinas internas, não do céu aberto.

Dentro do casco, a lógica era a da disciplina: controle do ambiente, gestão de energia, turnos, manutenção e checagens constantes, com decisões tomadas para preservar segurança e continuidade.

Em uma carta datada de 16 de março de 1960, o comandante descreveu que o submarino seguia “sem reclamações” e afirmou que “apenas um submarino movido a energia nuclear” poderia cogitar uma corrida sustentada desse tipo.

Transferência médica e o momento em que o Triton quase apareceu

Video de YouTube

Embora o objetivo fosse manter a viagem submersa, um problema de saúde obrigou o Triton a fazer um encontro no Atlântico Sul para transferir um tripulante com crise de cálculo renal.

O submarino “broachou”, manobra em que sobe o suficiente para expor apenas a vela, preservando o casco principal em condição submersa.

A transferência ocorreu nas primeiras horas de 5 de março de 1960, ao largo de Montevidéu, no Uruguai, com apoio do cruzador pesado Macon, que estava na região em uma viagem de boa vontade por portos sul-americanos.

A saída do tripulante foi a única baixa da equipe durante a circunavegação.

Esse detalhe virou parte inseparável do relato justamente por ser uma exceção em uma missão desenhada para não “aparecer” acima d’água, ainda que sem abandonar, na contabilidade oficial, o conceito de um percurso global realizado com continuidade submersa entre os marcos definidos.

A operação terminou em 25 de abril, de volta às rochas atlânticas.

Dados oceanográficos, tripulação e reconhecimento oficial

Além da demonstração operacional, a viagem reuniu coleta de dados oceanográficos, geofísicos e psicológicos ao longo do caminho, segundo compilações históricas sobre a missão e materiais de divulgação ligados à memória naval.

Na prática, a circunavegação também serviu como plataforma de medição em mar aberto, em um período em que esse tipo de levantamento era mais raro.

A tripulação que participou da circunavegação somou 176 militares, acompanhados por oito profissionais técnicos e científicos destacados para a missão, conforme um material institucional produzido para o Sail Park do Triton.

Submarino nuclear USS Triton deu a volta ao mundo submerso por 60 dias na Operation Sandblast e marcou a Guerra Fria.
Submarino nuclear USS Triton deu a volta ao mundo submerso por 60 dias na Operation Sandblast e marcou a Guerra Fria.

Os números ajudam a dimensionar o tamanho do esforço humano necessário para manter sistemas, rotina e coleta de informações em sequência.

Depois do retorno aos Estados Unidos, o Triton recebeu uma Presidential Unit Citation, condecoração coletiva citada em registros públicos sobre a operação, com um distintivo especial em forma de globo associado ao feito.

A homenagem buscou registrar que não se tratava apenas de velocidade ou alcance, mas de execução contínua sob condições exigentes.

Mesmo décadas mais tarde, o episódio segue como referência por condensar dois elementos que a Guerra Fria valorizava: a capacidade técnica de permanecer em missão por longos períodos sem apoio externo e a disciplina de operar semanas seguidas em ambiente confinado, com procedimentos rígidos e margens pequenas para erro.

A pergunta que fica é até onde vai, hoje, o que pode ser feito sem ser visto?

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Marcos Ben-Hur
Marcos Ben-Hur
19/02/2026 13:26

A vida dentro de um submarino, não deve ser uma coisa muito fácil. Se cria uma arma com essa, pra fins pacíficos, o que de pacífico não tem nada. Todas as vezes que se usa as armas que tem em seu interior é pra matar mulheres de pessoas, animais ou qualquer ser vivo que se tem já face da terra. O nosso submarino nuclear já vai sair da linha de montagem e os países do regime comunista já estão de olho e o presidente que já foi vendido por qualquer valor, vai entregar o que é nosso, com a nossa tecnologia para chineses e russos , de mão beijada. Já os americanos não permitem que o Brasil tem armas com propulsão nuclear só quem está no seleto grupo que pode ter esse tipo de armamentos.

Paulo Sérgio
Paulo Sérgio
18/02/2026 11:51

Impressionante para a época, e ainda mais Impressionante agora. A capacidade humana é sobre natural, somente Deus poderia criar um ser assim! Pena que toda sabedoria não seja usada para o bem comum. Mas o poder desperta o interesse absoluto por essa busca. Fica aqui meus parabéns pelo feito que não parou desde então!
Deus acima de todos, amém.

Joseroberto.medidor@gmail.com
Joseroberto.medidor@gmail.com
16/02/2026 15:10

Tudo isso com o objetivo de atingir de surpresa pessoas inocentes com armas nucleares brutais que causam todo tipo de mazelas: morte instantânea com sublimação (tipo uma evaporação dos corpos) mortes não instantâneas através de ondas de choque, soterramentos por escombros, queimaduras de todos os graus, casos de câncer que se desencadeiam em décadas após o contato com a radiação, isso tudo quase que exclusivamente sofrido em civis inocentes em sua maioria mulheres e crianças, enquanto os senhores da guerra nada sofrem, isso sem falar que a radiação contamina tudo ao redor deixando um rastro de destruição, matando e destruindo animais e plantas.
Somos mesmo admiráveis.
**** para os semelhantes e para o seu lado, o planeta terra.
Que venham o s ET’s e eliminem essa raça de gafanhotos que somos
Se possível, que seja indolor.
Quem sabe ainda dá tempo de salvar o planeta…..

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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