Em 14 meses, supermercados Bistek de Santa Catarina usaram tecnologia da Infineat para mapear sobras, redirecionar 91 toneladas de alimentos próprios ao consumo, evitar R$ 1 milhão em desperdício e transformar o que iria ao lixo em 150 mil refeições para famílias atendidas por organizações sociais em Santa Catarina inteira.
Em 14 meses de operação, até 2025, a rede de supermercados Bistek estruturou um sistema tecnológico capaz de rastrear o desperdício dentro das lojas, separar o que ainda está próprio para consumo e redirecionar esses itens para doação. Com isso, 91 toneladas de alimentos que iriam para o lixo foram reaproveitadas, o equivalente a R$ 1 milhão em produtos que se transformaram em cerca de 150 mil refeições servidas a famílias em situação de vulnerabilidade.
O projeto, desenvolvido em parceria com a startup Infineat, também teve impacto ambiental direto: 84 mil quilos de CO₂ deixaram de ser emitidos nesse período. A iniciativa começou em fase piloto em três lojas e, após os resultados, se expandiu rapidamente. Em 2025, já funciona de forma estruturada em 14 supermercados e deve alcançar 20 unidades até o fim do ano, consolidando um novo padrão de gestão de desperdício no varejo catarinense.
Tecnologia muda a lógica do desperdício nos supermercados
A tecnologia da Infineat permite que os supermercados Bistek identifiquem, classifiquem e redirecionem produtos que perderam valor comercial, mas continuam aptos para consumo.
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Entram nessa lista hortifrútis, laticínios, grãos, pães e até carnes que se aproximam do vencimento ou saíram do padrão estético exigido para as gôndolas.
Em vez de seguirem para descarte, esses itens passam a ser geridos dentro de um fluxo digital de pós-perda.
O desperdício deixa de ser um número genérico e passa a ser um dado operacional, com registro em plataforma e acompanhamento em tempo real.
Essa mudança permite enxergar custos, volumes e oportunidades de reaproveitamento com precisão, aproximando a lógica dos supermercados da gestão industrial.
De iniciativa pontual a rotina de 14 lojas
Antes do projeto, ações de doação e reaproveitamento existiam de forma fragmentada na rede de supermercados.
Com a parceria tecnológica, o Bistek padronizou o processo. A coleta passou a seguir regras específicas, com cronogramas, responsáveis definidos e integrações logísticas com as organizações sociais que recebem os alimentos.
Hoje, 14 supermercados da rede já operam com esse modelo estruturado, e a meta é chegar a 20 unidades até o fim de 2025.
A escala trouxe um efeito colateral positivo: a criação de indicadores claros sobre desperdício evitado, impacto ambiental reduzido e número de refeições complementadas, o que fortalece as metas de eficiência operacional e as métricas ESG da empresa.
Conexão direta com organizações sociais e rastreabilidade total
Um ponto central do projeto é a conexão entre os supermercados e as organizações sociais parceiras. A plataforma da Infineat registra cada etapa da jornada dos alimentos reaproveitados, desde a separação nas lojas até a chegada às instituições.
Com isso, o Bistek passou a ter rastreabilidade completa sobre o destino de cada quilo de alimento redirecionado, garantindo segurança, controle e transparência para auditorias internas e externas.
Para as entidades sociais, o benefício aparece na forma de redução de custos com compras e aumento da previsibilidade no abastecimento das refeições oferecidas a famílias atendidas.
Cultura interna: do descarte inevitável ao processo gerenciado
Dentro da operação dos supermercados, o impacto também é cultural. A área de Prevenção de Perdas do Bistek passou a tratar o descarte como um processo a ser gerido, e não como consequência inevitável da atividade de varejo.
Equipes de loja foram treinadas para identificar corretamente os produtos reaproveitáveis, seguir protocolos de segurança alimentar e registrar tudo no sistema.
O combate ao desperdício entra na rotina diária da operação, com metas, indicadores e acompanhamento gerencial, deixando de ser apenas ação pontual em datas específicas ou campanhas isoladas.
Posicionamento de marca e métricas ESG fortalecidas
Do ponto de vista institucional, a iniciativa reforça o posicionamento da rede de supermercados Bistek em temas como sustentabilidade, responsabilidade social e inovação em varejo alimentar.
A empresa consegue mostrar, com números, como o combate ao desperdício gera impacto mensurável: 91 toneladas de alimentos reaproveitados, R$ 1 milhão em produtos redirecionados, 150 mil refeições complementadas e 84 mil quilos de CO₂ evitados.
Esses dados se somam a outros indicadores da operação da companhia, que atua em Santa Catarina e Rio Grande do Sul e planeja fechar 2025 com faturamento próximo de R$ 3 bilhões.
Com mais de 20 lojas, cerca de 5 mil colaboradores, centro de distribuição de 23 mil metros quadrados às margens da BR 101, frigorífico próprio e estrutura administrativa centralizada, o Bistek usa o projeto como exemplo de como supermercados podem integrar impacto social, eficiência logística e redução de perdas no mesmo modelo de gestão.
Infineat transforma desperdício invisível em dado estratégico
A Infineat, responsável pela tecnologia usada nos supermercados Bistek, é uma startup brasileira especializada em inteligência operacional para o varejo alimentar, com foco no pós-perda.
Presente em 19 estados e em mais de 260 lojas, a empresa já redirecionou o equivalente a R$ 80 milhões em alimentos, complementando mais de 12 milhões de refeições.
A startup criou o Índice de Desperdício Evitado, o IDE, que transforma aquilo que antes era considerado quebra invisível em informação estruturada para o negócio.
Com esse indicador, os supermercados conseguem enxergar valor onde antes havia apenas custo, conectando metas financeiras, metas ambientais e metas sociais em um mesmo painel de gestão.
Tendência: pós-perda entra de vez na agenda do varejo alimentar
A experiência dos supermercados Bistek com a Infineat reforça uma tendência que ganha força no varejo alimentar brasileiro: tratar o pós-perda como etapa estratégica da operação.
Ao consolidar dados de reaproveitamento, impacto ambiental e eficiência logística, o setor passa a atuar com uma lógica de ciclo completo, em que o que sai da gôndola não necessariamente sai da cadeia de valor.
Na prática, isso significa menos desperdício, mais eficiência e mais refeições para quem precisa, em um modelo em que tecnologia, gestão de estoque e responsabilidade social caminham juntos.
A forma como redes de supermercados vão incorporar esse tipo de solução nos próximos anos pode redefinir o padrão de desperdício aceitável no país.
E você, acredita que todos os supermercados deveriam ter um sistema estruturado para transformar sobras em refeições em vez de descartar alimentos?

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