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Tarifaço de 50% de Trump contra ovos do Brasil derruba exportações para os EUA, literalmente faz vendas despencarem de 5 mil para apenas 41 toneladas e ameaça boom que nasceu da crise de gripe aviária e ovos caríssimos por lá

Publicado el 05/12/2025 a las 08:16
Actualizado el 05/12/2025 a las 08:22
Tarifaço de Donald Trump atinge ovos do Brasil e freia exportações para os EUA após boom gerado pela gripe aviária, afetando toda a cadeia do setor.
Tarifaço de Donald Trump atinge ovos do Brasil e freia exportações para os EUA após boom gerado pela gripe aviária, afetando toda a cadeia do setor.
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Enquanto o tarifaço de 50% já caiu para café e carne, os ovos seguem na mira dos EUA: após a crise de gripe aviária turbinar compras de mais de 5.000 toneladas em junho, o freio imposto em agosto derrubou embarques para apenas 41 toneladas em outubro de 2025 no Brasil.

Em agosto de 2025, o tarifaço de 50% decretado por Donald Trump sobre os ovos do Brasil entrou em vigor e virou o jogo das exportações para os Estados Unidos. Depois de um boom impulsionado pela crise de gripe aviária e por ovos vendidos a preços recordes nos supermercados americanos, as vendas despencaram de mais de 5.000 toneladas em junho para apenas 41 toneladas em outubro.

De acordo com o portal do G1, publicado em dezembro de 2025, os números da Associação Brasileira de Proteína Animal mostram que, mesmo com a freada brusca no fim do ano, o salto provocado pela falta de produto nos EUA deve fazer o Brasil encerrar 2025 com alta de 116,6% nas exportações de ovos. Entre janeiro e outubro, as vendas para o mercado americano já acumulam crescimento de 1.037,52% em relação ao mesmo período de 2024, e pela primeira vez o volume embarcado deve superar 1% da produção nacional.

Tarifaço fica para o ovo, mas alivia para outros alimentos

O tarifaço de 50% foi imposto pelos Estados Unidos sobre vários produtos brasileiros e começou a valer em agosto de 2025. Desde então, houve alívio para parte do agronegócio. Café, carne e outros itens já tiveram a sobretaxa retirada, mas os ovos continuam pagando a conta da disputa comercial.

Na prática, isso significa que o produto brasileiro chega mais caro ao consumidor americano e perde competitividade justamente no momento em que o Brasil tinha conquistado espaço em plena crise de abastecimento nos Estados Unidos.

A decisão de manter o tarifaço sobre os ovos interrompeu a fase em que o setor falava em «festa» das exportações para o mercado norte-americano.

De 220 toneladas no começo do ano a só 41 em outubro

O salto nas vendas começou ainda em janeiro de 2025, quando os Estados Unidos compraram 220 toneladas de ovos do Brasil. Em poucos meses, a curva explodiu e passou de 5.000 toneladas em junho, mantendo nível elevado em julho, quando as exportações ficaram em torno de 3.000 toneladas.

O cenário mudou a partir de agosto, exatamente quando o tarifaço de 50% entrou em vigor. As compras dos americanos começaram a murchar e, em outubro, apenas 41 toneladas de ovos brasileiros foram embarcadas para os Estados Unidos.

Em termos práticos, isso significa uma queda de patamar nas vendas que ameaça o boom inaugurado pela crise de oferta nos EUA.

Crise de gripe aviária criou a janela que o tarifaço agora fecha

Os Estados Unidos entraram em 2025 já pressionados pela gripe aviária, que afeta o país desde 2022. O vírus continuou se espalhando e, até 18 de novembro, mais de 100 focos haviam sido registrados, o que obrigou o abate de cerca de 8 milhões de aves desde setembro.

A regra do Departamento de Agricultura é rígida: identificada uma galinha infectada, todas as aves do entorno são sacrificadas.

Com menos galinhas em produção, a oferta de ovos desabou. Em fevereiro de 2025, alguns supermercados simplesmente não tinham o produto nas prateleiras, enquanto outros passaram a limitar a quantidade por cliente para evitar desabastecimento e revenda.

Houve até o roubo de 100 mil ovos em um trailer na Pensilvânia, carga avaliada em 40 mil dólares.

O resultado apareceu nos preços. Em março de 2025, a dúzia de ovos chegou ao pico de 6,22 dólares, o equivalente a cerca de 33 reais, e virou símbolo da crise do custo de vida para a classe média americana.

O dado mais recente, de setembro, mostra recuo para 3,48 dólares, em torno de 18,48 reais, com a normalização parcial da oferta.

Mudança de regras abriu espaço para o Brasil no mercado americano

Até janeiro de 2025, o ovo brasileiro tinha uma presença tímida nos Estados Unidos e só podia ser usado como ração para animais.

A partir deste ano, as regras mudaram e o produto passou a ser liberado como ingrediente de alimentos processados, como misturas para bolos e sorvetes, ainda sem acesso direto às gôndolas como ovo in natura.

Mesmo sem aparecer na caixinha inteira no supermercado, essa mudança regulatória somada à crise de oferta interna abriu uma janela rara para os exportadores brasileiros e ajudou a turbinar o volume embarcado ao longo do primeiro semestre.

A manutenção do tarifaço em 50% tende a reduzir esse espaço, justamente quando a indústria se adaptava às exigências sanitárias e logísticas do mercado americano.

Japão avança, Chile recua e nasce a cultura exportadora de ovos

Os Estados Unidos não foram o único destino beneficiado pela reconfiguração do comércio de ovos.

Entre janeiro e outubro, as compras do Japão cresceram 230% na comparação entre 2024 e 2025, consolidando o país como segundo maior cliente do ovo brasileiro. Já o Chile, terceiro colocado, reduziu as importações em 41% no mesmo período.

Para o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin, o movimento mostra que o Brasil está criando uma cultura exportadora de ovos, com empresas se organizando para atender diferentes mercados, padrões de qualidade e exigências sanitárias.

Mesmo assim, a grande maioria da produção continua voltada ao consumo interno, e o avanço das vendas externas ainda parte de uma base pequena.

Produção recorde no Brasil e apetite gigante nos EUA

A produção brasileira deve encerrar 2025 em 62,25 bilhões de unidades de ovos e pode alcançar 66 bilhões em 2026.

Na prática, isso significa um consumo médio de 287 ovos por habitante hoje, com projeção de subir para 307 unidades por pessoa no próximo ano. A combinação de maior renda, praticidade e busca por proteínas mais baratas sustenta esse crescimento interno.

Do outro lado, o mercado americano mantém um apetite igualmente robusto. Estima-se que cada morador dos Estados Unidos consuma mais de 284 ovos por ano, o que leva o consumo diário nacional a cerca de 250 milhões de unidades.

Em estados como o Espírito Santo, que figura entre os maiores aumentos de preço no Brasil, o impacto da demanda externa e das quebras de oferta internacionais também se reflete no bolso do consumidor.

O que está em jogo se o tarifaço continuar valendo para os ovos

Mesmo com a queda recente nas compras dos Estados Unidos, o saldo de 2025 ainda será positivo para o exportador brasileiro graças ao boom dos primeiros meses, que sustenta a projeção de alta de 116,6% nas exportações totais.

A dúvida é se esse ritmo será sustentável caso o tarifaço de 50% permaneça em 2026 especificamente para os ovos.

Se a sobretaxa continuar, a tendência é que as empresas direcionem mais produto para mercados como o Japão e busquem novos destinos na Ásia e na América Latina, reduzindo a dependência dos Estados Unidos.

Por outro lado, se houver alívio tarifário, a experiência dos últimos meses mostra que o Brasil tem capacidade de responder rapidamente ao aumento de demanda e ampliar a presença no maior mercado de ovos industrializados do mundo.

Na sua opinião, o tarifaço de 50% deveria ser derrubado para os ovos brasileiros ou os Estados Unidos estão certos em manter a proteção ao produtor local mesmo depois da crise da gripe aviária?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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