Impacto do tarifaço de Trump é imediato: setor de reabilitação despenca 85,02% em um mês, revela Abimo à CNN.
O tarifaço de Trump sobre produtos brasileiros causou um impacto imediato e profundo na indústria de dispositivos médicos. Um novo levantamento da Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos), antecipado à CNN, revela uma queda drástica nas exportações para os Estados Unidos. Os segmentos de maior valor agregado foram os mais atingidos: a exportação de odontologia desabou 93,09% e a de reabilitação recuou 85,02% em apenas um mês.
No geral, as vendas de dispositivos médicos para o mercado norte-americano caíram 30,04% na variação mensal, com os US$ 21,2 milhões registrados em agosto representando o menor volume do ano. Os dados acendem um alerta sobre a dependência do mercado brasileiro de poucos compradores estratégicos e forçam uma mudança de rota urgente para outros continentes.
A rota de fuga: Europa e América Latina viram alternativa
Diante do bloqueio comercial imposto pelos EUA, a indústria brasileira demonstrou resiliência e buscou rapidamente novos mercados. Segundo os dados da Abimo, divulgados pela CNN, as vendas para a Europa apresentaram um crescimento expressivo de 44,51% entre julho e agosto. Este movimento foi impulsionado principalmente por países que ampliaram suas compras de forma exponencial.
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No pódio europeu, os destaques foram a Espanha, com uma alta surpreendente de 632,59%, seguida pela França, que aumentou suas importações em 238,77%, e a Suíça, com um crescimento de 130,72%. Na América Latina, a tendência se repetiu, com mercados como a Bolívia (+56,18%) e o México (+28,34%) ganhando relevância imediata como destinos alternativos.
O alerta da Abimo: «impacto imediato e profundo»
Apesar da rápida capacidade de redirecionamento, o CEO da Abimo, Paulo Henrique Fraccaro, analisa o cenário com cautela. «O redirecionamento para América Latina e Europa comprova que existe demanda para a produção brasileira, mas precisamos garantir condições de competitividade para que esse movimento se sustente no longo prazo», afirmou Fraccaro à CNN.
Fraccaro foi enfático ao classificar o tarifaço de Trump como um golpe severo. «A tarifa norte-americana trouxe um impacto imediato e profundo sobre nossas vendas», disse. Além dos já citados, o segmento de equipamentos médicos também sofreu, com retração de 59,94% nas vendas aos EUA.
Dependência dupla: o risco de importar dos EUA
O levantamento da Abimo destaca outra vulnerabilidade estrutural do setor: a dependência de insumos vindos justamente dos Estados Unidos. Enquanto o tarifaço de Trump bloqueia as exportações, o Brasil continua sendo um grande comprador de componentes norte-americanos. No acumulado de 2025, as importações do setor já somam US$ 7,23 bilhões, uma alta de 8,37% em relação ao ano anterior.
Desse montante total importado, 16,57% vêm do território norte-americano. Essa «dependência dupla» – precisar do país como fornecedor enquanto ele se fecha como cliente – coloca a indústria em uma posição delicada. A categoria de dispositivos médicos é ampla, indo de reagentes de laboratório e válvulas cardíacas até sondas, suturas cirúrgicas e os próprios equipamentos odontológicos agora taxados.
O papel do governo e a busca por novos acordos
O governo federal está ciente do problema. No final de agosto, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), liderou uma comitiva ao México. O objetivo claro era posicionar o país como um destino alternativo estratégico para os itens brasileiros afetados pelo tarifaço de Trump. A iniciativa está alinhada com dados da ApexBrasil, que já havia destacado o potencial do mercado mexicano.
Para o CEO da Abimo, a solução de longo prazo exige mais do que missões comerciais. A previsibilidade do setor depende de ações estruturais. «É fundamental avançar em acordos internacionais e na reciprocidade regulatória. Só assim nossas empresas poderão competir em igualdade de condições e planejar com previsibilidade», concluiu Paulo Henrique Fraccaro.
Você concorda com essa mudança? Acha que isso impacta o mercado? Deixe sua opinião nos comentários, queremos ouvir quem vive isso na prática.
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