1. Inicio
  2. / Construção
  3. / Templo mais famoso de Salt Lake City está sendo “desenterrado” e obra pode chegar a US$ 2,4 bilhões
Tiempo de lectura 7 min de lectura Comentarios 0 comentarios

Templo mais famoso de Salt Lake City está sendo “desenterrado” e obra pode chegar a US$ 2,4 bilhões

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 29/01/2026 a las 17:18
Templo em Salt Lake City recebe isolamento de base e isoladores para reduzir risco de terremoto, com escavação e reforços até 2026.
Templo em Salt Lake City recebe isolamento de base e isoladores para reduzir risco de terremoto, com escavação e reforços até 2026.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

O templo mais famoso de Salt Lake City está sendo “desenterrado” nas fundações em um projeto estimado em US$ 2,4 bilhões para impedir colapso em terremotos na Falha de Wasatch. A obra escava até 10,6 metros, instala 98 isoladores de 8.000 kg e 423 km de cabos, com conclusão em 2026 e reabertura em 2027.

O templo de Salt Lake City, considerado o maior templo mórmon do mundo, está passando por uma intervenção incomum: as fundações estão sendo escavadas para a implantação de um sistema de isolamento de base, dentro de um projeto estimado em US$ 2,4 bilhões para reduzir o risco de colapso em caso de terremoto.

A decisão combina engenharia pesada e preservação histórica. O templo domina o horizonte da cidade, foi concluído há mais de 130 anos após uma obra que levou mais de 40 anos, e agora precisa ser adaptado a um cenário sísmico com probabilidade relevante de abalos fortes nas próximas décadas, sem destruir sua alvenaria de pedra e seu interior histórico.

Um gigante histórico que não foi concebido para terremotos

Templo em Salt Lake City recebe isolamento de base e isoladores para reduzir risco de terremoto, com escavação e reforços até 2026.

A primeira camada do problema é estrutural e histórica.

O templo foi construído com granito e monzonito de quartzo extraídos do Little Cottonwood Canyon, com paredes de até nove pés de espessura, 170 quartos e área total de 11,4 acres.

Apesar da escala monumental, o templo não foi projetado para resistir a terremotos.

Isso ganha peso porque a Falha de Wasatch se estende pelo Vale do Lago Salgado, e geólogos estimam que um grande terremoto, de magnitude 7, ocorre em média uma vez por milênio.

O risco sísmico em números e por que ele pressiona o templo

Templo em Salt Lake City recebe isolamento de base e isoladores para reduzir risco de terremoto, com escavação e reforços até 2026.
Jeffrey D. Allred, Deseret News

O ponto mais sensível é a projeção de curto e médio prazo. Há uma estimativa de 57% de chance de ocorrer pelo menos um terremoto de magnitude 6 ou superior nos próximos 50 anos na região.

Além disso, há ocorrência frequente de eventos menores, porém relevantes: terremotos de magnitude 4 ou superior acontecem cerca de 4 a 5 vezes por ano num raio de 300 quilômetros de Salt Lake City.

Um abalo de magnitude 6,0 é apontado como capaz de causar danos significativos ao templo, exigindo meses de recuperação e um grande esforço de estabilização.

O que significa “desenterrar” o templo: isolamento de base e 1,5 metro de movimento

Templo em Salt Lake City recebe isolamento de base e isoladores para reduzir risco de terremoto, com escavação e reforços até 2026.
Jeffrey D. Allred, Deseret News

A solução escolhida é tratar o edifício como uma estrutura que precisa se mover de forma controlada.

O método é o isolamento de base, descrito como a estratégia de “desacoplar” o templo do movimento do solo.

O sistema foi projetado para permitir até 1,5 metros de movimento horizontal em qualquer direção durante um terremoto forte.

A lógica é reduzir a transferência de energia para a alvenaria de pedra e proteger o interior histórico, além de pessoas que estejam no interior durante um evento sísmico.

Escavação profunda e o reforço para impedir assentamento perigoso

Para instalar o isolamento, a equipe escavou ao redor das fundações originais do templo até cerca de 10,6 metros de profundidade, criando um novo nível inferior onde os isoladores ficarão.

Durante essa etapa, a prioridade é manter as paredes pesadas de pedra estáveis, sem deslocamentos ou recalques perigosos.

Para isso, foram empregadas técnicas de reforço de fundações e contenção, incluindo micropilares, estacas secantes, tirantes de ancoragem, tirantes tensionados, pilares de reforço construídos manualmente e injeção de calda de cimento para consolidação.

Nova fundação de concreto, vigas de transferência e 423 km de cabos protendidos

Depois da escavação, foi construída uma nova fundação de concreto pensada para resistir a terremotos.

O projeto inclui vigas e travessas de transferência de concreto armado que circundam o perímetro do templo e também entram em áreas internas, distribuindo o peso imenso do edifício.

Um dado que dimensiona a intervenção é o volume de protensão: foram instalados mais de 423 quilômetros de cabos protendidos na fundação.

Esses cabos conectam fisicamente a estrutura do templo à nova base e ajudam a controlar a transferência de carga, especialmente quando há movimento.

O arranjo descrito é uma sequência em camadas: as fundações antigas e o peso existente do templo pressionam o novo sistema, que combina vigas de transferência, isoladores e, abaixo, a fundação nova.

98 isoladores de 8 toneladas e a lógica do “rolamento” sísmico

O núcleo do sistema são 98 isoladores de base instalados sob o templo. Cada isolador pesa cerca de 8.000 quilos e funciona como um tipo de “rolamento” entre a nova base de concreto e a estrutura de transferência.

Em um terremoto, os isoladores deslizam e se movem para que o templo não absorva o impacto principal.

A analogia fornecida é a de uma jangada feita de tubos de aço preenchidos com concreto instalada sob o edifício.

Assim que o peso é transferido para os isoladores, o solo diretamente abaixo deles é escavado, permitindo que a estrutura “flutue” sobre o sistema em vez de ficar travada ao solo.

O conjunto é descrito como verticalmente rígido, resistindo bem a cargas como vento, e horizontalmente flexível, exatamente o comportamento desejado para o isolamento de base.

Por que o cronograma mudou e o que mais está sendo reformado

A obra é descrita como demorada pela complexidade de reformar um edifício de pedra do século XIX.

A igreja precisa evitar danos na alvenaria e em qualquer componente histórico.

O cronograma original projetava conclusão até 2025, mas a previsão foi adiada para 2026.

O motivo apontado é que a intervenção não se limita aos isoladores: também envolve reforço de paredes, torres e outros elementos arquitetônicos, porque o isolamento não garante “zero danos” no pior cenário.

Além da engenharia sísmica, a reforma inclui mudanças funcionais internas: criação de mais espaço para batismos rituais, aumento do número de assentos nas salas de instrução e a construção de um anexo ao norte com uma ala de selamento, onde os mórmons se casam.

As obras devem ser concluídas em 2026, e as portas do templo devem reabrir em 2027.

A construção original: 1847, Brigham Young e um símbolo planejado

O templo é tratado como símbolo urbano e político-religioso desde o início. Liderados por Brigham Young, futuro primeiro governador de Utah, 148 mórmons chegaram ao Vale do Lago Salgado em 1847, buscando estabelecer uma cidade isolada para escapar de perseguições.

O mormonismo era visto como novo e controverso, e o fundador Joseph Smith havia sido assassinado poucos anos antes.

Young ancorou o plano da cidade no templo, entendendo o peso de um símbolo para consolidar a comunidade.

A construção formal começou em 1853 com base em arenito. No fim da década de 1850, com tropas americanas marchando em direção a Utah, trabalhadores enterraram a fundação para evitar destruição e a obra foi interrompida.

Quando o projeto retomou, decidiu-se pelo granito. O obstáculo era logístico: a fonte utilizável mais próxima ficava a 32 quilômetros no Little Cottonwood Canyon.

Sem máquinas pesadas, blocos eram extraídos com dinamite, moldados à mão e transportados em carroças puxadas por juntas de bois por terreno acidentado. Uma viagem podia levar até quatro dias.

A precisão era extrema, a escala enorme e as paredes chegavam a cerca de 3 metros de espessura em alguns pontos.

O arquiteto Truman O. Angell combinou elementos góticos e românicos, com símbolos como estrelas, sóis e a estátua do anjo Morôni, usando arquitetura como narrativa.

Como o templo moldou Salt Lake City com quarteirões gigantes e ruas largas

O templo virou o ponto central do plano urbanístico de Salt Lake City. A cidade foi desenhada com a “malha” alinhada quase perfeitamente aos pontos cardeais e com um quarteirão central de 4,5 hectares reservado ao Templo de Salt Lake.

Os quarteirões foram planejados em escala incomum: em vez de algo como 80 por 200 metros típico de Nova York, os blocos em Salt Lake City tinham 200 por 200 metros, descritos como os maiores entre cidades americanas.

As ruas também eram muito mais largas: enquanto em Nova York variavam em torno de 18 metros e até 30 em alguns casos, em Salt Lake City superavam 40 metros, com espaço pensado até para juntas de bois manobrarem.

Cada quarteirão tinha 10 acres, dividido em apenas oito lotes grandes, funcionando como microfazendas. Isso ajudou a cidade a operar como híbrido rural-urbano, com famílias cultivando nos lotes e ruas servindo como canais de irrigação em secas.

Também criou aceiros contra incêndios e corredores retos para serviços públicos. Mais tarde, esse “DNA” urbano facilitou adaptação a infraestrutura moderna, incluindo rodovias e o sistema de trens leves TRAX.

Preservação em uma cidade que perdeu parte do patrimônio

O projeto também é descrito como sinal político e urbano. Salt Lake City enfrenta dificuldades para preservar edifícios históricos, com pressão imobiliária e destruição de prédios patrimoniais.

Investir mais de 2 bilhões de dólares na preservação do templo é apontado como forma de demonstrar, para o restante da cidade, a importância de preservar, com expectativa de efeito multiplicador.

Com a engenharia aplicada, a projeção é que o templo deixe de estar em risco de desabar em um grande terremoto e passe a figurar entre estruturas históricas mais resistentes a sismos.

Na sua opinião, essa obra de isolamento de base no templo deveria virar padrão para outros prédios históricos em áreas sísmicas ou o custo torna isso inviável na maioria das cidades?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Etiquetas
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartir en aplicaciones
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x