Acre, que entrou oficialmente no mapa brasileiro em 1903 após o Tratado de Petrópolis, hoje aparece entre os estados que mais crescem na economia nacional, com PIB em forte alta e exportações em expansão.
O Acre voltou a ganhar projeção nacional ao aparecer como terceiro estado que mais cresce no Brasil no Ranking de Competitividade dos Estados 2024, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O destaque vem do pilar de potencial de mercado, que considera, entre outros fatores, a taxa de crescimento do PIB real.
O estudo do CLP utiliza cerca de cem indicadores distribuídos em pilares como infraestrutura, solidez fiscal, capital humano, segurança pública e inovação. A ideia é medir não só o tamanho da economia, mas a capacidade de sustentar crescimento ao longo do tempo. Nesse recorte, o Acre aparece atrás apenas de Roraima e Tocantins, estados que também vêm sendo impulsionados pelo agronegócio e pela expansão de serviços.
Na prática, o resultado reflete um desempenho econômico incomum para um estado que representa cerca de 0,2% do PIB brasileiro.
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Em 2024, o Produto Interno Bruto acreano somou R$ 26,3 bilhões e registrou crescimento real de 14,7%, o maior avanço da série histórica iniciada em 2002 e o mais alto entre todas as unidades da federação, segundo o IBGE e boletins da Secretaria de Planejamento do estado.
Esse crescimento foi muito superior à média do país, cuja economia avançou 3,2% em 2023, e também acima da Região Norte, que cresceu 2,9% no mesmo período. Na avaliação de economistas ouvidos pela imprensa local, o Acre se beneficia de uma combinação de base econômica ainda pequena, expansão do agronegócio e retomada de investimentos públicos em infraestrutura, o que aumenta a taxa de variação ano a ano.
Do Tratado de Petrópolis ao salto econômico recente
O contraste entre o passado e o presente ajuda a explicar o interesse renovado pelo estado. Em 17 de novembro de 1903, o Tratado de Petrópolis pôs fim à disputa territorial entre Brasil e Bolívia e garantiu a anexação do Acre ao território brasileiro. Pelo acordo, o Brasil pagou 2 milhões de libras esterlinas à Bolívia, comprometeu se a construir a Ferrovia Madeira Mamoré e ainda cedeu pequenas porções de terra na fronteira.
Em valores atualizados, a cifra é frequentemente estimada em cerca de R$ 2,5 bilhões, segundo reportagens recentes que comparam o montante original com parâmetros de poder de compra e correção cambial.
A compra, motivada à época pela riqueza gerada pelo ciclo da borracha e pela produção de látex, hoje é relembrada como símbolo de como um território considerado periférico passou a ganhar peso na agenda econômica nacional.
A história do Acre também convive com mitos populares, como a ideia de que o estado teria sido comprado por um cavalo, versão folclórica desmentida por historiadores e por publicações de divulgação científica. Na realidade, o acerto foi uma negociação complexa de fronteiras e compensações financeiras, conduzida pelo Barão do Rio Branco em um momento de redefinição do mapa político da região amazônica.
Exportações e agronegócio puxam o crescimento do PIB acreano
Por trás dos números atuais, o principal motor do crescimento acreano está nas exportações ligadas ao agronegócio. Entre janeiro e outubro deste ano, o estado registrou aumento de 12% nas vendas externas, impulsionado sobretudo pelos embarques de carne bovina, carne suína e soja. No mesmo período, o superávit comercial chegou a US$ 80,2 milhões, enquanto as importações caíram 7,1%, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pelo governo estadual.
Esse desempenho local dialoga com o cenário nacional, em que o agronegócio segue como um dos principais vetores da balança comercial brasileira. Relatórios recentes apontam que as exportações do setor seguem em recorde, com destaque para carnes e soja, o que ajuda a explicar a forte demanda internacional por produtos originados da Amazônia e do Centro Oeste.
No caso do Acre, a agropecuária tem peso ainda maior, pois a estrutura produtiva é mais concentrada em pecuária de corte, grãos e madeira legal que em indústria de transformação. O crescimento do PIB de 14,7% em 2023 está diretamente ligado ao avanço desse setor e à recuperação de frigoríficos habilitados a exportar para novos mercados, segundo análises de economistas locais e dados divulgados pelo próprio governo estadual.
Ao mesmo tempo, há sinais de expansão em serviços, comércio e atividades ligadas à administração pública, que historicamente têm grande participação na economia acreana. A combinação entre gasto público, investimentos em infraestrutura e dinamismo do campo cria um efeito multiplicador sobre a renda e o consumo, o que melhora a posição do estado em rankings nacionais de desempenho.
Especialistas apontam, no entanto, que parte desse salto está associada a uma base econômica menor, o que faz com que variações positivas apareçam mais intensas em termos percentuais. Isso não diminui a relevância do movimento, mas reforça a necessidade de olhar para a qualidade e a sustentabilidade do crescimento, e não apenas para o tamanho da taxa anual.
Desafios do Acre em meio ao boom econômico
Mesmo com o bom momento, o Acre ainda enfrenta desafios importantes em áreas que também pesam no Ranking de Competitividade dos Estados. O CLP indica que o estado permanece em posições intermediárias ou baixas em indicadores como infraestrutura, educação básica, segurança pública e inovação, o que mostra que o avanço do PIB não resolve, por si só, problemas históricos de desenvolvimento.
Outro ponto de atenção é a necessidade de conciliar expansão do agronegócio com preservação ambiental. Parte do território acreano está inserida em áreas sensíveis da Amazônia Legal, e organizações socioambientais alertam para o risco de aumento de desmatamento e pressão sobre povos tradicionais se a abertura de novas áreas produtivas não for acompanhada de fiscalização e tecnologia de produção sustentável.
Além disso, a própria concentração da economia em poucos setores torna o estado mais vulnerável a oscilações de preço de commodities e a mudanças nas regras de comércio internacional. Para analistas, o desafio dos próximos anos será transformar o atual ciclo de crescimento em diversificação produtiva, com fortalecimento de cadeias de valor ligadas à bioeconomia, turismo de natureza e indústria leve, reduzindo a dependência exclusiva do campo.
Por tudo isso, o Acre ocupa hoje um lugar ambivalente no mapa do desenvolvimento brasileiro: ao mesmo tempo em que é exemplo de crescimento acelerado, continua sendo um laboratório de como conciliar inclusão social, proteção da floresta e competitividade econômica em uma região de fronteira amazônica. O resultado desse equilíbrio ou desequilíbrio vai definir se o rótulo de “terceiro estado que mais cresce” será um fenômeno passageiro ou um marco de transformação duradoura.
Para você, esse boom recente é prova de que o estado pode se tornar uma nova fronteira de desenvolvimento sustentável ou apenas reflexo de uma base pequena que distorce as estatísticas. Deixe seu comentário e diga se acredita que o “negócio de R$ 2,5 bilhões” feito em 1903 está finalmente se pagando ou se o país ainda superestima esse crescimento.
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O Amazonas parou a Compra do Acre e, até hoje não recebeu nada.
Eu vivo aqui e não vejo esse progresso. Ruas dos municípios esburacadas. A BR 364 a rodovia que interliga os municípios do Acre ao Brasil uma total destruição. Custo de vida alto. O M2 construído mais caro do Brasil, depois do DF. O estado é totalmente dependente de auxílios federais. Bolsa família é o carro chefe da economia. Pessoas migraram da zona RURAL. Então…