Mobilização emergencial da Toyota reorganiza produção, adia lançamento de SUV e mantém foco nos híbridos enquanto fábrica de motores passa por reconstrução no interior paulista.
A Toyota montou uma ampla operação emergencial para manter suas fábricas em atividade no Brasil após o vendaval de 22 de setembro, que destruiu a fábrica de motores de Porto Feliz (SP).
Com a unidade inoperante e ainda em reconstrução, a montadora passou a importar motores do Japão e da Indonésia, concentrou a produção nos híbridos-flex de Corolla e Corolla Cross, adiou o cronograma do Yaris Cross e mantém a previsão de reconstruir a planta paulista até 2026.
Segundo informações repassadas ao sindicato, não estão programadas férias coletivas nas unidades de Sorocaba e Indaiatuba neste fim de ano.
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Fábrica de Porto Feliz e impacto na produção
O temporal que atingiu Porto Feliz em 22 de setembro arrancou o telhado, danificou estruturas internas e alagou os galpões da fábrica de motores da Toyota. A empresa confirmou a extensão dos danos, sem registro de mortes entre trabalhadores.
A interrupção forçada levou à suspensão temporária da produção em todas as fábricas da marca no país.
A unidade era responsável pelos motores 1.5 e 2.0, usados em modelos como Corolla, Corolla Cross e Yaris.
Sem esse fornecimento, as linhas de montagem foram paralisadas e concessionárias registraram queda na disponibilidade de veículos produzidos no Brasil.
Em acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), a empresa implementou lay-off e férias emergenciais para parte dos funcionários, especialmente os lotados em Porto Feliz.

O objetivo, segundo o sindicato, foi preservar postos de trabalho enquanto se avaliavam os danos e se definia o plano de retomada.
Motores importados e retomada dos híbridos
Com a fábrica de Porto Feliz fora de operação, a Toyota adotou a importação emergencial de motores como estratégia para reativar as linhas de montagem.
As unidades de Sorocaba e Indaiatuba voltaram a operar priorizando as versões híbridas-flex do Corolla e do Corolla Cross, equipadas com motores importados do Japão.
Para veículos que utilizam o motor 1.5, como o Yaris hatch e o futuro Yaris Cross, o fornecimento passou a vir da Indonésia, conforme confirmado pelo sindicato e por fontes ligadas à operação.
De acordo com Leandro Soares, presidente do SMetal, a fábrica de Sorocaba retomou a produção em ritmo total para atender à demanda dos híbridos.
“A planta de Sorocaba está operando a 100% da capacidade com os híbridos. Os funcionários voltaram do lay-off e estão trabalhando normalmente. Mas as versões totalmente a combustão ainda não voltaram a ser fabricadas”.
Enquanto isso, em Porto Feliz, a Toyota instalou galpões provisórios para realizar adaptações nos motores importados, incluindo a conversão para a tecnologia flexfuel.
A empresa informou ao sindicato que esse procedimento também será aplicado às versões 100% a combustão quando a produção for retomada de forma mais ampla em 2026.
Volume de produção revisado e esforço de recuperação
Antes do vendaval, a montadora trabalhava com uma estimativa de produção próxima de 180 mil veículos em 2025, conforme projeções do setor.
Após a paralisação, fontes da indústria apontam que o volume pode ficar entre 150 mil e 160 mil unidades, redução atribuída principalmente às versões exclusivamente a combustão, ainda ausentes da linha de montagem.
Sorocaba e Indaiatuba reorganizaram turnos e fluxos internos para acelerar a produção dos híbridos.
Segundo técnicos que acompanham o setor automotivo, a previsão é que o ritmo próximo ao normal seja alcançado no primeiro semestre de 2026, à medida que o fornecimento de motores importados se estabiliza.
Como as duas fábricas estão atuando para recompor o volume perdido nos meses de interrupção, o sindicato afirma que não há indicação de férias coletivas no fim deste ano.
A manutenção da produção em dezembro tem o objetivo de atender a rede de concessionárias e reduzir o impacto da parada forçada.
Yaris Cross adiado, mas com forte pré-venda
O temporal também afetou o cronograma do Yaris Cross, novo SUV compacto da marca.
A estreia, prevista inicialmente para 16 de outubro de 2025, foi adiada após a paralisação da fábrica de motores.
Antes da destruição da planta, unidades pré-série do modelo já tinham sido produzidas em Sorocaba e exibidas no Salão do Automóvel 2025, realizado entre 22 e 30 de novembro em São Paulo.
A apresentação antecipada serviu para detalhar versões e o conjunto mecânico, incluindo a opção híbrida-flex.
A Toyota trabalha agora com início de produção em série em fevereiro de 2026, quando o veículo começará a chegar às concessionárias.
A expansão da planta de Sorocaba, em fase final de obras, será usada para receber a linha completa do modelo e substituir gradualmente parte da produção hoje instalada em Indaiatuba, cuja desativação está prevista para 2026.
Segundo dados informados pela empresa ao setor, o Yaris Cross já acumula pré-venda de 8.500 unidades, com sinal de R$ 20 mil.
Os preços variam de R$ 161.390 a R$ 189.990.
As primeiras entregas estão programadas para fevereiro e março de 2026.
Reconstrução da fábrica e continuidade dos investimentos
A Toyota estruturou um plano para reconstruir totalmente a fábrica de Porto Feliz até 2026, alinhado ao programa de investimentos previsto para o Brasil, que soma cerca de R$ 11,5 bilhões até o fim da década.
O projeto inclui a ampliação de Sorocaba e a migração gradual da produção de Indaiatuba, que deixará de operar.
A unidade atingida pelo vendaval emprega aproximadamente 800 trabalhadores, atualmente em regimes temporários derivados do acordo coletivo firmado após o desastre.
Em Sorocaba e Indaiatuba, o retorno das equipes ocorreu em etapas, conforme a chegada de motores importados permitiu o reinício das operações.
Para Leandro Soares, a condução da situação tem seguido o que considera ser um alinhamento entre empresa e sindicato.
“A relação com a empresa foi importante nesse momento. A Toyota trouxe apoio da matriz, evitou demissões e manteve os investimentos. Os trabalhadores estão mais tranquilos agora. O pior já passou”.
Nos próximos meses, a empresa deverá administrar simultaneamente a reconstrução da planta, a logística de importação de motores, a produção dos modelos híbridos-flex e a chegada do Yaris Cross às concessionárias, além de expandir Sorocaba para receber parte do volume que hoje vem de Indaiatuba.
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