Descoberta de 30 túmulos próximos a Aarhus revela estrutura social complexa e objetos de luxo da elite viking no século X.
Trabalhadores da construção civil faziam escavações rotineiras nos arredores de Aarhus, na Dinamarca, quando uma descoberta surpreendente interrompeu os trabalhos.
Em vez de vestígios da Idade do Ferro, como indicavam as pesquisas, surgiram 30 túmulos vikings, muitos deles ricos em objetos. Arqueólogos do Museu Moesgaard foram chamados e confirmaram a importância do achado.
Descoberta inesperada no solo dinamarquês
Os arqueólogos estavam em busca de sinais de ocupações pré-romanas. A ideia inicial era encontrar restos da Idade do Ferro.
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Mas, ao avançar nas escavações, depararam-se com túmulo após túmulo.
Em muitos deles, havia moedas, pérolas, cerâmicas e até um caixão de madeira com detalhes refinados. O local já era conhecido por abrigar uma fazenda da era viking descoberta décadas antes.
“Simplesmente não esperávamos encontrar sepulturas”, afirmou Liv Stidsing Reher-Langberg, responsável pela escavação. Para ela e sua equipe, a surpresa foi total — e as surpresas continuaram a aparecer à medida que os túmulos revelavam mais detalhes.
Conexões com a nobreza viking
Os túmulos encontrados datam do século X, período em que o Rei Harald Bluetooth governava. Ele é conhecido por unificar a Dinamarca e espalhar o cristianismo.
A apenas um quilômetro dali, já havia sido encontrada uma mansão viking. Agora, com os túmulos ao redor, arqueólogos acreditam que o local servia como cemitério de uma família nobre ou de pessoas ligadas a ela.
Segundo Mads Ravn, especialista do Museu Moesgaard, o cemitério provavelmente está conectado à antiga mansão de Lisbjerg. Ele sugere que membros da família estendida da fazenda foram enterrados ali.
Alguns túmulos são mais elaborados, com cerâmicas e joias, enquanto outros são mais simples. Essa diferença, segundo os especialistas, pode mostrar a divisão social da época.
Nobres e pessoas escravizadas parecem ter sido sepultados no mesmo local, mas com tratamento diferente.
“As pessoas levavam para o túmulo o que era importante para elas”, explicou Ravn, em entrevista ao The Guardian.
O túmulo mais marcante: uma mulher com objetos refinados
Entre todos os túmulos, um chamou mais atenção. Dentro de um caixão de madeira, cuidadosamente removido como um bloco de terra para preservar seu conteúdo, havia objetos de grande valor simbólico e artesanal.
Raios-X revelaram uma tesoura ornamentada, fio de ouro, agulha, pérolas, uma conta de prata e possivelmente um broche e uma fita dourada.
A caixa de madeira, com cerca de 32 centímetros quadrados, possivelmente feita de carvalho, lembra o famoso Caixão de Bamberg, um objeto aristocrático da mesma época.
O trabalho detalhado e a presença de joias indicam que a sepultada era uma mulher importante.
“Provavelmente era alguém de grande relevância”, disse Naja Kjærgård Laursen, porta-voz do museu. Não se sabe seu nome, mas o conteúdo do túmulo sugere uma vida privilegiada.
Ela pode ter sido esposa ou filha de um chefe local. Talvez até algo mais.
Uma nova imagem da Dinamarca viking
A descoberta oferece um retrato diferente dos vikings, geralmente vistos como guerreiros e navegadores.
Os túmulos revelam uma sociedade complexa, com estruturas políticas, econômicas e familiares bem definidas. Também mostram uma elite poderosa ligada ao próprio rei.
“O chefe de Lisbjerg tinha um poder enorme — econômico, político, religioso e social”, afirmou Reher-Langberg ao site Live Science.
Mas esse poder também revelava desigualdades. A diferença entre túmulos luxuosos e simples aponta para um mundo de privilégios e subordinação, possivelmente com escravizados e senhores enterrados lado a lado.
Análises e exposição dos achados
Agora, os pesquisadores iniciam uma nova fase. Vão analisar os restos mortais, como ossos, dentes e amostras de solo, em busca de pistas sobre origem, dieta e doenças.
Os objetos encontrados estão sendo preservados e estudados no Departamento de Ciências Naturais e Conservação de Moesgaard.
O Museu Moesgaard planeja abrir uma exposição com os artefatos neste verão, permitindo ao público conhecer de perto um capítulo oculto da história viking.
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