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Transição energética no Brasil expõe desafio entre energia renovável e consumo

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 27/01/2026 às 16:34
Transição energética avança, mas falta equilíbrio entre geração e consumo de energia renovável, pressionando tarifas e exigindo planejamento.
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Transição energética avança, mas falta equilíbrio entre geração e consumo de energia renovável, pressionando tarifas e exigindo planejamento.

O que está em jogo, quem debate, quando e onde: a transição energética no Brasil entrou no centro do debate nacional nesta terça-feira (27/1), durante o O TEMPO Seminários – Transição Energética, realizado em Belo Horizonte, ao reunir reguladores, distribuidoras e representantes da indústria. 

Como avançar em energia renovável sem distorções no sistema elétrico e por que o país enfrenta cortes de geração mesmo com uma matriz energética brasileira majoritariamente limpa foram os pontos-chave.

Assim, a resposta passa por planejamento energético e pelo equilíbrio entre geração e consumo, condição essencial para garantir segurança, preços justos e sustentabilidade. 

Transição energética exige coordenação entre dados, agentes e sociedade 

Embora o Brasil seja referência global em fontes limpas, a expansão acelerada da geração renovável nem sempre encontra demanda equivalente.

Segundo Ivo Sechi Nazareno, secretário de Leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a transição só se consolida quando há harmonia entre sustentabilidade, segurança energética e tarifas acessíveis. 

“Para que a transição energética se desenvolva, é necessário um equilíbrio entre agentes, dados e sociedade”, afirmou o secretário.

Então esse tripé, segundo ele, sustenta um sistema elétrico confiável e financeiramente saudável. 

Energia renovável cresce, mas cortes de geração expõem gargalo 

O paradoxo brasileiro aparece nos chamados curtailments, cortes técnicos de geração.

Diferentemente de outros países, onde o problema decorre da falta de redes, no Brasil o principal motivo é a ausência de consumo no momento em que a energia é produzida. 

“Não há equilíbrio instantâneo entre a geração que está sendo realizada por todas as fontes e o consumo naquele mesmo instante”, explicou Nazareno.

Assim, parte da eletricidade renovável não é utilizada, afetando a eficiência do sistema e os custos finais. 

Matriz energética brasileira limpa pressiona tarifas 

O excesso de oferta tem impacto direto na conta de luz.

Para Marcus Madureira, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), o modelo atual carrega um volume elevado de subsídios. 

“Sou totalmente desfavorável a qualquer subsídio.

Assim, a conta é muito alta. Por ano, os consumidores pagaram algo em torno de R$ 54 bilhões”, pontuou.

Segundo ele, o avanço das renováveis exige revisão dos incentivos para evitar distorções tarifárias. 

Planejamento energético e o papel da biomassa 

A crítica aos incentivos concentrados em solar e eólica também veio do setor de bioenergia.

Mário Campos, presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (Siamig), destacou o potencial do biometano, produzido a partir da cana-de-açúcar, como alternativa ao diesel. 

“Hoje, sinceramente, a biomassa está totalmente desincentivada.

Não estamos enxergando o custo real de cada fonte”, afirmou.

Para ele, um planejamento energético mais amplo é essencial para valorizar fontes complementares e reduzir desequilíbrios. 

Equilíbrio entre geração e consumo passa pelas termelétricas 

Apesar do protagonismo das renováveis, especialistas defendem que as usinas termelétricas continuam sendo peças-chave para a estabilidade do sistema.

Madureira lembra que solar e eólica dependem de condições climáticas específicas. 

“Quem assegura energia 24 horas, 365 dias por ano?”, questionou.

Segundo ele, hidrelétricas ajudam, mas sofrem em períodos de estiagem.

Nesse cenário, termelétricas — inclusive movidas a gás natural — garantem o suprimento quando outras fontes falham. 

Transição energética: conceito e contexto brasileiro 

transição energética vai além da troca de combustíveis fósseis por fontes limpas. Trata-se de repensar geração, distribuição e consumo, incorporando eficiência, digitalização e descentralização.

No Brasil, esse processo ocorre a partir de uma base já renovável, o que diferencia o país no cenário global. 

Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que, em 2023, 89% da matriz elétrica brasileira era composta por fontes renováveis, liderança entre os países do G20. 

Energia renovável e diversificação da matriz 

O crescimento de eólica e solar vem alterando a composição histórica baseada em hidrelétricas.

Projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontam que, até 2028, essas fontes devem responder por 51% da capacidade instalada. 

Então essa diversificação reduz a dependência hídrica e amplia a geração descentralizada.

Além disso, o potencial climático brasileiro favorece a expansão sem pressionar áreas sensíveis. 

Desafios estruturais e expansão da demanda 

Apesar dos avanços, a dependência de termelétricas persiste em momentos críticos, elevando custos e emissões.

O Plano Decenal de Expansão de Energia 2034 projeta crescimento anual de 2,1% no consumo, exigindo investimentos em transmissão, armazenamento e eficiência. 

Sem essas medidas, o avanço da energia renovável pode esbarrar em limites técnicos, ampliando o desequilíbrio entre geração e consumo. 

Caminhos para fortalecer a transição energética 

Para consolidar um sistema mais resiliente, especialistas defendem políticas públicas integradas, desenvolvimento de cadeias produtivas nacionais e capacitação profissional.

Assim, a expansão da infraestrutura de transmissão e da mobilidade elétrica também é decisiva. 

Nesse contexto, o Brasil reúne condições para assumir papel estratégico na transformação energética global.

Com uma matriz energética brasileira limpa e diversificada, o país pode atrair investimentos, liderar soluções de baixo carbono e transformar a transição energética em vetor de desenvolvimento sustentável. 

Veja mais em: Transição energética busca equilíbrio entre geração e consumo e Transição energética: desafios e oportunidades no Brasil

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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