Projeto ferroviário privado no Rio Grande do Sul prevê investimento bilionário, nova ligação entre capital e Serra Gaúcha, geração de milhares de empregos e foco em turismo e mobilidade, com trens modernos, estações estratégicas e cronograma de longo prazo.
O governo do Rio Grande do Sul autorizou a implantação de uma ferrovia privada de passageiros que pretende ligar Porto Alegre a Gramado e Canela, com investimento estimado em R$ 4,5 bilhões e início de operação projetado para 2032.
O anúncio foi feito em agosto de 2025 e atribui à empresa SulTrens a responsabilidade pela captação de recursos na iniciativa privada, além da condução das etapas de licenciamento ambiental e desenvolvimento dos projetos de engenharia.
Ligação ferroviária entre Porto Alegre e Serra Gaúcha
Pelo desenho apresentado pelo Estado, a proposta combina mobilidade e turismo ao oferecer um deslocamento mais previsível entre a Região Metropolitana e a Serra Gaúcha.
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A expectativa é de uma viagem com duração aproximada de uma hora, em um trajeto expresso pensado para reduzir a dependência do automóvel e de ônibus, especialmente em períodos de alta temporada.
O traçado divulgado em comunicados oficiais aponta uma ferrovia com cerca de 83 quilômetros, cruzando municípios ao longo do caminho até a área de Gramado e Canela.
Segundo o material apresentado à época do anúncio, a área de influência do projeto inclui dezenas de localidades, com passagem por 19 municípios ao longo do corredor principal.
A concessão para exploração do serviço foi estruturada com prazo de 99 anos, dentro do modelo de autorização para operação privada de transporte ferroviário de passageiros.
Na comunicação institucional, o governo estadual destacou o caráter inédito da iniciativa, ao tratar-se de uma ferrovia de passageiros implantada e operada integralmente pela iniciativa privada dentro de um Estado.
Impacto econômico e geração de empregos
A previsão divulgada aponta para a criação de 22.723 empregos diretos e indiretos, somando vagas nas fases de implantação e de operação do sistema ferroviário.
Esse número aparece em comunicados oficiais e em reportagens publicadas após a autorização do projeto, com detalhamento parcial dos postos diretos e indiretos previstos.
Ainda assim, o volume final de empregos dependerá do avanço do licenciamento, da captação de recursos e da definição do cronograma de obras.
Como ocorre em empreendimentos de grande porte, a quantidade de contratações tende a variar conforme a etapa do projeto, o desenho executivo e as condições de mercado, mantendo-se, por ora, os números divulgados publicamente.
Trens híbridos e conectividade a bordo
Para enfrentar o relevo da Serra Gaúcha, a SulTrens e o governo do Estado indicaram a adoção de trens com motorização híbrida diesel-elétrica.
O termo de adesão divulgado em agosto de 2025 descreve composições articuladas, com tráfego bidirecional e velocidade máxima projetada de 120 km/h, adequadas ao perfil do trajeto.
A capacidade estimada varia entre 220 e 300 passageiros, com previsão de ar-condicionado e outros itens voltados ao conforto durante a viagem.
Além das características técnicas, a conectividade foi apresentada como um diferencial do serviço.
As composições deverão contar com Wi-Fi, alinhando o projeto a um padrão turístico e de conveniência para passageiros em deslocamentos de lazer ou trabalho.
Estações próximas ao aeroporto e ao eixo turístico
As estações principais foram posicionadas para facilitar o acesso tanto de moradores quanto de turistas, evitando deslocamentos urbanos prolongados.
Em Porto Alegre, o projeto prevê uma estação nas proximidades do Aeroporto Internacional Salgado Filho, com ligação estimada a cerca de 700 metros do terminal.
Na Serra Gaúcha, a chegada está prevista para a Avenida das Hortênsias, entre Gramado e Canela, um dos principais eixos turísticos e comerciais da região.
A escolha do local busca integrar o fluxo de visitantes ao corredor que concentra hotéis, restaurantes e atrações, reduzindo a necessidade de deslocamentos adicionais.
Obras de engenharia e desafios do traçado
O plano prevê um conjunto significativo de obras para vencer desníveis e atravessar áreas urbanas e rurais ao longo do percurso.
O termo de adesão menciona 27 cruzamentos rodoferroviários, 15 pontes e viadutos e 9 túneis, além da implantação de um centro de manutenção operacional.
Esses elementos ajudam a explicar o volume elevado de investimentos e o cronograma estendido até a conclusão das obras.
O documento também lista etapas futuras, como pesquisa de demanda, otimização do traçado, elaboração do projeto executivo e realização de estudos ambientais, incluindo EIA/Rima, antes do início das intervenções em escala.
Resgate histórico e apelo turístico
A proposta incorpora ainda um componente histórico ao resgatar a ligação ferroviária entre Porto Alegre e a região de Gramado, encerrada em 1963, conforme registros citados no projeto.
O novo traçado se apresenta como uma retomada do transporte ferroviário de passageiros, agora com foco em deslocamentos rápidos e no fortalecimento do turismo regional.
No discurso público, a ferrovia é apontada como alternativa para reduzir a pressão sobre rodovias e centros urbanos, especialmente durante feriados e períodos de maior fluxo.
Também há expectativa de que o trajeto ofereça trechos panorâmicos ao longo da Serra Gaúcha, ampliando o apelo turístico da viagem.
Parte desse interesse está associada ao clima de inverno da região, frequentemente ligado a temperaturas baixas e à eventual ocorrência de neve.
Registros oficiais e guias de viagem, no entanto, indicam que a neve em Gramado é esporádica, não ocorrendo todos os anos.
Quando registrada, costuma ser pontual e de curta duração, o que significa que o cenário de neve não pode ser considerado uma característica regular do trajeto.
Com licenciamento e captação de investimentos ainda em andamento, o projeto segue condicionado ao cumprimento de etapas técnicas e ambientais antes de se transformar em obra.
Caso avance conforme o cronograma, a ferrovia poderá alterar a forma de acesso à Serra Gaúcha e a dinâmica de deslocamento entre o interior e a capital, mas quais sinais concretos indicarão que o trem começou, de fato, a sair do papel?
Um sonho de verão!