Vida selvagem britânica ganha novo capítulo em Cumbria com 13 marta-dos-pinheiros vindas da Escócia, reintroduzidas em Grizedale e no Vale de Rusland para formar população viável, restaurar ecossistemas florestais e favorecer o esquilo-vermelho nativo
A vida selvagem do noroeste da Inglaterra voltou a registrar um predador que desapareceu da região no fim do século XIX: treze marta-dos-pinheiros foram soltas no Lake District, em Cumbria, retornando às florestas onde antes eram comuns e reativando um equilíbrio ecológico interrompido por mais de um século.
A reintrodução envolve oito fêmeas e cinco machos transferidos de populações estabelecidas na Escócia, agora vivendo em áreas como a Floresta de Grizedale e o Vale de Rusland, com acompanhamento para entender como elas se deslocam, caçam, escolhem abrigos e começam a formar uma população estável na paisagem de Cumbria.
Onde as marta-dos-pinheiros foram soltas e como elas entram na paisagem

As treze marta-dos-pinheiros foram reintroduzidas em 2024 no Lake District, em Cumbria, no noroeste da Inglaterra.
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A soltura foi concentrada em duas áreas florestais citadas como pontos principais: a Floresta de Grizedale e o Vale de Rusland.
Essas áreas funcionam como corredores e refúgios naturais, oferecendo cobertura vegetal, locais de abrigo e rotas para deslocamento noturno.
O retorno da espécie não é tratado como um evento pontual, mas como o início de uma presença contínua.
A expectativa é que as marta-dos-pinheiros passem a percorrer bosques, bordas de floresta e diferentes manchas de habitat, ocupando gradualmente um território que havia ficado sem esse predador por mais de um século.
O que são marta-dos-pinheiros e por que elas chamam tanta atenção

A marta-pineira é um mamífero de corpo longo e esguio, com pelagem marrom-chocolate e uma mancha amarelo-clara ao redor da garganta.
Em tamanho, ela se aproxima de um gato doméstico pequeno: mede entre 60 e 70 cm e pode pesar até 2 kg.
Ela é aparentada a outros mustelídeos, como texugos e lontras, e é descrita como ecologicamente importante por ocupar um papel de mesopredador.
Isso significa que ela regula populações menores e ajuda a manter o funcionamento do ecossistema florestal sem necessariamente estar no topo absoluto da cadeia alimentar.
As marta-dos-pinheiros são principalmente noturnas, caçando do crepúsculo ao amanhecer.
Essa rotina discreta, combinada com agilidade e capacidade de escalar e se mover em ambientes densos, faz com que a espécie seja difícil de ver, mas muito influente no equilíbrio da vida selvagem local.
Dieta, comportamento e por que elas “costuram” a floresta por dentro
As marta-dos-pinheiros são descritas como onívoras e oportunistas, consumindo o que for sazonalmente abundante. Isso inclui pequenos mamíferos, insetos, fungos, frutos silvestres, pequenas aves, ovos e carniça.
Essa dieta ampla é central para entender por que a espécie é vista como reforço de cadeias alimentares.
Ao alternar entre diferentes fontes de alimento ao longo do ano, a marta-pineira se adapta ao que a floresta oferece e mantém uma pressão predatória constante sobre determinadas presas, além de contribuir para limpeza ecológica quando consome carniça.
Nos bosques de folha larga e nas florestas de coníferas, ela se sente igualmente à vontade, o que é relevante porque o Lake District reúne paisagens florestais variadas.
Isso aumenta a chance de a espécie usar múltiplos ambientes, ampliando sua área de ocupação.
Por que elas sumiram de Cumbria e por que o retorno é histórico
A marta-pineira era comum em Cumbria até o final do século XIX, mas acabou localmente extinta por erradicação deliberada e perda de habitat.
Durante décadas, a região passou a funcionar sem esse predador, o que altera o equilíbrio de presas e competidores dentro do ecossistema.
Em 2022, uma marta-pineira foi registrada por armadilha fotográfica no sul de Cumbria, mostrando que a recolonização natural estava ocorrendo, mas lentamente.
O movimento atual acelera esse processo, colocando novamente indivíduos suficientes na paisagem para aumentar a chance de reprodução e formação de uma população viável.
O efeito mais aguardado: pressão sobre esquilos-cinzentos invasores
Um dos pontos centrais do retorno das marta-dos-pinheiros é o impacto sobre esquilos.
A espécie é um dos poucos animais ágeis o suficiente para caçar esquilos, e embora possa se alimentar tanto de esquilos-vermelhos quanto de esquilos-cinzentos, o material destaca que o alvo principal tende a ser o esquilo-cinzento.
Os esquilos-cinzentos são não nativos no Reino Unido e foram introduzidos no século XIX vindos da América do Norte.
Eles se espalham para o norte do país, competem com os esquilos-vermelhos por alimento e carregam o vírus da varíola dos esquilos, que é inofensivo para os cinzentos, mas fatal para os vermelhos.
Na prática, a presença de marta-dos-pinheiros cria uma pressão predatória que pode reduzir a vantagem do esquilo-cinzento, ajudando a reequilibrar uma disputa que, sem predadores eficientes, tende a favorecer o invasor.
Como isso pode favorecer o esquilo-vermelho nativo
Em Cumbria, pesquisadores acreditam que, conforme o número de marta-dos-pinheiros aumente, a população local de esquilo-vermelho, atualmente em declínio, pode ser beneficiada.
O mecanismo esperado é indireto: com mais marta-dos-pinheiros na floresta, a pressão sobre esquilos-cinzentos aumenta e, com isso, o esquilo-vermelho ganha espaço e reduz exposição a uma dinâmica dominada pelo invasor.
Esse tipo de efeito é chamado de cascata ecológica: uma mudança em um nível da cadeia alimentar provoca impactos em outros níveis, alterando a estrutura do ecossistema.
Como as marta-dos-pinheiros serão acompanhadas no dia a dia
As marta-dos-pinheiros soltas foram monitoradas por equipes acadêmicas e veterinárias, além de voluntários e estudantes.
O acompanhamento inclui radiotelemetria para rastrear deslocamentos e armadilhas fotográficas remotas para verificar presença, comportamento e padrões de atividade.
Esse monitoramento busca responder perguntas práticas e decisivas: para onde as marta-dos-pinheiros se movem depois da soltura, como elas escolhem áreas de descanso, quais rotas usam para atravessar a paisagem, como reagem a áreas mais abertas e como exploram florestas densas.
Além disso, foi instalada uma rede de caixas-toca em toda a região, oferecendo locais seguros de abrigo e reprodução na próxima primavera.
Esses abrigos têm papel crucial porque reprodução e sobrevivência de filhotes são indicadores diretos de que a reintrodução está se consolidando.
Por que oito fêmeas e cinco machos importa no objetivo de criar população estável
A composição do grupo soltado, com oito fêmeas e cinco machos, é um detalhe importante porque uma população viável depende de reprodução consistente ao longo dos anos.
Sem uma base reprodutiva suficiente, a presença de marta-dos-pinheiros poderia permanecer frágil ou desaparecer novamente.
A expectativa de reforçar a presença da espécie inclui uma segunda soltura em 2025, com objetivo de alcançar cerca de 30 animais translocados no total. Isso aumenta as chances de diversidade, ocupação territorial e criação de uma base populacional mais resiliente.
Uma espécie discreta, mas capaz de reorganizar a vida selvagem regional
As marta-dos-pinheiros são discretas, noturnas e raras de se ver, mas o efeito delas não depende de visibilidade.
O impacto ocorre quando elas se estabelecem, caçam, se reproduzem e voltam a exercer um papel ecológico que ficou ausente desde o século XIX.
O retorno no Lake District é retratado como um passo concreto para reconstruir a funcionalidade da floresta, fortalecendo cadeias alimentares e alterando o equilíbrio entre espécies nativas e invasoras em Cumbria.
Na sua opinião, o retorno das marta-dos-pinheiros ao Lake District pode virar o exemplo mais forte de recuperação da vida selvagem no Reino Unido, ou ainda é cedo para apostar que elas vão se estabelecer de vez?

Ingleses e seu hábito exótico de carregar animais de um continente para outro!
Achei interessante essa medida e aposto muito nos resultados esperados.