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Tribunal de Justiça ganha desembargador com Autismo nível 1 e trajetória de Resiliência profissional

Escrito por Sara Aquino
Publicado el 22/02/2026 a las 13:11
Magistrado com Autismo nível 1 assume no Tribunal de Justiça e reforça a Inclusão neurodivergente na Carreira jurídica.
Foto: IA
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Magistrado com Autismo nível 1 assume no Tribunal de Justiça e reforça a Inclusão neurodivergente na Carreira jurídica.

O juiz e professor Alexandre Morais da Rosa, de 52 anos, foi nomeado desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) em novembro de 2025.

O anúncio oficializa sua ascensão ao Tribunal de Justiça após décadas de atuação na magistratura e na docência.

Diagnosticado com Autismo nível 1 em 2021, ele transforma a própria trajetória em exemplo de Resiliência profissional e Inclusão neurodivergente no Judiciário. 

Natural de Florianópolis, formado em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1997, o magistrado construiu uma sólida Carreira jurídica.

Além disso, entre 2022 e 2023, atuou como juiz auxiliar do ministro Gilmar Mendes no Supremo Tribunal Federal, na área criminal. 

A nomeação ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina ocorre após anos de experiência na primeira instância e no segundo grau.

Assim, sua chegada ao Tribunal de Justiça simboliza não apenas reconhecimento técnico, mas também avanço na Inclusão neurodivergente em cargos de alta responsabilidade. 

Autismo nível 1: diagnóstico tardio trouxe autoconhecimento 

O diagnóstico de Autismo nível 1 de suporte veio aos 47 anos, após 13 semanas de acompanhamento psicológico.

Além disso, Alexandre também foi identificado com altas habilidades, o que ajudou a compreender melhor seu perfil cognitivo. 

Segundo ele, o processo foi transformador. “Eu consegui entender melhor as minhas limitações em relação à minha atividade profissional e nos meus relacionamentos.

Houve uma mudança significativa para poder me reposicionar e agora eu entendo porque muitas vezes eu ficava de saco cheio, por exemplo”, relata. 

O Autismo nível 1 é caracterizado por menor necessidade de suporte, mas pode envolver dificuldades na interação social e na interpretação de nuances de linguagem.

Portanto, o diagnóstico tardio trouxe respostas para desafios vividos desde a adolescência. 

Da adolescência à magistratura: Resiliência profissional desde cedo 

Ainda jovem, Alexandre se descreve como reservado e focado nos estudos.

A dificuldade em compreender ironias e piadas o tornava alvo de hostilidade entre colegas. 

“A gente tende a levar na versão literal tudo que ouvimos, e só depois tentamos fazer uma conotação. É um desafio nosso do dia a dia, que acabamos aprendendo”, explica. 

Ele também relembra: “Eu sempre fui aquele adolescente que gostava de estudar. Tinha poucos amigos, não interagia tanto, não era famoso. Na minha época, essas questões não eram discutidas, então, eu não tinha suspeita em relação ao meu autismo”. 

Para evitar exposição, adotava estratégias próprias.

“Eu procurava nunca acertar tudo, para não chamar a atenção”, afirma. 

Essa vivência moldou sua Resiliência profissional, característica que acompanha toda a sua Carreira jurídica. 

Tribunal de Justiça exige adaptação ao trabalho colegiado 

Um dos momentos mais desafiadores ocorreu em 2023, quando passou a atuar no segundo grau.

Até então, como juiz de primeira instância, decidia de forma individual. 

No Tribunal de Justiça, porém, os julgamentos são colegiados.

Isso significa que decisões são tomadas em grupo, exigindo diálogo e construção de consenso. 

“Quando a gente é juiz estadual, decidimos sozinho, sem coletivo.

O tribunal é uma aprendizagem, porque é um colegiado, então, você tem que negociar com os demais.

A negociação faz parte da vida em colegiado”, conta. 

Com o tempo, ele desenvolveu novas estratégias. “Hoje, estou acostumado a ter essa relação de ouvir e esperar, aguardar, não atravessa ninguém.

Me acostumei a um espaço mais dialogal, o que não era costume nem na minha vida privada, nem na minha vida como juiz. Essa aprendizagem coletiva é muito significativa”. 

Inclusão neurodivergente ainda enfrenta resistência 

Após o diagnóstico de Autismo nível 1, Alexandre passou a utilizar o cordão de identificação no ambiente de trabalho. Para ele, o gesto representa mais do que um símbolo: é um posicionamento público. 

“Numa divisão binária de mundo entre normais e anormais, a gente ficaria nos anormais. Muita gente tem diagnóstico e evita o cordão, porque é um preconceito grande.

Muitos colegas vêm falar comigo dizendo que não assumem a condição por receio da hostilidade que ainda prevalece em face do desconhecimento”, afirma. 

Ele defende que a Inclusão neurodivergente no Tribunal de Justiça ainda precisa avançar.

“A gente tem que ser tolerante até o ponto que não cause dano para nós e nem para os outros. Trata-se do paradoxo da intolerância. Temos que enfrentar pessoas, lutar por direitos e não se acovardar, porque ninguém é melhor nem pior por ser neurotípico ou autista. Temos todos a mesma dignidade”. 

Reconhecimento no STF fortaleceu Carreira jurídica 

Durante o período em que trabalhou no gabinete de Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal, Alexandre atuou em casos relevantes na área criminal.

Participou da elaboração de votos e debates sobre temas sensíveis, como juiz de garantias e colaboração premiada. 

Sobre o magistrado, o ministro declarou: “Sua trajetória evidencia sólida formação, rigor técnico e compromisso com a jurisdição, qualidades que justificam plenamente sua ascensão ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina”. 

A experiência no STF consolidou ainda mais sua Carreira jurídica e reforçou sua reputação técnica. 

Autismo nível 1 e Tribunal de Justiça: exemplo de transformação 

Hoje, como desembargador do Tribunal de Justiça, Alexandre Morais da Rosa representa uma mudança simbólica no Judiciário brasileiro.

Sua trajetória une Autismo nível 1, Resiliência profissional e excelência técnica. 

Mais do que uma conquista individual, sua nomeação amplia o debate sobre Inclusão neurodivergente em posições de liderança.

Assim, sua história demonstra que diversidade cognitiva e alta performance podem caminhar juntas na Carreira jurídica. 

Veja mais em: Diagnosticado com autismo, juiz é nomeado desembargador do TJSC

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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