1. Início
  2. / Agronegócio
  3. / Trump recua e corta tarifas do café para salvar o cafezinho dos americanos no Natal
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

Trump recua e corta tarifas do café para salvar o cafezinho dos americanos no Natal

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 12/11/2025 às 12:22
Trump recua e corta tarifas do café para salvar o cafezinho dos americanos no Natal
Fonte: IA
  • Reação
2 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Trump corta tarifas do café para evitar falta do produto nos EUA no Natal e Réveillon, após estoques caírem e preços subirem.

Trump recua e corta tarifas do café para conter crise nos EUA

Em meio a uma escalada de preços e estoques em queda, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que vai reduzir as tarifas de importação do café. A decisão foi confirmada em entrevista à Fox News nesta terça-feira (12), e tem como meta evitar que o tradicional cafezinho desapareça das mesas americanas durante o Natal e o Réveillon.

O movimento marca uma reviravolta na política comercial de Trump, que havia imposto tarifas de até 40% sobre o café brasileiro e colombiano. Agora, diante da escassez e do aumento dos custos, o governo americano tenta retomar o fluxo de importações para garantir o abastecimento interno.

Estoques em colapso e pressão do mercado forçam mudança

Com os estoques americanos praticamente esgotados e sem novos fornecedores à altura, o governo não teve alternativa. O agronegócio norte-americano, altamente dependente do café importado, enfrenta um impasse logístico que ameaça o consumo doméstico.

Segundo Trump, “chegou a hora da verdade”. Ele afirmou que os EUA precisam de medidas emergenciais para evitar que o café se torne um produto escasso nas festas de fim de ano.

Brasil volta ao centro das atenções

O Brasil é o principal fornecedor de café arábica para os Estados Unidos, seguido pela Colômbia. Países da América Central, como Costa Rica, Honduras e Guatemala, também participam, mas suas produções são insuficientes para atender à demanda americana.

De acordo com o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto de Melo, a diferença no volume exportado em 2025 é alarmante. “Nos meses de agosto, setembro e outubro do ano passado, os Estados Unidos compraram 1,5 milhão de sacas do café mineiro. No mesmo período deste ano, apenas 100 mil foram embarcadas”, relatou o dirigente à rádio Itatiaia.

Essa queda drástica impacta diretamente os cafeicultores brasileiros, especialmente em Minas Gerais, e levanta um alerta sobre a sustentabilidade das exportações.

Portos sobrecarregados agravam o cenário

Além da política tarifária, o problema logístico nos principais portos brasileiros também pesa na balança. O porto de Santos, o maior exportador de café do país, enfrenta gargalos que atrasam os embarques.

Somente em setembro, 939 mil sacas de café deixaram de ser enviadas aos Estados Unidos por conta de atrasos e limitações operacionais. O prejuízo para produtores e exportadores ultrapassou R$ 9 milhões, segundo estimativas do setor.

Esses atrasos ajudam a explicar parte da escassez enfrentada pelos americanos, já que o café brasileiro é o principal responsável pelo equilíbrio do mercado global.

Tarifa reduzida, mas sem detalhes oficiais

Apesar do anúncio, Trump não especificou quais países serão beneficiados pela redução tarifária. Ainda assim, analistas do setor afirmam que não há como o café brasileiro ficar de fora, dada sua qualidade e capacidade de produção.

A expectativa é que a revisão alivie os custos para importadores e, consequentemente, estabilize os preços internos. Assim, o tradicional café americano poderá permanecer acessível para milhões de consumidores no fim do ano.

Repercussões no agronegócio e tensão política

A decisão de Trump também tem implicações políticas. O presidente busca reforçar sua imagem de protetor do consumidor americano em um momento de inflação persistente. Ao mesmo tempo, tenta reaproximar os parceiros comerciais do agronegócio latino-americano, especialmente o Brasil.

Por outro lado, o gesto mostra que Trump tenta conter o impacto das tarifas sobre os produtos agrícolas, que já afetam o café, o leite e o açúcar.

Café e leite: uma dupla em apuros

Enquanto o café enfrenta gargalos logísticos e barreiras tarifárias, o setor de laticínios vive uma crise paralela. A entrada de leite em pó da Argentina e do Uruguai tem afastado os pequenos produtores do mercado interno, segundo especialistas.

A indústria, pressionada por custos, acaba reidratando o leite em pó importado, o que reduz a competitividade do produto nacional e fragiliza o setor rural.

Nissan EUA e o pano de fundo comercial

Curiosamente, a revisão tarifária do café ocorre no mesmo contexto de tensões comerciais que envolvem outras indústrias estratégicas, como a automotiva. A Nissan EUA, por exemplo, tem alertado sobre o impacto de tarifas em componentes importados e no preço final de veículos, reforçando a necessidade de uma política comercial mais equilibrada.

Assim, as tarifas impostas por Trump não afetam apenas o agronegócio, mas também a cadeia produtiva de setores como o automobilístico, o que aumenta a pressão sobre o governo às vésperas das festas e do ano eleitoral.

O café, símbolo e termômetro da economia global

Portanto, a decisão de Trump de reduzir as tarifas do café não é apenas uma medida emergencial para evitar o desabastecimento nos EUA. É também um sinal de que o agronegócio global segue ditando o ritmo da política e da diplomacia internacional.

Com o Brasil no centro das atenções e o café novamente no topo da agenda econômica, o fim de 2025 promete um clima quente não só nas xícaras, mas também nas negociações comerciais que definem o futuro do setor.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x