Parceria entre gigantes muda o tabuleiro do delivery no Brasil ao integrar corridas e entregas em um só ecossistema, enquanto 99Food, Keeta e Rappi retomam o front competitivo com bilhões em investimentos e planos agressivos de expansão.
A disputa pelo mercado brasileiro de delivery entra em uma nova fase com o início da integração entre os aplicativos da Uber e do iFood. A partir de novembro de 2025, as duas empresas passam a dividir espaço dentro do app uma da outra, conectando mobilidade e entregas em um mesmo ambiente digital e adicionando mais uma camada de complexidade à chamada guerra do delivery.
Na prática, usuários do iFood passam a pedir corridas da Uber sem sair do aplicativo, enquanto o app da Uber passa a exibir entregas de refeição, mercado e outros itens feitas pelo iFood. A iniciativa estreia em Belo Horizonte e tem cronograma definido para chegar a outras capitais e, depois, a todas as cidades atendidas pelas plataformas até janeiro de 2026. Em paralelo, rivais como 99Food, Keeta e Rappi retomam posição no front, reforçando que o mercado de delivery está longe de estar definido.
Integração Uber e iFood em plena guerra do delivery
A integração entre Uber e iFood é anunciada em um contexto de forte competição no mercado de delivery, marcado por novas entradas e pela volta de players que já haviam recuado no passado. A parceria tem dois movimentos centrais.
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Na primeira fase, usuários do iFood passam a ter uma aba específica da Uber dentro do app, podendo solicitar corridas diretamente pela interface que já utilizam para pedir comida ou fazer compras em mercado.
Em seguida, em dezembro, o aplicativo da Uber ganha uma aba dedicada ao iFood, exibindo entregas de refeição, mercado e outros itens em um mesmo ambiente em que o cliente já pede viagens.
O recurso estreia nesta segunda em Belo Horizonte, com expansão planejada para grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Campinas, Goiânia, Recife, Porto Alegre e Salvador ainda em dezembro.
A previsão divulgada é que, em janeiro de 2026, a integração esteja disponível em todas as cidades em que Uber e iFood já atuam em mobilidade e delivery.
Volta da Uber ao delivery de refeições, agora via parceria
A parceria também marca, de forma indireta, o retorno da Uber ao delivery de refeições no Brasil após o encerramento do Uber Eats em março de 2022. Antes, a empresa operava diretamente no segmento de entregas de comida, em competição frontal com o iFood.
Com o acordo atual, a Uber volta a participar do mercado de delivery não com marca própria de restaurante, mas como porta de entrada para as entregas do iFood dentro de seu aplicativo principal.
A empresa mantém o foco em mobilidade e serviços agregados, ao mesmo tempo em que se beneficia do fluxo gerado por um parceiro dominante no segmento de refeições. Já o iFood amplia sua exposição junto à base de usuários da Uber, reforçando a presença de sua marca nos momentos de deslocamento e não apenas de pedidos de comida.
Rivais reagem e reforçam a guerra do delivery
Enquanto Uber e iFood aprofundam a parceria, o cenário competitivo do delivery ganha novos ingredientes com a volta da 99Food, a chegada da Keeta e o reforço da Rappi.
A 99Food, que havia operado por quatro anos no Brasil e depois recuado, retorna como opção de delivery dentro do app da 99.
Controlada pela chinesa Didi Chuxing desde 2018, a 99 anunciou um plano de investimento de R$ 2 bilhões até junho de 2026 no país, buscando recuperar espaço e alinhar oferta de transporte e entregas em um mesmo ecossistema.
A Keeta, ligada ao grupo chinês Meituan, começou a operar no Brasil no fim de outubro, com aplicativo piloto em Santos e São Vicente, no litoral de São Paulo.
A promessa divulgada é investir US$ 1 bilhão em cinco anos, valor que, convertido, representa cerca de R$ 5,4 bilhões. A estratégia é entrar no mercado de delivery com capital robusto e foco em expansão gradual.
Já a Rappi anunciou R$ 1,4 bilhão em novos investimentos, com dois objetivos principais: ampliar a base de restaurantes parceiros e expandir a operação de cerca de 50 cidades para 300 cidades.
Esse movimento coloca mais pressão sobre o iFood e reforça que o mercado de delivery ainda é visto como estratégico por múltiplos grupos, inclusive internacionais.
Parceria é reação à concorrência ou estratégia de ecossistema
Em meio à leitura de que o mercado vive uma verdadeira guerra do delivery, a integração poderia ser interpretada como uma resposta direta à volta de 99Food, à entrada da Keeta e ao reforço da Rappi. Porém, iFood e Uber sustentam discurso diferente.
Segundo o CEO do iFood, Diego Barreto, as conversas começaram em setembro do ano anterior, quando nem se falava ainda de novos entrantes como Keeta no Brasil.
A narrativa é de estratégia de ecossistema: reunir mais serviços em um só lugar para aumentar conveniência e engajamento, e não apenas de reação ao acirramento competitivo.
Na mesma linha, Silvia Penna, diretora-geral da Uber no Brasil, aponta que a união facilita a vida dos consumidores, que passam a resolver mobilidade e delivery no mesmo ambiente digital.
A lógica é que, em um cenário com múltiplas ofertas, a experiência integrada, a diversidade de serviços e a força de marca ganham peso na decisão de qual app o cliente abre primeiro.
Assinatura conjunta e impacto no bolso dos usuários
Um ponto-chave da nova fase da guerra do delivery é a assinatura conjunta anunciada por iFood e Uber. As empresas lançarão um plano unificado de fidelidade por R$ 21,90 ao mês, combinando benefícios dos dois lados.
Hoje, o Clube iFood custa R$ 12,90 e o Uber One sai por R$ 19,90. Quem opta por assinar ambos separadamente paga mais do que o valor da nova assinatura conjunta.
Segundo o CEO do iFood, a proposta é gerar benefício econômico tanto na mensalidade quanto na combinação de descontos e fretes gratuitos, reforçando o uso recorrente de mobilidade e delivery em uma mesma cesta de serviços.
Na prática, essa assinatura única é uma resposta ao comportamento do usuário que alterna apps em busca de preço, frete e promoções.
Ao unificar benefícios, Uber e iFood tentam manter o cliente dentro de um mesmo eixo de aplicativos, reduzindo a tentação de migrar para concorrentes em pedidos de delivery ou em corridas no dia a dia.
O que muda na experiência de delivery para o usuário
Do ponto de vista do usuário, a mudança central é a presença de abas cruzadas entre mobilidade e delivery. No app do iFood, surge uma aba dedicada à Uber para pedido de corridas.
No app da Uber, surge uma aba dedicada ao iFood para pedidos de refeição, mercado e outros itens.
Essa integração é aplicada de forma automática, sem necessidade de ação extra do usuário. A tendência é que o cliente passe a enxergar menos a fronteira entre um app de carro e um app de comida, lidando com um fluxo mais contínuo de serviços: sair de casa, pedir transporte, escolher restaurante, receber o pedido e voltar, tudo com as mesmas credenciais e, em alguns casos, com a mesma assinatura de fidelidade.
Ao mesmo tempo, com Keeta, 99Food e Rappi reforçando investimentos e ampliando cobertura geográfica, o usuário de delivery tende a encontrar mais alternativas de preços, prazos de entrega e promoções, especialmente nas grandes cidades.
Quem ganha relevância é o app que conseguir equilibrar melhor conveniência, custo total por pedido e estabilidade da plataforma.
Próximos capítulos da guerra do delivery até 2026
O cronograma anunciado prevê expansão da integração de delivery e mobilidade entre Uber e iFood em etapas. Em novembro, Belo Horizonte serve como laboratório.
Em dezembro, a união chega a grandes capitais, tanto na aba da Uber dentro do iFood quanto na aba do iFood dentro do app da Uber.
Em janeiro de 2026, a integração deve cobrir todas as cidades em que ambas as empresas já atuam. No mesmo período, segue o plano de investimentos de 99Food até junho de 2026, a execução da estratégia de cinco anos da Keeta e o plano da Rappi de multiplicar por seis o número de cidades atendidas.
Esse conjunto de movimentos reforça que o mercado brasileiro de delivery está entrando em uma fase de consolidação com múltiplos gigantes, forte capital estrangeiro e parcerias de ecossistema, em vez de uma disputa simples de “um contra todos”.
Para o consumidor, o desafio será navegar por assinaturas, cupons, taxas e prazos para entender de fato onde está o melhor custo-benefício em cada situação.
Com tanta mudança chegando ao mesmo tempo, uma pergunta fica no ar para você que usa apps todos os dias: na prática do seu dia a dia, você tende a concentrar tudo em um único app de delivery e mobilidade ou prefere alternar entre várias opções conforme o preço e a promoção do momento?
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