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Um bilhão de ostras é lançado no porto de Nova York após décadas de devastação; voluntários lavam conchas, recifes já somam 17 acres e 150 milhões de ostras, filtrando a água e trazendo peixes, num plano caro, mas funcionando agora

Publicado em 05/01/2026 às 20:34
No porto de Nova York, voluntário ajuda a restaurar recife de ostra e traz biodiversidade de volta às águas poluídas, provando que a recuperação é possível.
No porto de Nova York, voluntário ajuda a restaurar recife de ostra e traz biodiversidade de volta às águas poluídas, provando que a recuperação é possível.
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No porto de Nova York, o Billion Oyster Project recolhe conchas de 80 restaurantes, cura por um ano e assenta larvas em esferas de recife. Já são 17 acres restaurados e 150 milhões de ostras na água, filtrando até 50 galões por dia, mas sem consumo por esgoto ainda hoje.

No porto de Nova York, voluntários se reúnem em dias de semana para uma tarefa que parece improvável: lavar milhões de conchas de ostras. É a linha de frente do Billion Oyster Project, um plano de restauração ambiental que quer devolver recifes ao porto e, com isso, melhorar a qualidade da água e reativar um ecossistema urbano subaquático.

A meta declarada é grande: colocar 1 bilhão de ostras de volta ao porto. O projeto já afirma ter aproximadamente 17 acres de recife restaurado e mais de 150 milhões de ostras devolvidas à água, com sinais de biodiversidade retornando, apesar de um problema que limita o entusiasmo: o porto segue poluído, e as ostras restauradas não podem ser consumidas.

Por que o porto perdeu as ostras e o que elas fazem pela água

Antes de Nova York virar a “Big Apple”, o material do projeto descreve a cidade como uma “ostra grande”, com recifes abundantes que foram superexplorados e depois dragados conforme o tráfego marítimo aumentou.

A perda não foi só econômica: o impacto também foi ambiental, porque ostras adultas funcionam como filtros naturais.

Uma ostra adulta, do tamanho “da palma da mão”, pode filtrar 50 galões de água por dia ou mais.

No cálculo apresentado, um bilhão de ostras poderia filtrar o volume permanente do porto de Nova York a cada 3 dias, atuando como uma estação natural de tratamento que opera continuamente.

É esse ganho de filtragem que sustenta a ideia de que o plano está funcionando agora.

Recifes vivos também viram berçário e podem proteger a costa

As ostras são descritas como coloniais: crescem juntas, atraídas pelo carbonato de cálcio das conchas, e constroem estruturas orgânicas de recife.

Esses recifes viram habitat e berçário para diversas espécies do porto de Nova York, incluindo pequenos peixes e caranguejos.

Em quantidade e cobertura suficientes no fundo do mar, essas estruturas também podem funcionar como paredes naturais, reduzindo energia de ondas, ajudando a proteger o litoral contra erosão e maré de tempestade.

O material cita o furacão Sandy, em 2012, como um momento em que a importância dessa proteção costeira ficou especialmente clara.

O passo a passo: das conchas de restaurante ao fundo do porto

O processo começa com conchas descartadas.

O projeto diz que faz parceria com 80 restaurantes na cidade: pessoas comem ostras, trabalhadores recolhem as conchas e elas seguem para a base do projeto, onde ficam cerca de um ano ao ar livre, recebendo sol, vento e chuva, para “limpar” naturalmente antes do uso.

Até aqui, o projeto relata ter coletado cerca de 3 milhões de libras de conchas, que depois passam por uma máquina de tambor rotativo para remover detritos restantes.

Em seguida, larvas de ostra, chamadas de “spat”, são introduzidas em tanques na Governors Island, assentadas em estruturas e então levadas por barcos para locais de restauração por todo o porto de Nova York.

A inovação das esferas de recife e o trabalho dos voluntários

O material descreve uma evolução: no início, o projeto usava gaiolas de metal que enferrujavam e se degradavam; depois, passou a fabricar e implantar esferas de recife de concreto, estruturas artificiais projetadas para durar na água.

A lógica é simples: a forma favorece a água e, “situada com um monte de ostras”, fica muito boa para o meio ambiente.

Em todas as etapas, os voluntários são tratados como peça-chave.

A participação de pessoas do ensino médio a aposentados, unidos por um ponto em comum: cuidar da comunidade e fazer uma parte prática no que é descrito como esforço local de mitigação de mudanças climáticas.

17 acres, 150 milhões e um laboratório vivo de biodiversidade

O projeto afirma manter uma rede de monitoramento com estações de pesquisa, descritas como uma rede de 200 gaiolas que funcionam como janelas para o ecossistema do porto de Nova York em recuperação.

Essas estações permitem observar crescimento, recrutamento e mortalidade das ostras, além da biodiversidade ao redor.

O material relata achados considerados “notáveis” dentro das gaiolas: caranguejos, hidroides (relacionados a águas-vivas e corais), jatos-do-mar e túnicas; e descreve um momento simbólico, quando foi visto um peixe pequeno que teria feito da gaiola sua casa e estava guardando ovos.

Também são citados registros de caranguejos azuis, peixes-borboleta, espécies listradas e até enguias americanas, reforçando a narrativa de retorno de vida marinha.

O problema da “maionese preta” e por que as estruturas importam

O fundo do porto com uma lama pobre em oxigênio, chamada de “maionese preta”, onde “nada consegue viver”.

Nesse cenário, as gaiolas e esferas de recife viram plataformas de habitat “em cima” dessa lama, criando um espaço viável para invertebrados e espécies que, de outra forma, não se estabeleceriam.

Ao colocar ostras na água, o projeto afirma incentivar o acúmulo de biodiversidade no porto de Nova York, o que surpreende muitos moradores justamente pela desconexão comum com a ideia de que a cidade é, também, uma cidade costeira.

Educação, vitrine global e visitas internacionais

Além de restauração, há um eixo educativo. O material descreve parcerias com escolas e programas comunitários que levam estudantes e moradores para ver e investigar o que vive abaixo da superfície, usando as gaiolas como ferramenta de aprendizado.

O trabalho teria atraído reconhecimento internacional: o modelo do porto de Nova York estaria sendo estudado por outras cidades, e o projeto relata visitas e interesse de lideranças, incluindo menções ao rei da Jordânia e ao príncipe William.

Você apoiaria um plano caro para expandir recifes no porto de Nova York, mesmo sabendo que essas ostras não podem ser comidas por causa da poluição?

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William
William
05/01/2026 22:00

sim,com toda certeza e convicção de que é um nicho ecológico crucial descoberto !

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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