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Um youtuber constrói um motor elétrico funcional usando peças LEGO, bobinas de cobre e ímãs de neodímio, deixa o funcionamento todo visível, e leva o projeto a girar a até 4.000 rotações por minuto com uma simples bateria de 9V

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 18/02/2026 às 12:19
Atualizado em 18/02/2026 às 12:28
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Sem software e sem placas inteligentes, um motor feito de LEGO, cobre e ímãs colocou a retroalimentação física no centro do funcionamento, mostrando como sistemas “simples” conseguem se auto sincronizar só com eletrônica básica

Um criador resolveu ir na contramão da onda dos kits “prontos” de robótica, placas programáveis e soluções fechadas. Em vez de esconder a tecnologia atrás de módulos inteligentes e firmware, ele fez o caminho inverso: simplificou tudo até ficar só o essencial. O resultado chamou atenção: Jamie, do canal do YouTube Jamie’s Brick Jams, montou um motor elétrico funcional usando principalmente peças LEGO, ímãs comuns e componentes eletrônicos básicos — e ainda mostrou tudo “por dentro”, com a mecânica e o eletromagnetismo à vista.

A proposta é direta: nada de microcontrolador, nada de software. Só física, tentativa e erro e um entendimento claro de como um campo magnético se comporta quando a corrente chega no instante certo. Mais do que girar, o motor vira uma aula prática do que move uma parte enorme do mundo moderno.

Motor elétrico “aberto”: dá para ver a física acontecendo

Motores elétricos costumam parecer complicados porque quase sempre escondem as partes internas em carcaças metálicas. Aqui acontece o oposto: tudo fica exposto. O princípio é conhecido, mas raramente é apresentado de forma tão didática: corrente elétrica passando por uma bobina gera um campo magnético e, ao interagir com ímãs permanentes, esse campo produz movimento.

No projeto, o rotor (a parte que gira) é feito com dois ímãs de neodímio posicionados em lados opostos de um eixo. E um detalhe vira protagonista: equilíbrio. Se o conjunto vibra, a energia se perde. Para segurar as peças durante os testes, entra um recurso simples: um pouco de adesivo temporário, só para estabilizar.

Vídeo do YouTube

Na frente do rotor fica a bobina motora, montada em uma estrutura de LEGO e enrolada manualmente com algo em torno de 150 espiras de fio de cobre. Quando a bateria alimenta a bobina, o campo magnético criado ali atrai ou repele os ímãs do rotor, dando o empurrão inicial para começar a girar.

O problema aparece rápido: um impulso só não sustenta o movimento por muito tempo. A inércia vai embora e o giro morre. É aí que a maioria dos motores simples falha: sem sincronização, não há continuidade.

A “sacada” para o motor não parar: uma bobina que “escuta” o rotor

A solução escolhida por Jamie é minimalista e inteligente. Ele adiciona uma segunda bobina, menor, que não serve para empurrar — serve para detectar. Essa bobina “sensora” percebe a passagem dos ímãs do rotor e gera um sinal elétrico pequeno.

Esse sinal vai para um circuito bem básico, com um transistor TIP31C e, opcionalmente, um LED. O transistor funciona como um interruptor automático: quando a bobina sensora detecta que o ímã está no ponto certo, o transistor abre por um instante e deixa a bateria mandar um pulso para a bobina motora.

Ou seja: o motor se mantém ligado porque o próprio movimento “comanda” o próximo impulso. Sem programação, sem controle digital. É retroalimentação física na prática — o tipo de conceito que existe por trás de muitos sistemas industriais, mesmo quando hoje isso vem embalado como “algoritmo”.

E tem um detalhe crítico: a polaridade das bobinas. Uma ligação invertida e o sistema simplesmente não funciona. Ajustar, testar, trocar fios e encontrar o ponto correto faz parte do aprendizado.

Velocidade, torque e o efeito dos ímãs no desempenho

Nos testes mais simples, com dois ímãs, o conjunto chega a cerca de 1.300 rotações por minuto (RPM) antes de receber engrenagens. Quando entra uma redução 3:1, a velocidade cai — mas o torque aumenta. E aí vem a prova prática: o motor deixa de ser só uma curiosidade e passa a movimentar um carrinho de LEGO em uma superfície.

Depois, o rotor é redesenhado com oito ímãs distribuídos em um disco. O comportamento muda: a rotação desce para algo próximo de 480 RPM, mas o giro fica mais estável e o empuxo se torna mais constante. Os pulsos acontecem com maior frequência e melhor distribuídos, reduzindo “trancos” e melhorando o controle.

Na prática, é o mesmo tipo de compromisso presente em aplicações reais: em alguns casos você quer mais velocidade; em outros, mais torque e regularidade. Não existe configuração “perfeita” — existem escolhas de projeto e consequências claras.

Por que isso importa além do hobby

À primeira vista pode parecer apenas um experimento caseiro, mas o valor vai bem além do entretenimento. Motores elétricos estão no centro da transição energética: bombas de calor, turbinas eólicas, trens, eletrodomésticos eficientes e, claro, mobilidade elétrica. Sem eles, não há eletrificação em escala — e muito menos descarbonização.

O que esse tipo de projeto entrega é algo raro: compreensão. Em vez de diagramas abstratos, dá para ver o funcionamento “ao vivo”: campo magnético, sincronização, retroalimentação e a conversão de energia elétrica em movimento acontecendo na frente dos olhos.

Para estudantes, professores e curiosos, a mensagem é simples: entender o básico ainda é uma das formas mais poderosas de ganhar repertório técnico — e isso faz diferença quando o assunto é tecnologia e energia.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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