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Uma empresa florestal acelera a restauração de áreas úmidas e anuncia 1.165 hectares recuperados entre 2021 e 2025, usando obras de reumedecimento e fechamento de drenagens para tentar devolver função hidrológica a terras que ficaram produtivas à força por décadas

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 03/03/2026 a las 09:42
Restauração de áreas úmidas na Suécia avança com a SCA, fecha valas, reumedece turfeiras e soma 1.165 hectares recuperados entre 2021 e 2025.
Restauração de áreas úmidas na Suécia avança com a SCA, fecha valas, reumedece turfeiras e soma 1.165 hectares recuperados entre 2021 e 2025.
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A restauração de áreas úmidas conduzida pela SCA em terras da Suécia somou 1.165 hectares entre 2021 e 2025, com fechamento de valas, reumedecimento de turfeiras e obras para elevar a retenção de água, restaurar a hidrologia natural e consolidar uma agenda florestal de longo prazo ao longo dos anos.

A restauração de áreas úmidas executada pela SCA em terras da Suécia deixou de ser um conjunto disperso de iniciativas e passou a aparecer como uma frente organizada de intervenção em larga escala. Entre 2021 e 2025, a empresa informou ter recuperado 1.165 hectares com fechamento de valas, reumedecimento de turfeiras e medidas voltadas a devolver água a terrenos que haviam sido drenados para manter produtividade por décadas.

O balanço principal reúne 883 hectares conduzidos diretamente pela SCA e 282 hectares restaurados com participação de outras partes interessadas, em áreas onde a empresa atua como proprietária da terra. Além disso, a companhia afirma ter restaurado, no mesmo período, dois projetos extensos de turfeiras que somam 325 hectares. O dado central, portanto, não é apenas a metragem recuperada, mas a mudança de escala de uma política florestal que passou a recolocar a hidrologia no centro da decisão de uso da terra.

Como a SCA transformou a restauração em frente permanente de trabalho

Restauração de áreas úmidas na Suécia avança com a SCA, fecha valas, reumedece turfeiras e soma 1.165 hectares recuperados entre 2021 e 2025.

A decisão de intensificar a restauração de áreas úmidas foi assumida pela SCA em 2021, quando a empresa definiu que passaria a ampliar o reumedecimento de zonas selecionadas em suas propriedades.

A justificativa apresentada combina três frentes: melhorar a retenção de água na paisagem, apoiar metas climáticas e devolver função hidrológica a áreas que haviam sido drenadas ao longo do tempo.

Na prática, isso desloca o foco da simples exploração produtiva para uma tentativa de reorganizar o funcionamento físico do terreno.

Segundo Anna Cabrajic, ecóloga florestal da SCA e responsável pela compilação dos dados, o avanço dos projetos decorre de um trabalho conduzido pelos especialistas em conservação da natureza distribuídos pelas diferentes áreas geográficas da companhia.

Esse detalhe importa porque mostra que a restauração de áreas úmidas não foi tratada como ação isolada ou compensação pontual, mas como um programa técnico incorporado à estrutura operacional da empresa.

O movimento também revela uma inflexão importante no setor florestal. Em vez de aceitar como permanentes as condições criadas por drenagens antigas, a SCA passou a atuar para desfazer parte dessa infraestrutura.

Isso inclui aterrar valas, construir barragens com tampões para elevar o nível da água e, em alguns casos, remover árvores que cresceram justamente ao redor dessas faixas drenadas. Ao fazer isso, a empresa não só muda a paisagem visível, mas tenta alterar o comportamento do solo e da água.

Na base desse raciocínio está a ideia de que áreas úmidas produtivas à força nem sempre mantêm equilíbrio de longo prazo. Se o terreno depende de drenagem permanente para continuar funcionando sob determinada lógica, o custo hidrológico tende a se acumular.

A restauração de áreas úmidas entra, então, como tentativa de devolver permanência à água onde a drenagem havia transformado o excesso em regra.

O que fechar valas realmente muda na hidrologia das turfeiras

Restauração de áreas úmidas na Suécia avança com a SCA, fecha valas, reumedece turfeiras e soma 1.165 hectares recuperados entre 2021 e 2025.

As medidas descritas pela SCA parecem simples na superfície, mas operam sobre um mecanismo decisivo. Quando valas são abertas em turfeiras, a água passa a escoar com mais rapidez e o solo deixa de permanecer saturado pelo tempo necessário para sustentar sua dinâmica natural.

Ao preencher esses canais e erguer pequenas estruturas de retenção, o projeto tenta restabelecer a hidrologia anterior, mantendo a água na área por mais tempo e desacelerando a drenagem artificial.

Essa permanência da água é tratada pela empresa como um ganho de dupla função. Primeiro, porque permite que o terreno volte a operar como área úmida, com maior retenção hídrica.

Segundo, porque esse tempo extra de permanência favorece a purificação natural, ajudando a capturar nutrientes e metais pesados vindos do solo ao redor.

Em outras palavras, fechar valas não serve apenas para encharcar o terreno, mas para reprogramar o fluxo que atravessa a paisagem.

Anna Cabrajic argumenta que a restauração de áreas úmidas ajuda a estabilizar o fluxo de água e a melhorar a qualidade hídrica nos córregos. Esse ponto é central porque desloca o benefício para além do limite da área restaurada.

O efeito esperado não termina no local onde a escavadeira trabalha ou onde a vala é aterrada. Ele se projeta para a rede de drenagem ao redor, influenciando vazão, retenção e passagem de material dissolvido ou em suspensão.

Em turfeiras, essa mudança tende a ser ainda mais sensível, porque são áreas cuja estrutura depende justamente da água retida.

Quando a drenagem se impõe por décadas, a funcionalidade original se enfraquece. Ao reumedecer e bloquear valas, a SCA tenta reverter esse processo.

O que está em jogo não é apenas deixar o solo mais molhado, mas devolver coerência a um sistema que havia sido reorganizado pela necessidade de produzir.

Onde os números ganham dimensão concreta no projeto Ejdån-Malmvattenån

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A escala da restauração de áreas úmidas fica mais nítida no projeto dos pântanos de Ejdån-Malmvattenån, no município de Sollefteå, concluído em 2025.

Nesse caso, os esforços da SCA alcançaram seis áreas de turfeiras drenadas ao redor do lago Graningesjön, com recuperação de aproximadamente 18 quilômetros de valas e reumedecimento de cerca de 150 hectares.

O cronograma começou com desmatamento em maio de 2025, avançou pelo preenchimento dos canais durante o verão e foi encerrado no fim de setembro.

Esse recorte ajuda a entender o tamanho real das obras. Falar em 1.165 hectares pode soar abstrato, mas 18 quilômetros de valas fechadas em uma única frente mostram a densidade física da intervenção.

Não se trata de pequenos ajustes lineares, e sim de uma reconfiguração territorial que exige maquinaria, decisão sobre traçado, controle do nível da água e leitura precisa do que deve voltar a reter umidade.

Mikael Berg, que trabalha com áreas úmidas na SCA, afirmou que será importante acompanhar o desenvolvimento desses pântanos nos próximos anos.

O comentário faz sentido porque projetos de reumedecimento não se esgotam na etapa de execução.

O fechamento das drenagens altera a base hídrica do terreno, mas os efeitos se consolidam ao longo do tempo, conforme a água volta a permanecer na área e o sistema encontra um novo equilíbrio.

A maior parte desses projetos recebeu financiamento do programa LONA, voltado a compromissos locais de longo prazo com a conservação. Isso adiciona uma camada institucional importante.

A restauração de áreas úmidas promovida pela SCA depende de ação empresarial, mas também se apoia em instrumentos públicos que ampliam a viabilidade das obras.

Sem esse arranjo, recuperar grandes extensões de turfeiras drenadas seria mais lento, mais caro e provavelmente mais restrito.

Por que a empresa também incluiu áreas de extração de turfa nessa conta

Nos últimos anos, a SCA também participou da restauração de áreas de extração de turfa em suas terras, usadas até o início da década de 2020 em operações ligadas à Öviks Energi.

Nesse trecho da agenda, a recuperação foi conduzida pela Neova, responsável pela extração, mas a SCA afirma ter deixado clara, nas consultas realizadas em 2023, a forma como a restauração deveria ser executada.

O resultado descrito foi o preenchimento completo de toda a drenagem, incluindo valas de borda e sulcos.

Esse ponto mostra que a restauração de áreas úmidas não ficou limitada a antigas áreas florestais drenadas. Ela também foi aplicada em superfícies que passaram por uso intensivo até anos muito recentes.

Em Mörttjärnsmyran, por exemplo, a área restaurada integra Mörttjärnsmyren, onde a SCA ainda fechou 5.000 metros de valas no mesmo ano, dentro do projeto Ejdån-Malmvattenån, formando uma faixa restaurada mais contínua.

No caso de Norrmossaflon, a expectativa apresentada é de que a área se converta em uma zona úmida contígua a uma área florestal queimada de 80 hectares após o incêndio de 2018.

A empresa trata esse desenho como especialmente promissor para a região.

O dado relevante aqui é a formação de blocos contínuos, e não apenas de manchas isoladas de reumedecimento. Quando as áreas restauradas começam a se encostar, a função hidrológica ganha escala e consistência.

Essa ampliação do recorte ajuda a entender por que a SCA insiste em associar seus projetos às metas climáticas da Suécia.

A empresa sustenta que todas as restaurações de zonas úmidas contribuem positivamente para objetivos nacionais ligados a áreas úmidas prósperas, lagos e cursos d’água vivos e redução do impacto climático.

Ainda que esse enquadramento venha da própria companhia, ele revela a ambição do programa: transformar a restauração de áreas úmidas em peça visível da estratégia ambiental sueca, e não em obra periférica de manejo local.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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