1. Inicio
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Uma startup do Texas tenta registrar elefantes com genes de mamute, usa edição genética, constrói laboratórios gigantes, atrai centenas de milhões de dólares, promete impacto climático e abre uma disputa inédita sobre quem pode possuir uma espécie extinta
Tiempo de lectura 4 min de lectura Comentarios 0 comentarios

Uma startup do Texas tenta registrar elefantes com genes de mamute, usa edição genética, constrói laboratórios gigantes, atrai centenas de milhões de dólares, promete impacto climático e abre uma disputa inédita sobre quem pode possuir uma espécie extinta

Escrito por Noel Budeguer
Publicado el 09/02/2026 a las 21:42
Actualizado el 09/02/2026 a las 21:44
Uma startup do Texas tenta registrar elefantes com genes de mamute, usa edição genética, constrói laboratórios gigantes, atrai centenas de milhões de dólares, promete impacto climático e abre uma disputa inédita sobre quem pode possuir uma espécie extinta
Colossal Biosciences quer registrar animais editados em Dallas, buscando exclusividade comercial e influência sobre conservação e mercado climático.
  • Reação
Uma pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo

Colossal Biosciences quer registrar animais editados em Dallas, buscando exclusividade comercial e influência sobre conservação e mercado climático.

A Colossal Biosciences, startup de biotecnologia sediada em Dallas, colocou a de extinção no centro do negócio. A promessa é criar versões modernas de espécies extintas, usando edição genética para levar traços de mamute ao elefante asiático.

O movimento vai além de laboratório e vira disputa por território de mercado. A estratégia passa por direitos exclusivos que podem limitar quem entra no jogo, como se fosse um radar jurídico controlando o avanço de outros projetos.

Patente mira elefantes com traços de mamute

A empresa tenta garantir uma proteção ampla para células e animais com trechos de ADN de mamute. Na prática, a ideia é cobrir qualquer elefante editado que carregue genes associados ao mamute, mesmo se for criado por terceiros.

Esse tipo de patente amplia a influência da companhia sobre criação, reprodução e uso comercial desses animais. O efeito é semelhante a travar rotas no tabuleiro, impondo licenças e condições para quem quiser operar no mesmo espaço.

Video de YouTube

Projeto mira mamute, dodo e tilacino desde 2021

A Colossal foi cofundada em 2021 por Ben Lamm e o geneticista George Church, da Universidade de Harvard. O portfólio inclui mamute, dodo e tilacino, sempre com a lógica de reconstruir traços perdidos em espécies atuais.

No caso do mamute, o alvo é o elefante asiático, descrito como base para receber alterações. A empresa diz que mamute e elefante asiático têm 99,6% de semelhança genética, o que facilita escolher quais características tentar replicar.

Edição genética usa CRISPR e mira 85 genes ligados ao frio

O plano não é clonar um mamute idêntico ao original. A proposta é produzir elefantes com características como pelo mais denso, gordura subcutânea e ajustes no sangue para suportar temperaturas baixas.

A empresa afirma analisar cerca de 85 genes ligados à adaptação ao frio em mamutes. A edição com CRISPR funciona como uma tesoura molecular que troca trechos do ADN em células, antes de virar embrião e seguir para gestação.

Útero artificial e escala industrial entram na equação

A gestação pode ocorrer em fêmeas de elefante ou em sistemas de útero artificial, uma linha que a empresa afirma desenvolver. Depois do nascimento, as crias ainda precisariam de socialização e monitoramento, porque elefantes têm estruturas familiares complexas.

A aposta em escala aparece também na infraestrutura. A companhia anunciou um novo laboratório de 45.000 pés quadrados em Dallas e diz operar ao menos três unidades, em Dallas, Boston e Melbourne, com cerca de 170 cientistas.

Disputa climática vira ativo e reforça pressão estratégica

A narrativa climática ajuda a dar lastro político e financeiro ao projeto. A ideia é que grandes herbívoros mantenham a tundra mais aberta, compactem neve e ajudem a preservar o permafrost frio, reduzindo liberação de gases.

Segundo MIT Technology Review, revista americana de tecnologia e negócios, a empresa citou a possibilidade de cada animal render até US$ 2 milhões em serviços ligados à captura de carbono ao longo da vida. O argumento transforma o mamute em ativo, com peso econômico e influência sobre decisões em regiões sensíveis.

Dinheiro e patentes elevam o jogo para nível global

A Colossal já captou mais de US$ 400 milhões e foi descrita com avaliação de mais de 10.000 milhões. Esse porte tira o tema do campo do espetáculo e coloca a empresa como uma força com capacidade de impor ritmo e condições.

Quando patentes, capital e narrativa climática se juntam, o resultado é uma pressão contínua sobre concorrentes, governos e projetos de conservação. A disputa deixa de ser só científica e passa a ser de presença e controle.

Prazo de 2027 ou 2028 e consequência no tabuleiro

A empresa projeta ter seus primeiros animais com traços suficientes para serem tratados como uma nova variedade por volta de 2027 ou 2028. O cronograma depende de avanços ainda não demonstrados em grandes mamíferos, mas o posicionamento já está em curso.

Se a exclusividade avançar, o impacto não fica restrito ao laboratório. A combinação de patente e escala pode redesenhar quem decide o futuro desses animais e como eles serão usados, em um movimento que muda a leitura estratégica e mexe com o tabuleiro.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

Compartir en aplicaciones
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x