A Unicamp coloca em operação o supercomputador Abaporu, ampliando capacidades em Inteligência Artificial e soluções avançadas para o setor de petróleo, fortalecendo pesquisas estratégicas no país
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) deu um passo decisivo rumo à excelência em pesquisa tecnológica com a inauguração do supercomputador Abaporu. Segundo matéria publicada pelo Jornal da Unicamp nesta quarta-feira (19), o equipamento foi instalado no Instituto de Computação e será utilizado em projetos que combinam Inteligência Artificial e engenharia de Petróleo, com foco em aplicações industriais e científicas de alto impacto.
Supercomputador Abaporu: potência de processamento para desafios complexos
O projeto foi viabilizado por meio de recursos da Shell Brasil, via cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no âmbito do Centro de Estudos de Energia e Petróleo (Cepetro/Unicamp).
O supercomputador Abaporu é composto por 28 GPUs de última geração, sendo modelos NVIDIA H200 e L40. Essas unidades de processamento gráfico são reconhecidas por seu desempenho excepcional em tarefas de aprendizado profundo, simulações físicas e modelagens computacionais.
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A capacidade de processamento do Abaporu equivale a milhares de computadores pessoais operando simultaneamente. Isso permite a execução de algoritmos de IA em larga escala, com maior precisão e agilidade, além de simulações geofísicas e geoquímicas essenciais para a exploração de petróleo em ambientes complexos como o pré-sal.
Iniciativa estratégica da Unicamp: IA e engenharia de Petróleo
O foco do Abaporu está em projetos que integram Inteligência Artificial com engenharia de Petróleo, visando otimizar processos e reduzir custos operacionais. Entre as aplicações previstas estão:
- Modelagem de reservatórios com redes neurais profundas;
- Simulações sísmicas com algoritmos de aprendizado de máquina;
- Análise preditiva de falhas em equipamentos submarinos;
- Otimização de perfuração e extração de óleo e gás.
Essas soluções são fundamentais para aumentar a eficiência e a segurança das operações no setor energético, além de contribuir para a sustentabilidade ambiental. A convergência entre IA e engenharia de petróleo representa uma fronteira promissora para a inovação tecnológica no Brasil.
Parceria entre Unicamp e Shell Brasil fortalece pesquisa aplicada
A aquisição do supercomputador foi possível graças à parceria entre a Unicamp e a Shell Brasil. A empresa destinou recursos por meio da cláusula de PD&I da ANP, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento científico nacional.
Essa colaboração fortalece o papel do Cepetro como centro de excelência em pesquisa aplicada e consolida a Unicamp como referência em inovação tecnológica na América Latina. Investimentos em infraestrutura de ponta são essenciais para posicionar o Brasil como protagonista na transformação digital da indústria energética.
Além de seu papel estratégico na indústria, o Abaporu terá impacto direto na formação de recursos humanos altamente qualificados. Estudantes de graduação, mestrado e doutorado terão acesso à infraestrutura para desenvolver projetos de ponta em Inteligência Artificial, ciência de dados e engenharia.
A iniciativa amplia as oportunidades de pesquisa interdisciplinar e estimula a criação de soluções tecnológicas com alto valor agregado. A presença de um supercomputador como o Abaporu na Unicamp eleva o nível da formação acadêmica e atrai novos talentos para a ciência.
Comparativo internacional e relevância científica na Unicamp
Com a instalação do Abaporu, a Unicamp se junta a um grupo minoritário de instituições que operam supercomputadores de alto desempenho voltados à pesquisa em IA. Segundo o ranking Top500, os maiores clusters do mundo estão concentrados em países como Estados Unidos, China e Japão.
O uso de GPUs NVIDIA H200 e L40 coloca o Abaporu entre os sistemas mais modernos do hemisfério sul, com potencial para atrair colaborações internacionais e novos investimentos em pesquisa. A infraestrutura posiciona o Brasil em um novo patamar de competitividade científica e tecnológica.
Nome simbólico: Abaporu e a valorização da cultura brasileira
O nome “Abaporu” foi escolhido em homenagem à obra de Tarsila do Amaral, ícone do modernismo brasileiro. A palavra, de origem tupi, significa “homem que come”, e foi reinterpretada no contexto do supercomputador como “devorador de dados”.
A metáfora traduz o poder computacional do sistema e sua missão de transformar dados em conhecimento. A escolha do nome também reforça a identidade nacional do projeto, valorizando a cultura brasileira em um ambiente de alta tecnologia.
A expectativa é que, nos próximos anos, a infraestrutura do Abaporu seja expandida com novas unidades de processamento e armazenamento. A Unicamp também planeja integrar o sistema a redes nacionais e internacionais de pesquisa, como a RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), ampliando o acesso a dados e resultados científicos.
Essa integração permitirá a colaboração com outras instituições e o compartilhamento de recursos computacionais, fortalecendo o ecossistema de inovação no país.
Supercomputador Abaporu e o futuro da pesquisa em Inteligência Artificial
O supercomputador Abaporu representa um marco na história da Unicamp e da ciência brasileira. Ao unir Inteligência Artificial e engenharia de Petróleo, o projeto inaugura uma nova era de inovação, com impacto direto na indústria, na formação de talentos e na produção de conhecimento.
A iniciativa demonstra que é possível alinhar tecnologia, sustentabilidade e desenvolvimento econômico por meio da ciência.
A parceria entre universidade e setor produtivo, como exemplificado pela colaboração com a Shell Brasil, mostra que o investimento em pesquisa aplicada é um caminho viável e estratégico para o progresso do país.
Com o Abaporu, a Unicamp reafirma seu papel como protagonista na transformação digital e na transição energética, abrindo novas possibilidades para o futuro da ciência no Brasil.

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